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Ele era catador de papelão e transformou um notebook quebrado em negócio milionário que chamou atenção de uma gigante do setor, movimentou R$ 300 milhões e mira novo salto em 2026.

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/07/2026 às 20:57 Atualizado em 08/07/2026 às 21:03
Conheça como Sérgio Fagundes saiu das ruas para criar a Insight Energy, empresa que movimentou R$ 300 milhões e mira crescer em 2026.
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Trajetória de Sérgio Fagundes reúne infância marcada pelo trabalho nas ruas, formação técnica e criação da Insight Energy, empresa que avançou em um setor dominado por multinacionais, atraiu interesse da WEG e mira novo salto de faturamento em 2026.

Sérgio Fagundes, fundador da Insight Energy, saiu da infância marcada pelo trabalho como catador de papelão em Londrina, no norte do Paraná, para liderar uma empresa que projeta faturar R$ 100 milhões em 2026 no setor de grandes geradores de energia.

Com atuação em equipamentos usados em hidrelétricas e termelétricas, a operação atende clientes como Petrobras e Copel e já movimentou cerca de R$ 300 milhões nos últimos cinco anos, segundo relato publicado pela Gazeta do Povo.

A virada empresarial começou a tomar forma em 2010, quando Fagundes deixou um emprego estável e criou a Insight Energy com um plano de negócios enxuto, elaborado a partir de poucos recursos e muita experiência técnica acumulada.

Na origem da empresa, segundo a reportagem, estavam um notebook velho, uma leitura precisa de mercado e duas décadas de vivência em uma companhia do setor elétrico, onde ele construiu a base para empreender.

Sérgio Fagundes e a infância em Londrina

A infância de Fagundes mudou de direção em 1975, ano em que a geada negra atingiu lavouras no Paraná e afetou famílias que dependiam diretamente do campo para sobreviver.

Em depoimento à Veja, ele relatou que morava com os pais e irmãos em Sertaneja, no norte do estado, antes de a família se mudar para Londrina após perder a base de sustento rural.

Ainda criança, passou a trabalhar para ajudar em casa, em uma rotina que incluía catar papelão nas ruas de Londrina e usar o dinheiro para comprar alimentos básicos para a família.

Durante esse período, a observação da vida ao redor teve peso decisivo, porque Fagundes comparava a situação de sua casa com a de colegas cujos pais trabalhavam como eletricistas.

Conheça como Sérgio Fagundes saiu das ruas para criar a Insight Energy, empresa que movimentou R$ 300 milhões e mira crescer em 2026.
Conheça como Sérgio Fagundes saiu das ruas para criar a Insight Energy, empresa que movimentou R$ 300 milhões e mira crescer em 2026.

A partir dessa referência, ele passou a associar a profissão a uma possibilidade concreta de mudança de vida, mesmo sem compreender completamente, naquele momento, o funcionamento da atividade.

Estudo técnico abriu caminho para a engenharia

A formação profissional tornou-se o eixo central da trajetória de Fagundes, que buscou no aprendizado técnico uma alternativa para sair da pobreza e construir uma carreira no setor elétrico.

Segundo a Veja, ele fez pelo menos 65 cursos na área, a maioria no sistema Sesi-Senai, e chegou a atuar por quatro anos como professor no Senai antes de avançar profissionalmente.

Mais tarde, já casado e com filhos, decidiu cursar engenharia elétrica, em uma fase de forte aperto financeiro e reorganização da vida familiar em torno do pagamento da universidade.

Metade do salário, conforme ele relatou, era destinada às mensalidades, enquanto a família enfrentava restrições no orçamento doméstico para manter o projeto de formação até o fim.

“Vamos viver de pão e água, mas eu vou me formar”, disse, segundo a Gazeta do Povo.

Depois da graduação, Fagundes trabalhou por 20 anos em uma fábrica de reparos de geradores elétricos, onde passou por diferentes funções e aprofundou o conhecimento técnico que sustentaria sua futura empresa.

Esse período dentro da indústria serviu como laboratório prático para a decisão de empreender, tomada quando ele tinha 40 anos e já conhecia de perto as exigências do mercado de energia.

Insight Energy entrou em mercado de alta complexidade

Criada em 2010, a Insight Energy nasceu em um mercado de alta complexidade técnica, marcado pela presença de multinacionais e pela necessidade de conhecimento especializado em grandes máquinas geradoras.

A empresa se voltou para fabricação e reparo de geradores usados em usinas hidrelétricas e termelétricas, em um segmento associado a grupos globais como Andritz, GE e Voith.

Com essa especialização, a companhia passou a atender estruturas como Itaipu e Tucuruí, além de siderúrgicas e empresas do porte de Petrobras e Copel, conforme a Gazeta do Povo.

Conheça como Sérgio Fagundes saiu das ruas para criar a Insight Energy, empresa que movimentou R$ 300 milhões e mira crescer em 2026.
Conheça como Sérgio Fagundes saiu das ruas para criar a Insight Energy, empresa que movimentou R$ 300 milhões e mira crescer em 2026.

O avanço da Insight Energy despertou interesse da WEG em 2024, quando a gigante brasileira avaliou a aquisição da companhia para acessar o nicho específico em que a empresa paranaense atua.

A negociação, porém, não foi concluída porque a estrutura de governança da Insight Energy ainda não atendia às exigências necessárias para uma auditoria internacional, segundo a reportagem.

Governança virou prioridade para novo salto

A tentativa de venda não concretizada revelou um ponto sensível da operação e levou Fagundes a iniciar uma reorganização interna voltada às melhores práticas de governança corporativa.

Com esse movimento, a Insight Energy busca se preparar para auditorias independentes e fortalecer sua estrutura administrativa, etapa considerada essencial para sustentar uma nova fase de crescimento.

O ajuste ocorre em meio à expansão do negócio, já que Fagundes afirmou à Veja, em 2025, que a empresa tinha 350 funcionários e caminhava para atingir R$ 100 milhões de faturamento anual.

Na mesma entrevista, o empresário também informou que a companhia possuía R$ 500 milhões em carteira de projetos vendidos, dado que reforça o peso comercial da operação no setor de energia.

Apesar dos números, Fagundes diferencia crescimento de rentabilidade, ao afirmar que os R$ 300 milhões movimentados nos últimos cinco anos não representam lucro líquido da empresa.

Parte relevante desses recursos, conforme explicou à Gazeta do Povo, passou pela companhia para custear impostos, fornecedores e folha salarial, sem se converter integralmente em ganho para o negócio.

Custo de empreender no Brasil entra no debate

No diagnóstico de Fagundes, parte das dificuldades empresariais no país está ligada à falta de educação administrativa e financeira, além da complexidade jurídica e tributária enfrentada por empreendedores brasileiros.

Essa combinação, segundo ele, atinge especialmente profissionais com domínio técnico que decidem abrir empresas, mas nem sempre chegam preparados para lidar com gestão, impostos e obrigações legais.

Outro ponto citado pelo fundador da Insight Energy é a infraestrutura nacional, que ele considera um entrave para a competitividade de empresas brasileiras em mercados de alta exigência tecnológica.

Ao comparar o Brasil com países como China e Estados Unidos, onde visitou fábricas, Fagundes sustenta que a tecnologia nacional pode competir, mas enfrenta custos logísticos e tributários que reduzem o ritmo de crescimento.

O empresário também contesta a ideia de que lucro e responsabilidade social estejam em lados opostos, ao defender que uma empresa financeiramente sólida oferece mais segurança aos trabalhadores.

“O lucro significa estabilidade para o profissional. Se a empresa é sólida, o funcionário trabalha com segurança”, afirmou à Gazeta do Povo.

Ao mencionar a folha mensal de R$ 2 milhões, Fagundes relaciona o desempenho da empresa ao sustento dos trabalhadores e das famílias que dependem diretamente da operação.

“No fim das contas, não são 300 funcionários, são no mínimo 300 famílias que dependem da nossa gestão”, disse.

A história de Fagundes combina ascensão social, formação técnica e risco empresarial em um setor estratégico para a infraestrutura energética do país, sem deixar de expor os desafios de gestão que acompanham o crescimento.

Com a meta de R$ 100 milhões em 2026 e a reorganização interna em curso, até onde uma empresa brasileira especializada pode avançar em um mercado ainda dominado por gigantes globais?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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