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Engenheira de 29 anos transforma plástico descartado em pavimentos certificados, produz 1.500 placas por dia, cria a Gjenge Makers em Nairobi e entrega pisos mais resistentes que concreto com ponto de fusão acima de 350°C

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/02/2026 às 19:28
Atualizado em 26/02/2026 às 22:55
Assista o vídeoengenheira em Nairobi cria Gjenge Makers e transforma plástico em pavimento certificado, com 1.500 placas/dia e ponto de fusão acima de 350°C.
engenheira em Nairobi cria Gjenge Makers e transforma plástico em pavimento certificado, com 1.500 placas/dia e ponto de fusão acima de 350°C.
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A engenheira Nzambi Matee montou uma oficina que parece caótica, criou a Gjenge Makers e produz 1.500 placas por dia com plástico e areia; os pavimentos têm certificação do Escritório de Normas do Quênia, derretem só acima de 350°C e hoje também chegam direto a escolas e residências em Nairóbi

A engenheira Nzambi Matee trabalha em uma pequena oficina em Nairobi, no Quênia, cercada por tubos de metal e engrenagens, onde o plástico descartado deixa de ser sujeira e vira pavimento. O que parece improviso, na prática é engenharia aplicada ao problema mais visível das ruas.

A engenheira de 29 anos criou a Gjenge Makers para transformar garrafas e recipientes plásticos em placas de pavimentação feitas com uma mistura de plástico e areia, com produção diária de 1.500 unidades. O resultado não é um “artesanato ecológico”, mas um produto certificado, pensado para aguentar uso real e competir com concreto em resistência e durabilidade.

A oficina que parece caos e o processo que precisa ser repetível

engenheira em Nairobi cria Gjenge Makers e transforma plástico em pavimento certificado, com 1.500 placas/dia e ponto de fusão acima de 350°C.

Quem olha de fora enxerga desordem: peças, metal, máquina barulhenta, testes. Para a engenheira, aquilo é ambiente de prototipagem.

Foi nesse espaço que ela desenvolveu uma máquina capaz de transformar plástico descartado em “pedras” para pavimentação, sustentando a operação da Gjenge Makers.

A diferença entre uma ideia e um produto está na repetição. A própria engenheira resume o salto: não basta aprender a fazer um tijolo, é preciso aprender a fazer 1.000.

Produzir 1.500 placas por dia exige constância de mistura, estabilidade de máquina e padronização, porque pavimento não pode variar como um experimento de laboratório.

Plástico, areia e por que alguns resíduos se comportam melhor que outros

engenheira em Nairobi cria Gjenge Makers e transforma plástico em pavimento certificado, com 1.500 placas/dia e ponto de fusão acima de 350°C.

O pavimento intertravado descrito nasce da combinação de plástico e areia.

A engenheira chegou às proporções por tentativa e erro, até entender que alguns plásticos “se unem” melhor do que outros quando aquecidos e combinados com agregados, o que muda resistência final e acabamento.

Esse detalhe explica por que o desenvolvimento levou tempo: não é só derreter plástico.

É controlar a mistura, testar o comportamento do material e ajustar o processo para que a placa aguente impacto, peso e variação de uso.

A engenheira também evoluiu as máquinas para fabricar os blocos em escala, porque o desafio real começa quando a demanda sai do protótipo e vira rotina.

Certificação, ponto de fusão acima de 350°C e a comparação direta com concreto

Os pavimentos Gjenge têm certificação completa do Escritório de Normas do Quênia, o que coloca o produto no mundo real de compra, obra e especificação.

A base informa dois números que viram argumento técnico: ponto de fusão acima de 350°C e resistência superior aos equivalentes de concreto.

Essa combinação muda o tipo de conversa com clientes. Em vez de promessa genérica, entra critério: padrão, teste, lote, repetibilidade.

Para escolas e proprietários, o apelo não é só “reciclar”, é receber um piso durável e acessível, com desempenho descrito como acima do concreto e comportamento térmico com margem alta.

Do emprego para o quintal: 2017, barulho, prazo de um ano e a virada prática

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A engenheira se formou em ciência dos materiais, trabalhou como engenheira na indústria petrolífera do Quênia e, em 2017, largou o emprego de analista de dados para montar um pequeno laboratório no quintal da casa da mãe.

A inspiração veio do que ela via com frequência: sacolas e resíduos plásticos espalhados pelas ruas de Nairobi.

O começo foi duro e pouco “romântico”. A máquina fazia barulho, vizinhos reclamaram, e ela pediu um ano para chegar às proporções certas.

A engenheira descreve um período de foco total, com vida social deixada de lado e economias investidas no processo. Esse é o ponto em que a história deixa de ser ideia boa e vira risco pessoal calculado.

Teste fora do país, laboratório de materiais e o ajuste fino que dá liga ao projeto

O projeto ganhou impulso quando a engenheira recebeu uma bolsa para um programa de treinamento em empreendedorismo social nos Estados Unidos.

Ela levou amostras de pavimentação e usou os laboratórios de materiais da Universidade do Colorado em Boulder para testar e refinar as proporções de areia e plástico.

Esse trecho importa porque mostra o método: medir, ajustar, repetir. A engenheira não ficou só na intuição de oficina; ela levou o material para ambiente de teste e voltou com parâmetros melhores.

É a diferença entre “funciona no meu quintal” e “funciona com padrão e escala”.

Por que o problema do plástico vira urgência e não só pauta ambiental

O pano de fundo é um volume que não para. Globalmente, 1 milhão de garrafas plásticas para bebidas são compradas a cada minuto, e até 5 trilhões de sacolas plásticas descartáveis são usadas por ano.

Nesse cenário, a engenheira chama o plástico de material mal utilizado e mal compreendido: potencial enorme, destino final desastroso.

Quando esse plástico não é absorvido por sistemas formais, ele cai no caminho mais previsível: aterro, rua, drenagem, paisagem urbana.

Nairobi, como muitas grandes cidades, paga a conta em forma de entupimento, sujeira visível e degradação cotidiana, e é nesse ponto que soluções locais viram relevantes, porque atacam o problema no lugar onde ele aparece.

A escola em Mukuru, o piso no pátio e o efeito social que vai além do material

Uma das escolas citadas como usuária é o Centro de Treinamento Profissional Mukuru, na favela de Mukuru Kyaba, em Nairobi.

O pátio e os caminhos entre as salas foram cobertos pelos pavimentos intertravados, substituindo trilhas de terra por áreas firmes e utilizáveis no dia a dia.

A coordenadora do programa, Anne Muthoni, afirma que planejam pavimentar toda a área ao redor da escola e chama a solução de mais barata, com agradecimento direto à engenheira.

Ela também amarra o ponto social: jovens precisam ser motivados a cuidar do meio ambiente enquanto ganham dinheiro. Aqui, o pavimento vira infraestrutura e narrativa de renda ao mesmo tempo, sem depender de discurso genérico.

PNUMA, Jovem Campeã da Terra e a leitura industrial do que está acontecendo

Pelo trabalho, a engenheira foi nomeada Jovem Campeã da Terra pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um prêmio que oferece financiamento inicial e mentoria a ambientalistas promissores. A base também traz uma leitura técnica do PNUMA, pela especialista Soraya Smaoun, sobre a necessidade de repensar fabricação e fim de vida de produtos industriais.

A interpretação é direta: a inovação da engenheira na construção civil destaca oportunidades econômicas e ambientais quando se muda de economia linear, que descarta depois de usar, para economia circular, que mantém materiais no sistema pelo maior tempo possível. Na prática, isso significa tirar resíduo do fim da linha e transformá-lo em insumo de obra, com mercado, padrão e escala.

A engenheira Nzambi Matee construiu, em Nairobi, uma resposta concreta ao excesso de plástico: máquina, mistura de plástico e areia, pavimento certificado, 1.500 placas por dia, ponto de fusão acima de 350°C e resistência descrita como superior ao concreto.

O caminho passou por 2017, laboratório no quintal, reclamação de barulho, prazo para acertar proporções, testes em laboratório de materiais e a criação de uma empresa que conecta rua, aterro e construção civil.

Agora quero respostas específicas: na sua cidade, qual resíduo você mais vê acumulando no chão, sacola, garrafa ou embalagem, e onde um pavimento feito por uma engenheira teria mais impacto imediato, em calçadas, escolas, pátios ou vias internas de bairro? E você confiaria mais em um piso assim por ser certificado ou só acreditaria depois de ver anos de uso real?

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marco
marco
01/03/2026 00:26

Claro!! Plásticos? Os hacéis una idea de lo contaminante que puede ser eso emitiendo vapores? Os acordáis de los suelos mullidos de los parques? Desprenden un montón de químicos con el calor. Tantos que deberían de prohibirlos.

Mario MRangel
Mario MRangel
28/02/2026 13:20

Mis felicitaciones, para ella!! Qué gran aporte!!

Patrícia
Patrícia
28/02/2026 13:15

Vejo mais embalagens pelas ruas, confiaria neste piso sim, deveria ser utilizado pra ontem!!

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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