Estudo internacional aponta que o setor de energia limpa da China alcançou 15,4 trilhões de yuans em 2025, passou a responder por 11,4% do PIB e atingiu dimensão econômica comparável à de países como Brasil e Canadá, sustentando a meta oficial de crescimento chinês.
A energia limpa da China foi responsável por mais de um terço do crescimento econômico do país em 2025 e por mais de 90% do aumento do investimento, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, que analisou o desempenho recente do setor.
O levantamento indica que as indústrias chinesas de energia limpa produziram 15,4 trilhões de yuans, o equivalente a US$ 2,1 trilhões, ao longo de 2025. Esse volume correspondeu a 11,4% do produto interno bruto do país, representando um patamar inédito para o setor.
Segundo o relatório, se a energia limpa da China fosse considerada a economia de um país independente, ocuparia a oitava posição mundial. O valor gerado se aproximaria do PIB de economias nacionais como Canadá ou Brasil, conforme apontado pelo think tank sediado em Helsinque.
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A análise afirma que, sem a contribuição das indústrias de energia limpa, a China teria registrado crescimento econômico de 3,5% em 2025. Com o setor, o país alcançou a meta oficial de expansão de cerca de 5,0% no período.
Crescimento acelerado da energia limpa da China supera a média da economia
O estudo mostra que a energia limpa da China cresceu em ritmo significativamente superior ao da economia geral. A taxa anual de expansão do setor acelerou de 12% em 2024 para 18% em 2025, reforçando sua centralidade na atividade econômica recente.
Entre 2022 e 2025, o valor econômico real do setor de energia limpa praticamente dobrou. Esse avanço foi descrito como resultado direto da priorização financeira e industrial adotada pelo governo chinês na transição energética.
O relatório classifica essa estratégia como uma aposta econômica e financeira de grande escala. O movimento está alinhado às metas oficiais do país de atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.
A expansão acelerada também indica que o setor passou a exercer influência estrutural sobre o desempenho macroeconômico chinês, deixando de ser apenas um segmento complementar da indústria nacional.
Veículos elétricos, baterias e solar concentram valor e investimentos
Os principais motores da energia limpa da China foram as chamadas “três novas” indústrias: veículos elétricos, baterias e energia solar. Juntas, essas áreas responderam por aproximadamente dois terços do valor agregado total do setor.
Além disso, esses segmentos atraíram mais da metade de todo o investimento direcionado às indústrias de energia limpa no país, consolidando sua posição como eixo central da estratégia industrial chinesa.
Em 2025, o investimento total em energia limpa alcançou 7,2 trilhões de yuans, cerca de US$ 1 trilhão. O valor foi quase quatro vezes superior aos US$ 260 bilhões destinados à extração de combustíveis fósseis e à geração de energia a carvão.
Esse desequilíbrio evidencia uma mudança clara na alocação de recursos, com a energia limpa da China superando amplamente os investimentos em fontes tradicionais no mesmo período analisado.
Mercado interno, pressão de preços e incertezas para a energia solar
Apesar do crescimento expressivo das exportações de tecnologias de energia limpa em 2025, o mercado doméstico permaneceu significativamente maior em valor para as empresas chinesas, segundo o relatório do CREA.
O estudo destaca, no entanto, que a intensificação das guerras de preços reduziu a rentabilidade em partes do setor. Esse movimento ampliou preocupações oficiais sobre a saúde financeira de longo prazo das indústrias envolvidas.
A introdução de um novo sistema de preços baseado no mercado para energia solar e eólica contribuiu para uma desaceleração nas novas instalações. Há incerteza quanto ao desempenho futuro, especialmente no segmento solar, aponta o documeto.
Projeções da Associação da Indústria Fotovoltaica da China indicam adição entre 180 e 240 gigawatts de capacidade solar em 2026, abaixo do recorde de 315 gigawatts instalados no ano anterior.
Capacidade instalada, metas oficiais e projeções para 2026
Uma desaceleração prolongada pode transformar o setor em um obstáculo ao crescimento econômico, além de ampliar o excesso de capacidade industrial e tensões comerciais, alerta o relatório.
Ainda assim, o estudo ressalta que metas de governos locais e empresas estatais podem sustentar avanços relevantes, mesmo que os objetivos do governo central sejam mais modestos no próximo plano quinquenal.
Segundo previsão do Conselho de Eletricidade da China, a energia solar deverá ultrapassar o carvão como principal fonte de energia do país em capacidade instalada pela primeira vez em 2026.
A Administração Nacional de Energia informou que fontes renováveis representarão mais de 60% da capacidade total instalada de geração de energia da China em 2025, reforçando o peso estrutural da energia limpa da China no sistema energético nacional.
Este artigo foi elaborado com base em informações publicadas pelo site scmp.com e em dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA).

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