Dez equipes receberão US$ 1 milhão cada para avançar aos testes clínicos; competição avaliará intervenções em adultos de 50 a 90 anos e exige resultados simultâneos nas funções muscular, cognitiva e imunológica.
A XPRIZE Healthspan, competição global de US$ 101 milhões voltada ao desenvolvimento de terapias para o envelhecimento saudável, entrou em uma nova fase em 11 de agosto de 2026. A organização anunciou 20 equipes finalistas, das quais dez foram escolhidas para receber US$ 1 milhão cada e avançar com recursos adicionais para testes clínicos.
A meta final é demonstrar melhora nas funções muscular, cognitiva e imunológica equivalente ao declínio normalmente associado a pelo menos 10 anos de envelhecimento, com objetivo máximo de 20 anos. Isso é uma meta da competição e ainda precisa ser demonstrado nos estudos clínicos.
Segundo o anúncio oficial da XPRIZE, as finalistas foram anunciadas durante uma cerimônia realizada em Salt Lake City, nos Estados Unidos. A competição foi lançada em novembro de 2023 e foi planejada para durar sete anos, culminando na escolha dos vencedores em 2030.
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XPRIZE Healthspan entra na fase de testes clínicos
As 20 equipes selecionadas chegam agora à etapa em que suas propostas terão de passar por avaliação clínica padronizada. De 2026 a 2029, os grupos deverão conduzir ensaios com intervenções de até um ano em adultos com idades entre 50 e 90 anos.
O objetivo não é simplesmente demonstrar mudanças em um marcador isolado de envelhecimento. Pelas regras da competição, uma equipe só poderá conquistar o grande prêmio se demonstrar melhora simultânea em músculo, cognição e sistema imunológico, de acordo com os protocolos definidos para a etapa final.
O regulamento oficial da competição, na versão 2.2, estabelece que as intervenções serão comparadas com controles e avaliadas de acordo com a magnitude da melhora funcional observada durante o período de tratamento.
Os participantes da etapa final devem ter entre 50 e 90 anos e não apresentar doenças graves com risco de vida ou incapacidades que os excluam dos critérios definidos pelo programa.
Dez equipes recebem US$ 1 milhão cada
Entre as 20 finalistas, dez foram escolhidas como vencedoras do chamado Milestone 2 Award. Cada uma receberá US$ 1 milhão, totalizando US$ 10 milhões distribuídos nesta etapa. Além do recurso financeiro, a XPRIZE informou que as premiadas terão acesso a recursos destinados a apoiar os testes clínicos.
As dez equipes premiadas são AgelessRx, dos Estados Unidos; Goda Lab, do Japão; Johns Hopkins-Suninflam, dos Estados Unidos; Longeveron, dos Estados Unidos; Minicircle, dos Estados Unidos; Mitochondrial All Stars, dos Estados Unidos; NYC-Vita Trial, dos Estados Unidos; RETRO-EPIGERNA, de Macau, China; RPRGAON-Progeria, da Coreia do Sul; e TIME TRAVELER – Plant-EVs, do Japão.
A seleção levou em consideração, segundo a XPRIZE, fatores como fundamentação científica, dados preliminares, capacidade de ampliar e tornar acessíveis as propostas e preparação para a fase de ensaios clínicos. As estratégias apresentadas incluem abordagens com medicamentos novos ou já existentes, terapias biológicas, intervenções relacionadas às mitocôndrias, terapias celulares, instruções genéticas temporárias e combinações de outras abordagens terapêuticas.
As outras dez equipes anunciadas em 11 de agosto continuam integrando o grupo de finalistas, embora não tenham recebido o prêmio de US$ 1 milhão do Milestone 2. O regulamento permite que equipes que não receberam essa premiação intermediária continuem na competição mediante o cumprimento das condições previstas pela organização.
O que significa recuperar funções equivalentes a 10 ou 20 anos
A parte mais ambiciosa da competição está no critério utilizado para definir o grande vencedor. A XPRIZE estabelece como patamar mínimo uma melhora funcional equivalente ao declínio esperado durante 10 anos de envelhecimento nos três sistemas avaliados: muscular, cognitivo e imunológico.
Isso não significa transformar literalmente uma pessoa de 70 anos em alguém biologicamente idêntico a uma pessoa de 60 ou 50 anos. O parâmetro adotado compara a mudança observada nos testes funcionais com os declínios relacionados à idade esperados ao longo de 10, 15 ou 20 anos em uma população de referência.
O regulamento cria três níveis para o grande prêmio. Uma equipe que demonstrar melhora equivalente a pelo menos 10 anos nos três domínios poderá disputar US$ 61 milhões, caso nenhuma alcance níveis superiores. Se a melhora atingir o equivalente a 15 anos, o prêmio previsto sobe para US$ 71 milhões. Se uma intervenção atingir o patamar máximo equivalente a 20 anos nos três sistemas, poderá conquistar US$ 81 milhões.
Portanto, os números de 10, 15 e 20 anos representam limiares de melhora funcional definidos para julgamento da competição, e não resultados que já tenham sido obtidos pelas equipes anunciadas em agosto de 2026. A comprovação dependerá dos ensaios clínicos da fase final e da análise dos dados.
Universidade de Utah terá papel central na análise dos resultados
A estrutura criada para avaliar os trabalhos inclui participação direta da University of Utah. De acordo com a University of Utah Health, o Utah Data Coordinating Center foi escolhido para supervisionar o gerenciamento dos estudos e dos dados de toda a competição, incluindo análises independentes das informações centrais de segurança e eficácia produzidas pelos ensaios.
O centro deverá reunir informações clínicas, dados de segurança, biomarcadores e outros resultados das finalistas utilizando critérios comuns. A instituição afirma que o objetivo é permitir uma análise independente e padronizada das equipes, elemento fundamental para determinar quais intervenções efetivamente atingiram os níveis exigidos.
O desenho descrito no regulamento prevê ensaios clínicos controlados de fase 2. Os resultados serão avaliados a partir de mudanças observadas no próprio participante entre o período de referência e o acompanhamento após a intervenção, enquanto os limiares necessários para superar o equivalente ao declínio de 10, 15 ou 20 anos serão utilizados na decisão sobre o prêmio.
Competição de US$ 101 milhões deve terminar em 2030
Os US$ 101 milhões correspondem especificamente à bolsa do XPRIZE Healthspan. O valor inclui as premiações intermediárias e o montante reservado para o grande prêmio. Separadamente, o regulamento prevê outros US$ 10 milhões para o FSHD Bonus Prize, voltado à distrofia muscular facioescapuloumeral.
O cronograma oficial prevê o desenvolvimento dos ensaios finais entre 2026 e 2029. O encerramento dos estudos das finalistas está programado para até dezembro de 2029, seguido pela apresentação dos dados finais e pelo julgamento ao longo de 2030. A cerimônia do grande prêmio e o anúncio dos vencedores estão previstos para até dezembro daquele ano.
Até lá, os US$ 1 milhão entregues a cada uma das dez equipes do Milestone 2 representam financiamento para avançar na competição, e não confirmação de que suas intervenções conseguem recuperar uma ou duas décadas de função perdida pelo envelhecimento. A etapa que começa agora é justamente aquela destinada a produzir as evidências clínicas que determinarão se alguma das propostas conseguirá cumprir a meta extraordinária estabelecida pelo XPRIZE Healthspan.
