Sandra Gewehr Scholles retomou a faculdade quando Daniela foi aprovada no vestibular, em 2019. Mãe e filha dividiram disciplinas, trabalhos, estágios e aulas remotas durante a pandemia, conciliaram métodos de estudo diferentes e foram chamadas em sequência para receber juntas o diploma em Novo Hamburgo no dia 25 de julho.
Em 25 de julho de 2026, Sandra Gewehr Scholles, de 50 anos, concluiu a faculdade de Psicologia ao lado da filha, Daniela Gewehr Scholles, de 25. As duas receberam o diploma na mesma cerimônia, realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, encerrando uma trajetória acadêmica compartilhada desde 2019.
O ingresso de Daniela reacendeu um projeto que Sandra havia interrompido quase três décadas antes. O retorno trouxe uma rotina formada por trabalho, estágio, família, tarefas domésticas e avaliações. Durante sete anos, mãe e filha atravessaram mudanças de calendário, aulas remotas e diferenças de aprendizado até chegarem lado a lado à formatura.
Faculdade voltou aos planos de Sandra após quase 30 anos

Segundo o g1, Sandra voltou aos estudos depois que Daniela foi aprovada no vestibular de Psicologia, em 2019. A escolha da filha reabriu uma possibilidade que permanecia adiada desde a juventude e levou a mãe a considerar novamente a vida universitária.
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Sandra havia iniciado Pedagogia por volta dos 18 anos, mas interrompeu o curso ao perceber que aquela formação não correspondia ao que esperava para a carreira. Depois vieram casamento, filhos, trabalho e novas responsabilidades. O desejo de cursar Psicologia continuou presente, embora não encontrasse espaço imediato na rotina.
A entrada da filha na faculdade transformou um plano antigo em uma decisão possível. Sandra ainda duvidou que conseguiria acompanhar o curso, mas aceitou prestar o processo de ingresso depois do incentivo recebido em casa. O retorno não aconteceu como continuação automática da juventude, e sim como um novo começo construído na vida adulta.
Reingresso permitiu aproveitar disciplinas cursadas anteriormente
Para voltar ao ensino superior, Sandra utilizou o reingresso e conseguiu aproveitar componentes acadêmicos já concluídos. O caminho evitou que toda a trajetória anterior fosse descartada, mas não eliminou as exigências da nova graduação. Psicologia trouxe disciplinas, avaliações, atividades práticas e estágios próprios.
O apoio familiar também teve efeito concreto. Além do incentivo emocional, houve ajuda financeira para que a matrícula e a permanência se tornassem viáveis. A decisão, portanto, não dependeu apenas da disposição individual de Sandra: foi sustentada por uma reorganização doméstica que abriu tempo e condições para estudar.
Retomar a faculdade exigiu transformar o apoio da família em espaço real na agenda e no orçamento. Esse suporte se tornaria ainda mais importante nos semestres de maior carga, quando trabalho, casa e compromissos acadêmicos passaram a disputar as mesmas horas do dia.
Mãe e filha aprenderam a dividir a mesma sala de aula

Na universidade, a relação familiar ganhou uma segunda dimensão. Sandra continuava sendo mãe de Daniela fora do campus, mas dentro da turma precisava atuar como colega. Apresentações, trabalhos e atividades exigiam que as duas separassem a intimidade doméstica das responsabilidades acadêmicas.
Em uma das primeiras aulas, Sandra se apresentou como mãe de Daniela, despertando a curiosidade dos demais estudantes. Em outro momento, durante um trabalho, Daniela se referiu a ela como colega. Situações assim mostraram como os papéis se misturavam e, ao mesmo tempo, precisavam ser ajustados para que ambas ocupassem seu próprio lugar na formação.
A convivência na faculdade aproximou as duas sem apagar a autonomia de cada estudante. Elas podiam tomar café, compartilhar chimarrão e enfrentar dificuldades juntas, mas cada uma continuava responsável por suas leituras, prazos, avaliações e escolhas profissionais.
Métodos de estudo revelaram diferenças entre as gerações
Sandra preferia imprimir artigos, destacar passagens importantes e produzir anotações no papel. Daniela recorria com maior frequência ao celular, aos textos digitais e aos próprios resumos. As duas chegaram ao mesmo curso usando ferramentas distintas para organizar informações e revisar conteúdos.
A diferença também aparecia diante dos prazos. Sandra buscava antecipar entregas e se incomodava quando os trabalhos permaneciam abertos perto da data final. Daniela lidava com o calendário de outra maneira e deixava algumas tarefas para momentos posteriores, sem que isso impedisse a conclusão das atividades.
Os estilos diferentes deixaram de ser apenas motivo de tensão e se tornaram parte do aprendizado compartilhado. Sandra passou a controlar melhor a ansiedade diante do ritmo da filha, enquanto Daniela conviveu com uma organização mais antecipada. A formação em Psicologia também ampliou a compreensão de ambas sobre as diferenças entre fases da vida.
Pandemia levou a graduação para as aulas remotas em 2020
O percurso iniciado em 2019 sofreu uma mudança inesperada no ano seguinte. Com a pandemia de Covid-19, parte da graduação migrou para o formato remoto. Mãe e filha precisaram adaptar materiais, horários e formas de participação a uma rotina acadêmica mediada por telas.
A transição ocorreu quando Sandra ainda reconstruía o hábito de estudar depois de décadas afastada da universidade. Daniela também enfrentava uma graduação diferente daquela imaginada no vestibular. A presença de uma ao lado da outra funcionou como apoio durante a reorganização das aulas e das tarefas.
A pandemia alterou o formato do curso, mas não interrompeu o projeto iniciado pelas duas. O período remoto passou a integrar uma caminhada que durou sete anos, mais longa e imprevisível do que a imagem inicial de mãe e filha entrando juntas numa sala de aula.
Trabalho, estágio e casa quase fizeram Sandra desistir
O maior obstáculo relatado por Sandra foi administrar o tempo. Em um dos períodos mais difíceis, ela cursava cinco disciplinas enquanto conciliava trabalho, estágio, família e compromissos domésticos. Provas e atividades se acumularam até que a estudante passou a duvidar da própria capacidade de continuar.
Nesses momentos, marido, filhos e Daniela ajudaram a impedir a desistência. A graduação deixou de ser vista como um caminho inteiro a ser vencido de uma vez. Sandra passou a avançar semestre após semestre, transformando a distância até a formatura em etapas menores e mais administráveis.
A permanência na faculdade dependeu tanto do esforço de Sandra quanto da rede que dividiu o peso da rotina. O diploma não apaga a sobrecarga enfrentada; ele registra que a conclusão exigiu reorganização, apoio e continuidade mesmo nos períodos em que abandonar o curso parecia uma possibilidade.
Estágios criaram espaço para experiências pessoais e profissionais
As disciplinas de estágio aproximaram mãe e filha de uma fase mais prática da formação. Com turmas menores, esses componentes abriram espaço para compartilhar experiências pessoais e profissionais, discutir situações observadas e relacionar conteúdos teóricos ao trabalho desenvolvido durante o curso.
Ao mesmo tempo, o estágio aumentou a exigência sobre a agenda de Sandra. Não se tratava apenas de assistir às aulas e entregar trabalhos: era necessário conciliar uma nova responsabilidade acadêmica com emprego e vida familiar. Daniela atravessou a mesma etapa, embora estivesse em outro momento pessoal e profissional.
Os estágios mostraram que percorrer a mesma faculdade não significava viver uma formação idêntica. A idade, a experiência anterior e os interesses de cada uma influenciaram a maneira de interpretar atividades e imaginar o futuro depois do diploma.
Diploma foi entregue às duas em sequência no Teatro Feevale
A cerimônia aconteceu em 25 de julho de 2026, no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. Sandra e Daniela foram chamadas em sequência e receberam o grau de bacharel em Psicologia. O abraço entre as duas marcou o instante em que a conclusão deixou de ser uma meta futura e passou a representar uma conquista realizada.
A data encerrou sete anos de convivência universitária. A mãe que havia interrompido Pedagogia na juventude chegou ao palco como nova profissional de Psicologia. A filha que motivou o retorno terminou a própria graduação com a colega que acompanhara disciplinas, estágios, trabalhos e mudanças de rotina.
Receber o diploma lado a lado reuniu duas trajetórias diferentes no mesmo desfecho acadêmico. A formatura não foi apenas uma coincidência de calendário: ela resultou da decisão de ingressarem juntas e da permanência construída durante todos os semestres seguintes.
Novas psicólogas pretendem seguir caminhos profissionais diferentes
A Universidade Feevale informou que Sandra e Daniela desejam trabalhar com públicos distintos. A conclusão compartilhada não levou as duas a escolher a mesma área de atuação. Cada uma pretende desenvolver uma trajetória profissional própria a partir da formação recebida.
Para Daniela, o diploma representa a abertura de novos caminhos e a possibilidade de atuar numa profissão com a qual se identifica. Sandra vê a conquista como início de outra etapa profissional antes da aposentadoria, mostrando que o retorno à faculdade não foi pensado apenas como realização simbólica.
A formatura conjunta encerrou a vida de colegas de turma, mas abriu carreiras que não precisam permanecer lado a lado. O vínculo familiar continua, enquanto os interesses profissionais podem conduzir mãe e filha a contextos, públicos e experiências diferentes.
Retorno aos estudos transformou um sonho antigo em nova carreira
Sandra chegou aos 50 anos com uma graduação interrompida no passado e concluiu Psicologia ao lado da filha de 25. A trajetória reuniu reingresso, apoio financeiro, pandemia, trabalho, estágio, responsabilidades domésticas e diferentes métodos de estudo, sem reduzir a conquista a uma ideia abstrata de superação.
O caso mostra que voltar à faculdade depois de décadas depende de condições concretas para permanecer: tempo, renda, divisão de tarefas e apoio próximo. O incentivo de Daniela iniciou o movimento, mas foi a continuidade ao longo de sete anos que levou as duas ao mesmo palco.
Na sua opinião, o que mais ajuda adultos a retomarem os estudos: bolsas e apoio financeiro, horários flexíveis, divisão das tarefas familiares ou programas de reingresso? Conte nos comentários qual dessas medidas poderia abrir mais oportunidades para quem adiou a faculdade.
