A Delta Máquinas, de Pomerode, em Santa Catarina, entregou a primeira rama têxtil 100% nacional do Brasil, quebrando a dependência histórica de equipamentos importados da Alemanha e da Itália. A máquina tem mais de 50 metros de comprimento, custou R$ 5 milhões para desenvolver e sai até 15% mais barata que similares estrangeiros, que custam cerca de R$ 7 milhões na importação.
Segundo informações do NSC, a indústria têxtil brasileira acaba de conquistar um marco que parecia distante: produzir em solo nacional uma rama, o equipamento de grande porte utilizado nos processos de preparação e acabamento de malhas e tecidos. A Delta Máquinas, empresa de Pomerode, no Vale do Itajaí catarinense, desenvolveu e fabricou a primeira rama 100% nacional do país, investindo R$ 5 milhões entre pesquisa e produção. O equipamento foi encomendado pela Textilfio, de Jaraguá do Sul, e representa uma alternativa concreta às máquinas que até então só podiam ser compradas de fabricantes alemães e italianos.
O significado dessa entrega vai além de uma transação comercial entre duas empresas catarinenses. Até agora, toda indústria têxtil brasileira que precisasse de uma rama dependia de importação, enfrentando custos elevados de aquisição, transporte complexo para uma máquina de mais de 50 metros, prazos longos de entrega e dificuldades de manutenção e suporte técnico por conta da distância dos fabricantes originais. Com a versão nacional, esses obstáculos caem significativamente, e o preço até 15% menor que os similares importados torna a conta ainda mais favorável para as indústrias brasileiras.
O que é uma rama e por que ela importa para o setor têxtil

(imagem: NSC)
A rama é uma das máquinas mais importantes no processo de acabamento de tecidos. Ela é responsável por realizar várias etapas em uma única linha de produção, incluindo impregnação química, alinhamento da estrutura do tecido, secagem e termofixação. Sem a rama, essas etapas teriam que ser feitas separadamente, em equipamentos diferentes, com mais tempo, mais energia e maior risco de inconsistência na qualidade do produto final.
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O tamanho da máquina reflete a complexidade do que ela faz. Uma rama pode ultrapassar 50 metros de comprimento e processar tecidos com até 3,2 metros de largura, no caso do modelo desenvolvido pela Delta Máquinas. Transportar um equipamento desse porte da Alemanha ou da Itália até uma fábrica no interior de Santa Catarina envolve logística pesada, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e montagem especializada realizada por técnicos estrangeiros. Cada etapa adiciona custo e tempo ao processo, o que torna a versão nacional uma solução não apenas mais barata, mas também mais ágil.
R$ 5 milhões de investimento contra R$ 7 milhões de importação

A Delta Máquinas investiu R$ 5 milhões no desenvolvimento da rama nacional, valor que inclui pesquisa, engenharia, prototipagem e produção. Segundo a empresa, o equipamento tem o mesmo desempenho e produtividade dos similares importados, mas custa até 15% menos para o comprador final. A importação de uma rama fabricada na Alemanha ou na Itália sai por cerca de R$ 7 milhões, considerando o preço da máquina, o frete internacional, os impostos de importação e os custos de instalação.
A economia de 15% não se limita ao preço de aquisição. Com o fabricante em Pomerode e o cliente em Jaraguá do Sul, a distância entre as duas empresas é de menos de 50 quilômetros. Isso significa que a manutenção preventiva, as visitas técnicas, a reposição de peças e o suporte operacional podem ser realizados em questão de horas, não em semanas. Para uma indústria têxtil que opera em turnos contínuos e não pode parar a produção por dias esperando um técnico europeu, essa proximidade tem valor que nenhuma planilha de custos consegue quantificar completamente.
Tecnologia de indústria 4.0 fabricada em Pomerode
A rama nacional não é uma cópia simplificada de equipamentos estrangeiros. A Delta Máquinas equipou a máquina com tecnologia de integração de dados e automação alinhada aos conceitos da indústria 4.0, permitindo monitoramento em tempo real do processo produtivo, controle digital de temperatura, velocidade e tensão do tecido, e coleta de dados que alimentam sistemas de gestão da produção. A máquina também atende a requisitos de segurança atualizados.
Segundo a empresa, esses recursos ajudam a melhorar a qualidade final dos tecidos, garantem maior controle produtivo, reduzem desperdícios de matéria-prima e economizam energia. Para indústrias têxteis que buscam certificações de qualidade e sustentabilidade, ter uma máquina que registra automaticamente os parâmetros de cada lote processado é uma vantagem competitiva que facilita auditorias e comprova a conformidade dos processos. A tecnologia embarcada na rama nacional coloca o produto catarinense no mesmo patamar técnico dos concorrentes europeus.
Quebrando décadas de dependência tecnológica
A entrega da primeira rama nacional é descrita pela Delta Máquinas como um divisor de águas para o setor. Fábio Kreutzfeld, presidente da empresa, afirmou que desenvolver uma solução desse porte no Brasil permite atender melhor as necessidades da indústria local, reduzir a dependência de tecnologia externa e dar mais agilidade às empresas têxteis. A frase traduz um problema que o setor enfrentava há décadas: a impossibilidade de comprar no mercado interno um equipamento essencial para a operação.
A dependência de máquinas importadas não afeta apenas o preço de aquisição. Ela cria vulnerabilidade cambial, já que o custo da importação oscila com o dólar e o euro. Gera incerteza logística, pois atrasos em portos ou problemas aduaneiros podem comprometer cronogramas de expansão fabril. E dificulta a customização, já que fabricantes europeus produzem para o mercado global e nem sempre atendem a especificidades da indústria brasileira. Com a rama nacional, todas essas variáveis ficam sob controle local.
Pomerode e Jaraguá do Sul: o Vale do Itajaí como polo têxtil e de máquinas
A coincidência de ter o fabricante da máquina em Pomerode e o cliente em Jaraguá do Sul não é acidental. O Vale do Itajaí é uma das regiões com maior concentração de indústrias têxteis do Brasil, e a presença de fabricantes de máquinas e equipamentos na mesma região cria um ecossistema industrial onde fornecedores e clientes se retroalimentam. A Delta Máquinas conhece as necessidades da indústria têxtil local porque convive com ela no mesmo território.
A proximidade geográfica entre quem fabrica a máquina e quem a opera é uma vantagem competitiva que fabricantes europeus não conseguem oferecer. Quando a Textilfio precisar de um ajuste na rama, um técnico da Delta pode estar na fábrica no mesmo dia. Quando a Delta quiser testar uma melhoria no equipamento, pode fazê-lo em parceria com o cliente que está a menos de uma hora de distância. Esse ciclo de feedback entre fabricante e usuário tende a acelerar a evolução do produto nacional e a torná-lo cada vez mais adaptado às condições reais da indústria brasileira.
A primeira de muitas: o que a rama nacional significa para o futuro
A Delta Máquinas entregou a primeira rama 100% nacional do Brasil, com mais de 50 metros de comprimento, tecnologia de indústria 4.0 e preço até 15% menor que similares importados. O equipamento prova que a indústria catarinense de máquinas tem capacidade técnica para competir com fabricantes da Alemanha e da Itália em um dos segmentos mais exigentes do setor têxtil. O investimento de R$ 5 milhões tende a se pagar rapidamente se a demanda do mercado interno confirmar o interesse por uma alternativa nacional.
Você sabia que até agora o Brasil não fabricava esse tipo de máquina e dependia totalmente de importação? Conte nos comentários o que acha dessa conquista da indústria catarinense, se acredita que outras máquinas têxteis deveriam seguir o mesmo caminho e como avalia a diferença de preço entre o equipamento nacional e o importado. Queremos ouvir a sua opinião sobre a indústria brasileira.

Parabéns a Delta e sucesso sempre
A empresa Albrecth ja fabrica ou fabricava a muito tempo a rama.
Parabéns, SC dando exemplo para o Brasil e o Mundo.