Durante uma conferência do Morgan Stanley, o bilionário Elon Musk defendeu a privatização de empresas estatais nos Estados Unidos. Ele citou diretamente o Serviço Postal dos EUA (USPS) e a Amtrak, estatal de transporte ferroviário, como exemplos de empresas que deveriam ser transferidas para a iniciativa privada.
Elon Musk afirmou que a privatização de serviços públicos poderia aumentar a eficiência e reduzir os prejuízos acumulados ao longo dos anos. No entanto, reconheceu que esse processo exigiria aprovação do Congresso dos EUA.
Elon Musk destacou sua visão sobre as estatais americanas durante uma conferência organizada pelo Morgan Stanley, um dos maiores bancos dos Estados Unidos. Ele declarou que “tudo que possa ser razoavelmente privatizado, deveria ser”, reforçando sua defesa da redução da participação do governo na economia.
O bilionário citou especificamente o USPS e a Amtrak, duas empresas estatais que, segundo ele, poderiam ser administradas de forma mais eficiente pelo setor privado.
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Privatizar USPS e Amtrak pode exigir aprovação do Congresso

Apesar da defesa de Musk, a privatização dessas estatais não seria simples. A Amtrak, criada em 1970, e o USPS, que tem mais de dois séculos de história, pertencem ao governo federal e qualquer mudança em sua estrutura exigiria aprovação do Congresso.
Até o momento, nenhuma das duas empresas se manifestou sobre as declarações do bilionário.
As estatais citadas por Elon Musk e seus desafios financeiros
O USPS vem enfrentando dificuldades financeiras há anos. Desde 2007, a estatal acumulou mais de US$ 100 bilhões em prejuízos, com uma perda de US$ 9,5 bilhões apenas no último ano fiscal.
A queda na demanda por serviços postais começou em 1997, com a popularização dos e-mails. Desde então, o volume de correspondências caiu 80%, atingindo o menor nível desde 1968. Então a ideia de privatizar de Elon Musk, poderia ajudar a empresa a se posicionar novamente no mercado.
A Amtrak, estatal responsável pelo transporte ferroviário nos EUA, teve um aumento no número de passageiros em 2024, superando os níveis pré-pandemia. A empresa registrou um crescimento de 15% nas viagens, atingindo 32,8 milhões de passageiros no ano.
Mesmo com esse avanço, a Amtrak ainda opera no vermelho. Nos últimos 12 meses, a empresa teve um prejuízo operacional ajustado de US$ 705 milhões, uma redução de 9% em relação ao ano anterior.
O histórico de prejuízos das estatais americanas
A digitalização acelerou o colapso financeiro do USPS. Com a redução drástica no envio de cartas e documentos físicos, a estatal passou a depender de serviços de entrega de encomendas para equilibrar suas contas.
Apesar do recente lucro de US$ 144 milhões no último trimestre, os prejuízos acumulados ainda representam um grande desafio.
O aumento no número de passageiros mostra que a Amtrak ainda tem relevância, mas os altos custos operacionais impedem que a empresa obtenha lucros. A necessidade constante de subsídios federais levanta questionamentos sobre sua viabilidade como estatal.
A privatização, defendida por Elon Musk, poderia atrair novos investimentos e melhorar a eficiência do serviço, mas também enfrentaria forte resistência política.
A visão do governo dos EUA sobre as privatizações
A ideia de privatizar estatais nos EUA não é nova, e nem começou com Elon Musk. No mês passado, o então presidente Donald Trump sugeriu a fusão do USPS com o Departamento de Comércio, buscando reduzir custos e aumentar a eficiência.
A proposta gerou polêmica, pois opositores argumentam que a medida violaria leis federais e poderia prejudicar a prestação de serviços essenciais para a população.
Qualquer tentativa de privatização de estatais como o USPS e a Amtrak enfrentaria resistência no Congresso. Muitos políticos, especialmente democratas, defendem que essas empresas devem continuar sob controle do governo para garantir serviços acessíveis à população.
Sindicatos e grupos de trabalhadores também se opõem à privatização, temendo cortes de empregos e a redução de benefícios trabalhistas.

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