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Eliane, terceira geração, vive sozinha num casarão de mais de 100 anos em Ascurra, cercado por arrozais e relíquias italianas, e conta como a família sobreviveu na roça, com café de coador e ferramentas antigas, em memórias e fé

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/01/2026 às 13:53
Assista o vídeosozinha num casarão de mais de 100 anos em Ascurra: relato detalha arrozais, café de coador e ferramentas antigas, com marcos entre 1973, 1974 e 1985 e rotina rural preservada.
sozinha num casarão de mais de 100 anos em Ascurra: relato detalha arrozais, café de coador e ferramentas antigas, com marcos entre 1973, 1974 e 1985 e rotina rural preservada.
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Sozinha num casarão de mais de 100 anos, Eliane, terceira geração em Ascurra, atravessa arrozais e relíquias italianas para contar como a família segurou a roça com café de coador, ferramentas antigas e trabalho duro, do derrame do pai às vendas de terras que financiaram os filhos na cidade hoje.

Sozinha num casarão de mais de 100 anos, Eliane abre a porta de uma casa centenária em Ascurra e transforma o que parece apenas paisagem em inventário de vida. Entre os arrozais que cercam a propriedade, ela relembra uma sequência de rupturas familiares que mudaram a rotina da roça entre 1973 e 1974 e redefiniram a casa até 1985.

O relato começa no que a família chama de “história da casa”, mas logo vira um mapa do trabalho doméstico e rural. A entrevista, gravada no próprio imóvel, recupera memórias de imigração italiana, vizinhança, deslocamentos, perdas e sobrevivência, com detalhes de cozinha, rancho e lavoura que explicam por que a casa segue de pé entre 1973 e 1985.

Ascurra, arrozais e o isolamento cotidiano de uma casa centenária

sozinha num casarão de mais de 100 anos em Ascurra: relato detalha arrozais, café de coador e ferramentas antigas, com marcos entre 1973, 1974 e 1985 e rotina rural preservada.

O caminho até a porta do imóvel já descreve o contexto: arrozais dos dois lados, área rural e uma casa que atravessou gerações.

A paisagem não é cenário neutro. Ela indica o tipo de economia local, o ritmo de trabalho e a distância entre o espaço da roça e a vida urbana para onde parte da família migrou.

Dentro da casa, a lógica é a de preservação por necessidade.

Viver sozinha num casarão de mais de 100 anos exige rotina de manutenção, vigilância e organização de espaços, porque a casa grande, com porões e anexos, não funciona como um imóvel compacto.

Em Ascurra, o casarão também opera como arquivo: cada cômodo guarda uma função e um tempo.

A árvore genealógica da casa: viúvez, 11 filhos e a chegada de uma nova mãe

Eliane relata que o pai, Leopoldo, teve 11 filhos no primeiro casamento e ficou viúvo quando a primeira esposa morreu ainda jovem, aos 44 anos.

A sequência abriu um período em que a família permaneceu na casa e precisou reorganizar a criação das crianças, com a viúvez afetando o trabalho e a divisão de tarefas.

A nova união veio por rede de conhecidos.

A mãe de Eliane, descrita como oriunda de Santa Maria, em Benedito Novo, chega à casa já adulta e encontra nove filhos do primeiro casamento ainda vivendo ali.

A aproximação, segundo Eliane, começou com visitas mediadas por um casal conhecido da família.

Primeiro, o pai teria ido com esse casal; depois, passou a fazer o trajeto de bicicleta para namorar, sem dominar bem o caminho no início.

Quando a mãe chega, ela tem 32 anos, encontra nove enteados em casa e encara uma estrutura doméstica já marcada por luto.

Dois dos 11 filhos do primeiro casamento já haviam saído: um para estudar em Rio Grande, e a filha mais velha já estava casada, segundo o relato.

Eliane também associa a identidade familiar à origem italiana dos pais e ao vocabulário que atravessa gerações.

Nesse quadro, a casa deixa de ser apenas endereço e vira referência de linhagem, com histórias de avós e mortes ocorridas no próprio imóvel.

A casa centenária passa a ser, ao mesmo tempo, residência, escola doméstica e local de cuidado, porque as crianças pequenas, a roça e a gestão do lar coexistem no mesmo espaço.

1973 e 1974: a noite do derrame, a pressão alta e 12 anos de cuidado

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No relato, o episódio que muda a rotina ocorre de madrugada, após um dia de trabalho sob sol forte.

Eliane associa o mal súbito à pressão alta e descreve a logística difícil da época, com travessia por passagem precária e ajuda de familiares para remover o pai.

O ponto central, no entanto, é o depois: ele fica 12 anos em condição de dependência.

Esse período redefine o que significa viver em Ascurra e, especificamente, viver sozinha num casarão de mais de 100 anos, ainda que a solidão total venha mais tarde.

A casa vira unidade de cuidado prolongado, com alguém sempre presente para alimentação, higiene, segurança e acompanhamento.

Eliane relata que, quando a mãe ia para a roça, ela e o irmão revezavam para não deixar o pai sozinho.

Em 1985, com a morte do pai, a rotina muda de novo.

Mas a carga de trabalho não diminui: a família já havia sido moldada por anos em que sair de casa não era opção.

A memória da casa, para Eliane, passa por esse intervalo de 1973 e 1974 até 1985 como uma linha que explica as decisões posteriores.

A roça como escola: fogão, tanque, enxada e a carroça como transporte

Eliane descreve um aprendizado gradual. Primeiro, tarefas de cozinha para adiantar o almoço e permitir que a mãe retornasse mais tarde da roça.

Depois, tanque, roupas e organização do lar, sempre encaixados entre idas e vindas ao campo e a necessidade de cuidar do pai.

Em dias mais apertados, o pai era levado para a roça na carroça e a família passava o dia com ele, levando comida e ajustando o trabalho ao cuidado.

É nesse ponto que a narrativa fica mais concreta: Eliane fala de carregar uma enxadinha para ajudar, de acompanhar meio período ou um dia inteiro, e de como a roça exigia presença contínua.

O conjunto indica um padrão de sobrevivência rural em que as fronteiras entre trabalho e vida doméstica são mínimas.

A casa, o rancho e a lavoura operam como um sistema único, e isso explica por que as ferramentas antigas não são decoração: são instrumentos de um modo de vida.

Café de coador como método e memória: do grão ao ponto do óleo

O café de coador servido na casa entra como rito e como técnica.

O relato detalha etapas que costumam desaparecer na rotina urbana: secagem do grão ao sol para reduzir umidade, separação por vento em bacia, torra em equipamento que exige movimento constante e retirada do fogo no ponto correto.

Eliane descreve a lógica do ponto: quando o grão “solta um óleo”, é sinal de que está pronto para sair do fogo, com necessidade de resfriar e “chacoalhar” para evitar que queime e amargue.

Depois, o café descansa por cerca de 15 minutos antes de ser moído e seguir para o café de coador, normalmente preparado puro, sem mistura.

Esses detalhes importam porque conectam memória e procedimento.

O café de coador funciona como prova material de que a casa não é só lembrança, mas rotina que se repete e transfere conhecimento entre gerações.

No casarão, o café de coador também cria uma mesa comum, mesmo quando Eliane está sozinha num casarão de mais de 100 anos.

Ferramentas antigas, tijolo maciço e o rancho: o acervo que ainda trabalha

A câmera circula por áreas de apoio e expõe a estrutura: tijolo maciço assentado “deitado”, anexos como rancho e objetos de trabalho preservados.

A casa é descrita como tendo mais de 100 anos, com peças e construções associadas ao mesmo período.

As ferramentas antigas aparecem como parte do fluxo de vida. Há equipamentos manuais de torra e moagem e itens de uso repetido na casa, associados à produção de café e ao controle de etapas.

Mesmo quando parte do processo já é motorizada, Eliane ressalta o aprendizado do método antigo e mantém as ferramentas antigas guardadas e prontas.

O efeito prático é duplo. Primeiro, o acervo reduz dependência de serviços externos em área rural.

Segundo, estabelece um “manual de família” em objetos, em vez de papel.

Para quem vive sozinha num casarão de mais de 100 anos, ter ferramentas antigas acessíveis também significa autonomia para pequenas decisões do dia a dia.

Viver sozinha num casarão de mais de 100 anos: trabalho fora, apoio do irmão e permanência em Ascurra

Eliane afirma que trabalha fora como mensalista e que, apesar de morar sozinha, não está completamente isolada: cita o irmão que vive na cidade, em Jaraguá do Sul, e menciona apoio e presença quando precisa.

A cena do café de coador servido na mesa, enquanto ela repete que mora sozinha, resume esse equilíbrio entre autonomia e rede mínima de suporte.

A permanência em Ascurra, portanto, não é romantizada como escolha simples.

Viver sozinha num casarão de mais de 100 anos implica administrar custos, tempo e energia, além de manter a casa funcional em um território onde serviços e assistência não estão à porta.

A história também mostra como decisões anteriores, como a migração de filhos e a reorganização familiar, tornam o casarão um centro de memória, mas também uma responsabilidade diária.

A paisagem de arrozais reforça o contraste.

O que do lado de fora parece silêncio pode ser, por dentro, uma agenda cheia: cuidar de espaços grandes, preservar objetos, controlar umidade, abrir e fechar áreas e manter hábitos, como o café de coador, que estruturam o dia.

O que a história revela sobre memória rural e patrimônio doméstico

O relato de Eliane expõe um ponto que raramente aparece em reportagens sobre imigração ou vida no interior: a memória não está apenas em fotos, mas em tarefas, ferramentas antigas e técnicas repetidas.

A história de Ascurra, nesse recorte, é menos sobre turismo e mais sobre infraestrutura doméstica de longo prazo.

Também é uma história sobre trabalho de cuidado invisível.

Ao situar 1973 e 1974 como marco de mudança e 1985 como desfecho do período mais duro, Eliane dá dimensão temporal ao que, de fora, poderia parecer apenas “vida simples”.

Não há simplicidade quando a sobrevivência depende de rotina, disciplina e rede de apoio, principalmente em um imóvel grande e antigo.

A narrativa de Eliane mostra como Ascurra e seus arrozais podem parecer imutáveis, mas a vida dentro do casarão muda por eventos concretos, com datas e consequências.

Entre o cuidado prolongado, o trabalho fora e a preservação de ferramentas antigas, o café de coador vira método de memória e o casarão permanece como peça ativa de uma história familiar.

Se você vive no interior, tem casa antiga na família ou convive com a manutenção de patrimônios domésticos, registre as histórias enquanto as pessoas ainda podem contar: anote datas, fotografe objetos, identifique ferramentas antigas e converse com quem mantém os rituais, como o café de coador, para não perder o que não está em livro.

Você já viu alguém vivendo sozinha num casarão de mais de 100 anos em Ascurra, cercado por arrozais, com café de coador e ferramentas antigas ainda em uso?

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Ivar Eckert
Ivar Eckert
04/01/2026 11:05

Assunto importantíssimo, interessante!

Mariane Barbosa Silva
Mariane Barbosa Silva
03/01/2026 19:31

Nossa! Interessante essa história! Lamento as perdas. Parabéns a todos! Deus abençoe! Amém!

Erica Abegg
Erica Abegg
03/01/2026 17:15

Onde ela trabalha como mensalista?
Se vive sozinha a aposentadoria cobre as despesas dela.
As terras estão arrendadas agora?
Só tem 1 irmão vivo?
Não tem sobrinhos que vão visitá-la?

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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