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Ele parece apenas um roedor estranho que vive debaixo da terra, mas pode chegar aos 40 anos e cientistas descobriram que uma proteína chamada cGAS ajuda seu DNA a se reparar de um jeito que intriga quem estuda envelhecimento e longevidade

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 22/08/2026 às 12:17
Rato-toupeira-pelado sobre a mão humana, animal conhecido pela longevidade de quase 40 anos e pelo eficiente reparo do DNA.
Rato-toupeira-pelado em destaque: o pequeno roedor subterrâneo pode viver quase 40 anos e possui mecanismos de reparo do DNA que intrigam cientistas.
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Rato-toupeira-pelado pode viver quase 40 anos, resiste a doenças ligadas à idade e possui uma proteína que atua de forma diferente no reparo do DNA.

Um pequeno mamífero subterrâneo está ajudando cientistas a investigar alguns dos mecanismos biológicos ligados à longevidade.

O rato-toupeira-pelado pode viver quase 40 anos, período excepcionalmente longo para um roedor.

Além da longevidade, o animal apresenta resistência incomum a problemas relacionados ao envelhecimento, incluindo câncer, artrite e deterioração do cérebro e da medula espinhal.

Um estudo publicado em outubro de 2025 na revista Science identificou uma característica genética que pode ajudar a explicar parte dessa capacidade.

A pesquisa, liderada por uma equipe da Universidade Tongji, em Xangai, na China, analisou o funcionamento da proteína cGAS no processo de reparo do DNA.

Proteína cGAS chama atenção dos pesquisadores

O DNA presente nas células pode sofrer danos ao longo da vida.

Quando esse material genético é afetado, o organismo aciona mecanismos naturais capazes de identificar o problema e iniciar um processo de reparação.

Uma fita de DNA preservada pode servir como modelo para corrigir outra sequência que sofreu algum dano.

Nesse processo, a proteína cGAS exerce diferentes funções dentro das células.

Nos seres humanos, entretanto, os pesquisadores observaram que essa proteína pode interromper determinadas etapas relacionadas ao reparo do DNA.

Essa interferência é considerada relevante porque pode contribuir para processos ligados ao câncer e à redução da longevidade.

Rato-toupeira-pelado se alimentando em toca subterrânea, roedor estudado por sua longevidade e pelo mecanismo de reparo do DNA.
Rato-toupeira-pelado em ambiente subterrâneo; o roedor pode viver quase 40 anos e chama atenção da ciência por seus mecanismos de longevidade e reparo do DNA.

Mesmo mecanismo funciona de forma diferente no rato-toupeira-pelado

O funcionamento identificado no rato-toupeira-pelado surpreendeu os cientistas.

Nesse roedor, a mesma proteína cGAS desempenha um papel favorável ao reparo do DNA.

A proteína ajuda o organismo a corrigir danos nas fitas de DNA e contribui para manter o código genético das células intacto.

Essa diferença pode representar uma das pistas para compreender por que o animal consegue viver durante tantas décadas.

Segundo os pesquisadores, milhões de anos de evolução aparentemente modificaram a forma como esse mecanismo funciona na espécie.

A mesma proteína, portanto, passou a produzir efeitos diferentes daqueles observados no organismo humano.

Longevidade de quase 40 anos intriga a ciência

O rato-toupeira-pelado vive em sistemas de tocas subterrâneas e apresenta uma aparência bastante diferente de outros pequenos mamíferos.

Apesar disso, o aspecto mais interessante para os pesquisadores está em sua capacidade de alcançar aproximadamente 40 anos de vida.

Esse período faz da espécie o roedor de maior longevidade conhecido.

A resistência do animal a diferentes doenças associadas ao avanço da idade também amplia o interesse científico.

Cientistas buscam entender como seu organismo consegue permanecer funcional durante um período tão longo.

O objetivo é identificar quais mecanismos celulares ajudam a proteger o animal contra os efeitos normalmente associados ao envelhecimento.

Universidade de Cambridge destaca importância da descoberta

O professor Gabriel Balmus, da Universidade de Cambridge, estuda reparo do DNA e envelhecimento.

Para o pesquisador, a descoberta representa apenas o início de uma investigação muito mais ampla sobre a longevidade desses animais.

Balmus compara a proteína cGAS a uma peça biológica de Lego.

A estrutura básica da proteína permanece semelhante em humanos e ratos-toupeiras-pelados.

Alguns de seus componentes, porém, funcionam de maneira diferente no pequeno roedor.

Essa mudança permite que a proteína participe de uma estrutura e de uma função completamente distintas.

Evolução pode ter reprogramado a proteína

A descoberta também abriu novas perguntas entre os pesquisadores.

Uma delas busca compreender como a evolução conseguiu reprogramar a mesma proteína para produzir efeitos opostos em espécies diferentes.

Outra questão envolve descobrir se esse mecanismo representa um caso isolado.

Os cientistas também querem saber se ele faz parte de um padrão evolutivo mais amplo.

A resposta poderá ajudar a explicar melhor por que determinados animais apresentam uma longevidade tão superior àquela normalmente observada entre espécies semelhantes.

Ciência busca compreender o que o roedor pode ensinar sobre envelhecimento

O interesse dos pesquisadores não está apenas em descobrir por que o rato-toupeira-pelado vive tanto.

A ciência também busca compreender o que esses mecanismos poderão ensinar sobre a saúde humana durante o envelhecimento.

Gabriel Balmus considera que estudar detalhadamente a biologia desse animal pode ajudar pesquisadores a compreender processos celulares importantes.

A chamada engenharia reversa desses mecanismos, segundo ele, poderá contribuir futuramente para pesquisas destinadas às necessidades de uma sociedade cada vez mais envelhecida.

O rato-toupeira-pelado, portanto, transforma uma característica aparentemente simples em uma importante questão científica.

Seu organismo mostra que uma mesma proteína pode desempenhar funções diferentes após milhões de anos de evolução.

A grande pergunta agora é compreender quanto desse mecanismo poderá ajudar a ciência a desvendar os processos responsáveis pela longevidade.

Você acredita que estudar animais capazes de viver por tantas décadas pode ajudar a ciência a compreender melhor o envelhecimento humano? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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