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Menina com QI 137 começou a falar aos 6 meses, aprendeu fonética antes de 1 ano e passou a contar em mandarim, coreano, espanhol, francês, português, japonês, indonésio e alemão, mas sofreu bullying na escola até entrar na Mensa aos 5 anos

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Escrito por Carla Teles Publicado em 22/08/2026 às 13:51 Atualizado em 22/08/2026 às 13:52
Menina começou a falar aos 6 meses, aprendeu fonética antes de 1 ano e passou a contar em mandarim, coreano, espanhol, francês, português, japonês, indonésio e alemão, mas
Declan Lopez entrou na Mensa com QI 137 após avaliação de inteligência para superdotação e chamou atenção pelo desenvolvimento precoce.
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Em Nova Jersey, identificar estudantes superdotados exige múltiplas medidas e adaptações quando o currículo não acompanha suas capacidades. O caso de Declan Lopez, com QI 137 aos 5 anos, ingresso na Mensa, mudança para escola de superdotados e aceleração ao primeiro ano, mostra como isso chega à sala de aula.

Identificar uma criança com altas habilidades não se resume a encontrar um número elevado em um teste de inteligência. Em Nova Jersey, nos Estados Unidos, os distritos escolares devem manter um processo contínuo de identificação, usar múltiplas medidas e oferecer adaptações quando estudantes precisam aprender em nível diferente daquele previsto apenas pela série. O caso de Declan Lopez, que apresentou QI 137 aos 5 anos, ajuda a mostrar por que resultado cognitivo, desempenho, interesses e necessidade educacional precisam ser observados em conjunto.

A história de Declan foi publicada em 3 de maio de 2024 pelo Magazín Mensa, a partir de um perfil da edição 136 do Mensa World Journal. Na época, ela tinha 6 anos, vivia no norte de Nova Jersey e já havia passado da escola pública para uma instituição privada voltada a crianças superdotadas, onde foi acelerada ao primeiro ano.

QI 137 foi apenas uma das medidas usadas no caso de Declan

Os pais de Declan solicitaram uma avaliação de inteligência quando ela tinha 5 anos porque buscavam acesso a programas educacionais para estudantes superdotados. O resultado de QI 137 contribuiu para seu ingresso na Mensa, mas esse número não resume sozinho o conjunto de características registrado no perfil.

A própria política educacional de Nova Jersey aponta nessa direção. O estado exige que os distritos utilizem múltiplas medidas para identificar alunos com altas habilidades, reunindo evidências de diferentes tipos e em diferentes momentos, em vez de depender exclusivamente de um único teste.

Nova Jersey exige múltiplas medidas para identificar estudantes superdotados

O Departamento de Educação de Nova Jersey informa que o processo pode considerar avaliações de habilidade e desempenho acadêmico, testes de inteligência, trabalhos produzidos pelo estudante, portfólios, observações e recomendações de professores, familiares e do próprio aluno. A lógica é construir um quadro mais amplo das áreas em que a criança demonstra capacidade ou potencial acima dos pares.

A legislação estadual também define como superdotado o estudante que demonstra nível elevado de habilidade em uma ou mais áreas quando comparado aos colegas da mesma faixa etária no distrito e que necessita de modificações no programa educacional para aprender de acordo com suas capacidades. Isso desloca a discussão do “quanto é o QI” para “de que atendimento esse estudante precisa”.

Habilidades podem aparecer muito antes da idade escolar

No caso de Declan, vários sinais apareceram antes mesmo da entrada na escola. O Mensa World Journal relata que ela começou a falar por volta dos 6 meses e já havia dominado fonética antes de completar 1 ano.

Esses dados não significam que toda criança que fala cedo seja superdotada, nem permitem estabelecer diagnóstico apenas com marcos de desenvolvimento. Eles funcionaram, no caso dela, como parte de um conjunto de evidências que posteriormente incluiu interesses acadêmicos, desempenho e o QI 137 obtido na avaliação.

Aprender acima do ritmo da turma pode exigir adaptação curricular

Declan demonstrava interesse por matemática, leitura, ciência, geografia, física, programação, bandeiras e capitais. Também se interessava pela tabela periódica e conseguia organizar elementos por categorias, números atômicos, pesos e símbolos, segundo o perfil.

Ela ainda aprendeu, com apoio de vídeos, a contar em mandarim, coreano, espanhol, francês, português, japonês, indonésio e alemão e estava começando a trabalhar com russo. A fonte não afirma que ela falasse esses idiomas fluentemente. O dado ajuda a ilustrar a amplitude de interesses, mas não substitui uma avaliação educacional sobre quais áreas efetivamente exigem conteúdo mais avançado.

Adaptação curricular não significa oferecer o mesmo conteúdo mais rápido

A regra de Nova Jersey prevê adaptações instrucionais capazes de colocar o estudante diante dos padrões curriculares no nível de instrução adequado à sua aprendizagem, e não simplesmente no nível correspondente à série que frequenta.

Isso pode significar que duas crianças da mesma idade precisem de desafios acadêmicos diferentes em determinadas áreas. Um estudante pode demonstrar força excepcional em matemática, por exemplo, sem apresentar exatamente o mesmo nível de avanço em todas as outras disciplinas. Por isso, a identificação estadual contempla habilidade intelectual geral, criatividade e aptidões acadêmicas específicas.

Mudança de escola levou Declan a uma aceleração de série

No segundo semestre de 2023, Declan entrou no jardim de infância de uma escola pública. A publicação relata que ela sofreu bullying e teve dificuldade para se relacionar com boa parte das crianças de sua idade. O perfil registra essa experiência, mas não demonstra que QI elevado cause bullying ou isolamento social.

Em janeiro de 2024, ela e o irmão foram transferidos para uma escola privada destinada a alunos superdotados. Além da mudança de ambiente, houve uma alteração acadêmica concreta: Declan foi acelerada para o primeiro ano, aproximando seu percurso escolar de um nível considerado mais compatível com sua aprendizagem naquele momento.

Aceleração escolar não significa apenas “pular de ano”

A National Association for Gifted Children explica que aceleração ocorre quando o estudante avança pelo currículo em ritmo superior ao tradicional. Há formas baseadas em série, como avanço de ano e entrada antecipada, e formas baseadas em conteúdo, nas quais o aluno estuda apenas uma disciplina em nível mais elevado.

A finalidade não é transformar aceleração em prêmio por inteligência. A proposta é aproximar profundidade, complexidade e ritmo do currículo da prontidão e da motivação acadêmica do estudante. A NAGC também cita pesquisas de longo prazo indicando benefícios acadêmicos e ausência de comprometimento social ou emocional simplesmente decorrente da aceleração quando ela é utilizada de forma adequada.

Desenvolvimento acadêmico avançado não elimina necessidades sociais

O caso de Declan também evidencia que atendimento educacional não pode observar apenas desempenho acadêmico. A dificuldade de integração e o bullying relatados na escola pública ocorreram ao mesmo tempo em que a menina apresentava interesses e aprendizagem acima do esperado em algumas áreas.

Depois da transferência, o perfil registrou que ela estava desenvolvendo boas amizades. Isso não permite concluir que uma escola para superdotados seja necessariamente a solução para toda criança com altas habilidades. Mostra, porém, que adequação curricular e experiência social são dimensões diferentes e precisam ser avaliadas simultaneamente.

Escolas precisam identificar capacidade e decidir como atendê-la

A legislação de Nova Jersey obriga os distritos públicos a manter identificação contínua do jardim de infância ao 12º ano e a disponibilizar serviços e adaptações para estudantes identificados. O estado também recomenda diferentes caminhos de identificação, já que uma criança não precisa se destacar em todas as medidas para demonstrar necessidade de atendimento específico.

A questão educacional mais ampla é como reconhecer estudantes que aprendem em ritmo diferente, identificar suas áreas reais de força e decidir entre enriquecimento, mudanças curriculares, aceleração ou outras formas de atendimento. Na sua opinião, escolas brasileiras também deveriam adotar processos mais amplos e contínuos para identificar alunos com altas habilidades, em vez de depender de um único teste? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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