Escondida por gerações na chaminé de um antigo pub em Watford, a garrafa de bruxa do século XIX continha dentes humanos, anzóis, cacos de vidro e um líquido misterioso, materiais associados a um ritual doméstico usado para afastar feitiços e proteger a casa.
Durante a demolição de uma chaminé na Inglaterra, trabalhadores retiraram dos tijolos uma garrafa do século XIX que parecia ter sido escondida de propósito. Dentro dela estavam dentes humanos, anzóis, cacos de vidro e um líquido sem identificação.
A descoberta aconteceu no antigo pub e hospedaria Star and Garter, em Watford, no condado de Northamptonshire. O imóvel havia se transformado em residência particular, mas sua chaminé ainda guardava um objeto ligado a antigas crenças de proteção doméstica.
A informação foi publicada por Smithsonian Magazine, revista norte americana de história, ciência e cultura. A publicação registrou o caso em 1 de novembro de 2019 e apresentou o recipiente como uma provável garrafa de bruxa.
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A garrafa apareceu quando os trabalhadores removeram os tijolos
A chaminé parecia apenas mais uma parte antiga do imóvel até o início da demolição. Quando os trabalhadores desmontaram a estrutura, encontraram o recipiente escondido entre os tijolos, longe da vista de quem passou pela casa durante gerações.

A posição reforçou a interpretação de que a garrafa não tinha sido descartada. Ela teria sido colocada naquele ponto para cumprir uma função simbólica: afastar feitiços, prender uma influência ruim ou devolver uma suposta maldição.
O líquido ainda aparece como não identificado nas publicações disponíveis. Uma revisão divulgada em 7 de abril de 2025 por All That’s Interesting, site de história, ciência e curiosidades, continuava descrevendo sua composição como desconhecida.
Dentes humanos, anzóis e vidro formavam o conteúdo do frasco
Os elementos confirmados são dentes humanos, anzóis, fragmentos de vidro e líquido não identificado. Não foi divulgada a quantidade de dentes nem a origem desses materiais.
A presença do líquido gerou comparações com outras garrafas de bruxa que continham urina. Porém, não existe confirmação de que essa substância estivesse no recipiente de Watford. Tratar a hipótese como resultado comprovado mudaria o fato encontrado.
Outros exemplares dessa tradição já guardaram alfinetes, pregos, espinhos, cabelos e pedaços de unhas. Cada objeto era escolhido dentro de uma crença que misturava o medo de maldições com a tentativa de proteger pessoas e construções.
A chaminé era vista como uma possível entrada para o mal
A escolha da chaminé tinha uma explicação dentro das crenças da época. Algumas pessoas imaginavam que forças ruins poderiam entrar na casa por caminhos incomuns, incluindo a abertura que conduzia a fumaça para fora.

Por essa razão, garrafas de proteção eram colocadas sob lareiras ou perto de chaminés. Entradas e fundações também eram usadas porque representavam pontos de passagem e limites da moradia.
O objeto precisava permanecer escondido. Dentro da parede, ele não funcionava como decoração ou aviso aos visitantes, mas como uma barreira invisível imaginada pelos antigos moradores.
Objetos pontiagudos deveriam prender a suposta maldição
A prática é associada à magia simpática, crença de que materiais e gestos poderiam produzir efeitos por ligação ou semelhança. Em linguagem simples, a pessoa imaginava que aquilo que acontecesse dentro da garrafa atingiria simbolicamente a origem do mal.
Anzóis, alfinetes, pregos e cacos de vidro serviriam como armadilha. As pontas deveriam prender ou ferir simbolicamente quem tivesse lançado o feitiço, enquanto o recipiente manteria a ameaça longe dos moradores.
Essa interpretação pertence ao campo das crenças históricas. Não existe comprovação de que o ritual funcionasse, e a garrafa não demonstra que uma maldição realmente ocorreu naquele imóvel.
Mais de 100 garrafas semelhantes foram encontradas na Grã Bretanha
Smithsonian Magazine, revista norte americana de história, ciência e cultura, registrou a descoberta de mais de 100 exemplares em construções antigas, cemitérios de igrejas e margens de rios na Grã Bretanha.
Grande parte das garrafas conhecidas remonta aos anos 1600, época de forte medo de bruxaria em regiões da Europa. O recipiente de Watford é mais recente porque seu formato alongado, parecido com um torpedo, começou a ser produzido na década de 1830.
Isso coloca o achado no século XIX e mostra que a tradição continuou mesmo depois do período ao qual a maioria desses objetos pertence. Crenças antigas ainda eram escondidas em casas enquanto métodos de construção e hábitos cotidianos mudavam.
O antigo pub também foi ligado à chamada Bruxa de Saratoga
O imóvel onde a garrafa apareceu era o local de nascimento de Angeline Tubbs, em 1761. Ela deixou a Inglaterra ainda jovem, mudou para os Estados Unidos e passou a ganhar a vida contando a sorte em Saratoga Springs.

Tubbs recebeu o apelido de Bruxa de Saratoga. Apesar da coincidência do endereço, a garrafa não pode ser ligada diretamente a ela. O modelo do recipiente começou a ser fabricado apenas nos anos 1830, muitas décadas após seu nascimento e sua saída da Inglaterra.
Ceri Houlbrook, historiadora e estudiosa de tradições populares da Universidade de Hertfordshire, situou o achado em uma época posterior à vida de Tubbs no imóvel. A diferença de datas impede que a história da garrafa seja usada como acusação contra ela.
A obra revelou uma crença que permaneceu escondida na construção
A demolição da chaminé trouxe à luz um objeto que havia atravessado gerações dentro dos tijolos. O achado mostra como reformas em construções antigas podem revelar práticas que desapareceram da vida cotidiana, mas permaneceram preservadas dentro de paredes, pisos e lareiras.
O frasco de Watford reúne materiais estranhos para os padrões atuais, mas compreensíveis dentro do medo que cercava a bruxaria. Seu valor não está na eficácia do ritual, e sim no que revela sobre a forma como antigos moradores tentavam proteger suas casas contra ameaças que acreditavam ser reais.
A garrafa continua sendo um vestígio histórico, não uma prova de feitiçaria. Dentes, anzóis, vidro e líquido desconhecido ajudam a reconstruir uma parte pouco visível da relação entre crenças populares e construções domésticas.
Se uma obra em sua casa revelasse um objeto escondido para afastar maldições, você o entregaria a pesquisadores ou o colocaria novamente entre os tijolos? Conte nos comentários.
