Tribunal de Apelações de Paris reverte absolvição de 2023, responsabiliza Air France e Airbus pela tragédia do voo Rio-Paris e impõe multa máxima de 225 mil euros a cada empresa
Duas gigantes da aviação, a Air France e a Airbus foram condenadas nesta quinta-feira (21/05), na França, por homicídio culposo pelo acidente com o voo Rio-Paris de 2009, que matou 228 pessoas no Oceano Atlântico. A decisão reverte absolvição de 2023 e impõe multa máxima de 225 mil euros a cada empresa.
Acidente com voo Rio-Paris: Condenação reverte absolvição anterior
O Tribunal de Apelações de Paris considerou a companhia aérea e a fabricante de aeronaves culpadas de homicídio culposo corporativo, quando não há intenção de matar.
A decisão saiu após recurso contra o julgamento de abril de 2023, no qual Air France e Airbus haviam sido absolvidas.
-
Flórida leva TikTok à Justiça e acusa a gigante chinesa ByteDance de ignorar lei que barra menores de 14 anos, enquanto pais e autoridades cobram mais proteção para crianças nas redes sociais
-
Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos; e agora?
-
Justiça confirma e agora dívidas antigas em execuções fiscais paradas há mais de 15 anos não poderão mais ser cobradas na via judicial nem administrativa
-
Igrejas podem ganhar nova isenção na reforma tributária, mas Fazenda alerta que brasileiros podem pagar mais imposto para compensar a perda de arrecadação
O caso envolve a queda de um Airbus A330 que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris. A aeronave desapareceu dos radares durante uma tempestade e caiu no Oceano Atlântico, em uma área remota a mais de 1.127 km da costa da América do Sul.
Todos os 12 tripulantes e 216 passageiros morreram. A queda, de uma altura de 11.580 metros, tornou-se o acidente mais mortal da história da aviação francesa.
Voo Rio-Paris mobilizou buscas em área de 10 mil km²
A localização dos destroços exigiu uma longa operação no fundo do mar, em uma área de 10 mil quilômetros quadrados. A caixa preta só foi encontrada em 2011, após meses de buscas em alto mar.
Nos primeiros 26 dias da operação inicial, 51 corpos foram recuperados, muitos ainda presos aos cintos de segurança.
Enquanto o governo francês ficou responsável pela investigação do acidente, as forças brasileiras assumiram a recuperação dos corpos.
O caso também deixou marcas prolongadas nas famílias. Em 2019, o pai de uma das vítimas afirmou à BBC News Brasil que só conseguiu enterrar os restos mortais do filho mais de dois anos após o acidente.
Multa máxima foi criticada por famílias das vítimas
Air France e Airbus foram condenadas a pagar 225 mil euros cada, o equivalente a R$ 1,3 milhão. O valor corresponde à multa máxima, mas algumas famílias criticaram a penalidade, considerada simbólica diante da dimensão da tragédia.
Parentes de vítimas, principalmente franceses, brasileiros e alemães, reuniram-se na quarta-feira (20/05) para acompanhar o veredito.
Durante as alegações finais, em novembro, promotores classificaram o comportamento das empresas como “inaceitável” e as acusaram de “proferir absurdos e inventar argumentos”.
Gigantes da aviação negam acusações e podem recorrer novamente
Tanto a Air France quanto a Airbus negaram repetidamente as acusações. Analistas jurídicos acreditam que as empresas vão recorrer novamente da decisão.
A BBC informou que entrou em contato com a Airbus e a Air France em busca de manifestação.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da BBC News Brasil, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Este artigo conta com dados por BBC e outras fontes.


Seja o primeiro a reagir!