Estudo publicado em 2025 revela que plataformas ampliam desigualdades e reforçam um modelo que fragiliza garantias trabalhistas e sociais
Uma análise divulgada em maio de 2025 pelo cientista político Leonardo Sakamoto, em parceria com o jornalista Carlos Juliano Barros, evidencia como o trabalho mediado por aplicativos se tornou um dos símbolos centrais da precarização contemporânea. Segundo os autores, o discurso de autonomia oferecido pelas plataformas não corresponde à realidade vivida por motoristas e entregadores em todo o país.
De acordo com Sakamoto, esses trabalhadores “caíram no conto do vigário” ao acreditarem que assumiam posição empreendedora. Contudo, suas condições diárias mostram um cenário marcado por jornadas extensas, ganhos reduzidos e completa ausência de proteção social. Além disso, a ampliação desse modelo fortaleceu práticas que aprofundam desigualdades e fragilizam estruturas de proteção histórica.
Investigação revela como a estrutura das plataformas redefine direitos
O livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho”, lançado em São Paulo e Brasília e apresentado em 25 de novembro de 2025 na UFMG, reúne reflexões publicadas entre 2021 e 2025 em veículos como Repórter Brasil e UOL. Segundo os autores, o avanço tecnológico não eliminou formas arcaicas de exploração. Ao contrário, convive com elas.
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Além disso, análises apontam que as plataformas ficam com grande parte dos ganhos, o que reduz drasticamente os valores recebidos pelos trabalhadores. Consequentemente, sem vínculo formal, esses profissionais não conseguem contribuir para a previdência, não possuem rede de proteção e permanecem vulneráveis em caso de acidentes ou doenças.
Discurso contra a CLT gera confusão e desloca responsabilidades
Sakamoto ressalta que muitos trabalhadores passaram a culpar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pelos desafios enfrentados no setor. Todavia, ele afirma que baixos salários, escalas desgastantes e ausência de direitos não derivam das leis, e sim de decisões empresariais e políticas adotadas pelo Congresso Nacional.
Além do mais, influenciadores e políticos propagaram a ideia de que a CLT seria inimiga do crescimento econômico. Entretanto, o pesquisador explica que as regras não são responsáveis pela desigualdade. Assim, o problema, segundo ele, está nas estruturas que deslocaram riscos e custos para os trabalhadores.
Precarização moderna convive com violações históricas
Os autores destacam que práticas como pejotização, contratação de freelancers fixos sem direitos e até casos de trabalho escravizado e exploração infantil persistem mesmo diante da tecnologia avançada. Dessa forma, o país mantém uma combinação preocupante entre inovação digital e violações antigas.
Conforme Sakamoto explica, o Brasil ainda não erradicou a escravidão contemporânea, apesar da atuação da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT). Por isso, ele afirma que o momento atual exige respostas que garantam dignidade e reduzam vulnerabilidades estruturais.
Mobilização cresce e redes sociais ampliam resistência
Após a reforma trabalhista de 2017, que enfraqueceu sindicatos, motoristas e entregadores passaram a utilizar as redes sociais como principal meio de articulação. Assim, categorias inteiras reivindicam um preço mínimo por corrida e condições de trabalho definidas em conjunto com os trabalhadores.
Contudo, medidas que ampliam direitos, como a PEC das Domésticas, continuam enfrentando resistência de setores econômicos mais privilegiados. Dessa maneira, o debate sobre proteção trabalhista segue dividido entre avanço institucional e pressões contrárias.
Diante desse cenário, o que você considera essencial para o futuro do trabalho no Brasil: ampliar a proteção social ou aprofundar modelos flexíveis que mantêm insegurança e desigualdade?

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