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Território estratégico de US$ 100 bilhões: os EUA querem o petróleo da Venezuela, mas existe um problema gigante que nem Trump sabe resolver

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/02/2026 às 17:17
Atualizado em 06/02/2026 às 17:18
Descubra como o território estratégico da Venezuela pode atrair investimentos de até US$ 100 bilhões no setor de energia.
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A tentativa dos Estados Unidos de acessar um território estratégico avaliado em US$ 100 bilhões em petróleo enfrenta entraves estruturais, legais e operacionais ligados à PdVSA, incluindo sanções recentes, endividamento superior a US$ 60 bilhões, queda histórica da produção e desconfiança de grandes investidores internacionais

A administração do presidente Donald Trump aposta que o território estratégico da Venezuela poderá atrair até US$ 100 bilhões em investimentos no setor de energia por meio de parcerias com a PdVSA, apesar do histórico de sanções, acusações criminais, queda acentuada da produção e fragilidade financeira da estatal.

Território estratégico e a mudança de política dos Estados Unidos

Durante o primeiro mandato de Trump, autoridades americanas acusaram executivos da PdVSA de desviar bilhões de dólares e usar aeronaves da empresa para tráfico de cocaína. Agora, a mesma administração vê o território estratégico venezuelano como peça central para uma nova política energética.

A estratégia depende diretamente da PdVSA, considerada a única porta de entrada para exploração do petróleo em um território com as maiores reservas comprovadas do mundo. Segundo Oswaldo Felizzola, diretor do centro de energia da escola de negócios IESA, qualquer empresa interessada em operar nesse território precisa negociar com a estatal.

A Venezuela já produziu cerca de 3 milhões de barris por dia, posicionando-se entre os maiores produtores globais. Esse volume caiu para 300 mil barris diários no ponto mais baixo do governo de Nicolás Maduro e atualmente está em torno de 900 mil barris, reduzindo o peso do territóriono mercado internacional.

Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, o regime venezuelano alterou a legislação do setor petrolífero, rompendo com 25 anos de chavismo. O modelo anterior defendia soberania do petróleo e controle rígido da PdVSA sobre o território estratégico nacional.

Logo após a mudança legal, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizou sanções e emitiu licença geral permitindo que empresas americanas exportem e comercializem petróleo venezuelano. O Ministério da Informação e a PdVSA não responderam aos pedidos de comentário sobre o impacto da medida no território estratégico.

Delcy Rodríguez, vice-presidente e líder interina do país, afirmou que a reforma busca atrair investimentos internacionais relevantes. Segundo ela, o objetivo é transformar o território estratégico detentor das maiores reservas em um grande produtor efetivo.

Ceticismo das petroleiras diante do território venezuelano

Apesar das mudanças, grandes companhias seguem cautelosas. O presidente da Exxon Mobil, Darren Wood, classificou a Venezuela como “não investível”, mesmo reconhecendo a importância do território estratégico. Mike Wirth, CEO da Chevron, afirmou que a atuação da empresa pode crescer com alterações adequadas do governo.

A Chevron é atualmente a única grande petroleira americana em operação no territóriovenezuelano, em parceria com a PdVSA. A Oxford Analytica avaliou que aumentos de produção tendem a ser graduais, com investimentos de longo prazo ainda incertos.

José Ignacio Hernández, consultor de petróleo e professor de direito, disse que empresas estrangeiras podem evitar associação com a PdVSA devido a sanções e acusações contra antigos gestores. Para ele, o histórico jurídico pesa mais que o potencial do território estratégico.

Novo modelo operaciona

O governo venezuelano e a administração Trump esperam que o novo modelo institucional torne o território estratégico mais atraente, sobretudo para empresas menores. A PdVSA deixaria o controle rígido e passaria a atuar como gestora de contratos.

Francisco Monaldi, diretor do programa de energia da América Latina do Baker Institute, afirmou que a PdVSA deve operar menos de um terço da produção nacional. Mesmo assim, continuará proprietária de campos, refinarias e postos dentro do território.

Pela nova lei, empresas podem atuar por meio de joint ventures com a PdVSA, que mantém controle majoritário. Em situações específicas, o governo pode conceder gestão operacional a empresas privadas, modelo semelhante ao adotado com a Chevron no território.

Outra alternativa é o contrato de serviço, permitindo que empresas operem campos estatais assumindo custos e riscos. O Tesouro americano ainda não autorizou formalmente a extração direta, mas novas flexibilizações são esperadas para ampliar a exploração do território estratégico.

Da eficiência à politização da PdVSA

Fundada há 50 anos durante a nacionalização do setor, a PdVSA surgiu quando a Venezuela consolidava seu território estratégico como potência petrolífera. O país é membro fundador da Opep.

Durante décadas, a empresa foi considerada uma das estatais mais eficientes do mundo, com ativos na Europa e nos Estados Unidos, incluindo a rede Citgo. A gestão técnica protegia o território estratégico de interferências políticas.

Esse modelo mudou após a posse de Hugo Chávez em 1999. A PdVSA passou a integrar o projeto político chavista. Cargos estratégicos foram ocupados por aliados, o logotipo mudou de azul para vermelho e receitas foram usadas em programas sociais dentro e fora do território.

Após a greve de 2002, Chávez demitiu cerca de 19 mil funcionários, metade do quadro. A perda de técnicos experientes comprometeu a capacidade produtiva do território venezuelano por anos.

Endividamento, colapso estrutural e crise

Segundo economistas venezuelanos, a PdVSA está praticamente falida, com cerca de US$ 60 bilhões em dívida externa. A empresa não dispõe de capital para investir na manutenção dos ativos do território estratégico.

Poços abandonados enferrujaram, enquanto má gestão, corrupção e sanções derrubaram a produção. Henrique Capriles afirmou que a PdVSA não pode ser auditada de forma independente após anos de opacidade e uso político dos recursos do território estratégico.

A ex-funcionária Nieves Ribullen relatou deterioração da refinaria de Amuay desde 2008. Em 2012, uma explosão matou mais de 40 pessoas. Autoridades citaram sabotagem, mas especialistas apontaram falhas de manutenção.

Funcionários eram obrigados a participar de atos pró-governo, vestindo vermelho. Quem se recusava corria risco de perder contratos. Esse sistema inflou o quadro funcional.

Atualmente, a PdVSA tem cerca de 85 mil empregados, mas menos de 20% atuam diretamente em atividades petrolíferas, segundo Ivan Freites. Muitos profissionais emigraram, enquanto os que ficaram perderam renda com a hiperinflação.

Carlos Márquez, ex-funcionário da PdVSA, afirmou que precisou trabalhar como taxista para sobreviver antes de deixar o país. Hoje vive nas Ilhas Canárias, após o colapso do setor que sustentava o território estratégico venezuelano e a própria PdVSA, hoje no centro de negociações e risocs para investidores internacionais.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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