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Estudo sobre o Cráton Amazônico acende alerta geológico no Brasil: o núcleo rochoso mais antigo da América do Sul pode esconder sinais de instabilidade profunda sob a maior bacia hidrográfica do planeta, desafiando modelos sobre a resistência das plataformas continentais antigas

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/04/2026 às 10:39
Atualizado em 29/04/2026 às 10:44
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Estudo sobre o Cráton Amazônico
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Estudo de 2025 mostra que o Cráton Amazônico pode se desprender no subsolo, desafiando teorias sobre estabilidade da crosta terrestre.

Segundo a National Science Review, um estudo publicado em março de 2025 revisou as evidências mais recentes sobre a estabilidade dos crátons, os núcleos rochosos mais antigos dos continentes, e chegou a uma conclusão que contraria décadas de teoria geológica: as bases desses núcleos, que deveriam ser as estruturas mais estáveis e imutáveis da crosta terrestre, são periodicamente instáveis. Elas se desprendem, afundam no interior da Terra e, em alguns casos, retornam à base do cráton depois de aquecidas pelo manto.

O estudo, liderado por Lijun Liu e colaboradores, revelou que as raízes dos crátons são notavelmente mais densas do que o manto ao redor delas e que a força que as mantém flutuando é apenas um quinto da força gravitacional que puxa essas raízes para baixo. O equilíbrio é muito mais precário do que se imaginava. Evidências sísmicas de anisotropia na América do Sul, incluindo sob o Cráton Amazônico, apontam para desprendimento e recrescimento recente da base litosférica, indicando que o processo não é apenas teórico, mas está em andamento.

Cráton Amazônico é o maior bloco rochoso antigo da América do Sul e preserva rochas com mais de 3,5 bilhões de anos

O Cráton Amazônico é o maior bloco de rocha antiga da América do Sul e um dos maiores do mundo. Ele ocupa a porção nordeste do continente sul-americano, abrangendo a maior parte dos estados do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia e Mato Grosso no Brasil, além de áreas da Guiana, do Suriname, da Venezuela e da Colômbia.

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Com mais de 4 milhões de quilômetros quadrados, é maior que países como a Índia. Suas rochas mais antigas, localizadas na Província Amazônia Central, têm mais de 3,5 bilhões de anos, formadas quando a Terra tinha menos da metade da sua idade atual, quando não havia vida complexa e o oxigênio ainda não estava acumulado na atmosfera.

Essas rochas sobreviveram à formação e dissolução de supercontinentes, ao fechamento e reabertura de oceanos, às extinções em massa e à formação de cadeias de montanhas que já desapareceram.

Estrutura profunda do cráton inclui crosta continental, raiz litosférica espessa e manto astenosférico altamente viscoso

Para entender o que está acontecendo sob o Cráton Amazônico, é útil imaginar um sistema de camadas com propriedades físicas distintas.

A camada superior é a crosta continental, com cerca de 35 a 45 quilômetros de espessura na região. Abaixo dela está a raiz litosférica, uma camada mais fria, rígida e densa, que se estende por cerca de 150 a 200 quilômetros adicionais e funciona como a base de sustentação do cráton.

Estudo de 2025 mostra que o Cráton Amazônico pode se desprender no subsolo – CPG

Essa raiz atua como uma “quilha geológica”, estabilizando a estrutura continental. Abaixo dessa camada está o manto astenosférico, composto por rochas que, embora sólidas, se comportam como um fluido extremamente viscoso ao longo de milhões de anos.

Nova evidência mostra que raízes dos crátons são mais densas que o manto e tendem a afundar, contrariando teoria clássica

A teoria clássica da geologia afirmava que a raiz litosférica dos crátons era menos densa que o manto, permitindo sua flutuação. O estudo de 2025 mostrou o contrário: essas raízes são mais densas que o material ao redor.

Isso cria uma força gravitacional que tende a puxá-las para baixo. A única coisa que impede o afundamento imediato é a rigidez mecânica da rocha, que resiste à deformação.

Delaminação litosférica explica como partes da base do cráton se desprendem e afundam como massas densas no interior da Terra

Quando essa rigidez é enfraquecida, o sistema pode colapsar parcialmente. Esse processo é chamado de delaminação litosférica.

Ele ocorre quando a parte inferior da raiz se desprende da parte superior e afunda no manto, como um peso que se solta do fundo de uma estrutura flutuante.

Esse desprendimento pode ser causado por aquecimento do manto, presença de fluidos ou atuação de plumas térmicas.

Tomografia sísmica revela anisotropia que indica desprendimento e recrescimento da base litosférica sob a América do Sul

A principal evidência desse processo vem da análise de ondas sísmicas. Essas ondas se propagam pelo interior da Terra e permitem reconstruir sua estrutura.

Estudos mostram que, abaixo da descontinuidade médio-litosférica, a orientação estrutural das rochas é diferente da parte superior.

Isso indica que essas camadas tiveram histórias distintas, sugerindo que a parte inferior se desprendeu, foi deformada no manto e posteriormente voltou a se integrar.

Anomalias sísmicas profundas indicam fragmentos de raízes que se desprenderam e afundaram até 800 km no manto

Além disso, foram detectadas anomalias sísmicas de alta velocidade em profundidades entre 600 e 800 quilômetros.

Essas estruturas são interpretadas como fragmentos de raízes litosféricas que se desprenderam durante eventos tectônicos antigos e permaneceram no interior do manto.

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Embora o processo seja extremamente lento, suas consequências são significativas. Quando a base do cráton se desprende, a parte superior pode subir devido à perda de massa.

Esse movimento pode alterar relevo, reorganizar rios e modificar bacias hidrográficas ao longo do tempo geológico. A própria Bacia Amazônica pode ter sido influenciada por esses processos.

Cráton Amazônico abriga grandes reservas minerais cuja formação está ligada à evolução geológica profunda

A região contém depósitos relevantes de ferro, ouro e cobre. Esses recursos estão associados a eventos geológicos que ocorreram ao longo da evolução do cráton.

Processos como delaminação podem influenciar a circulação de fluidos e a formação de novos depósitos minerais. O Cráton do Norte da China é o exemplo mais estudado desse processo.

Sua raiz foi reduzida de cerca de 200 quilômetros para menos de 80 quilômetros. Esse processo levou a vulcanismo, reorganização tectônica e mudanças estruturais ao longo de centenas de milhões de anos.

Ciência ainda não sabe exatamente o que desencadeia o desprendimento da base dos crátons em regiões específicas

Os mecanismos ainda não são completamente compreendidos. Hipóteses incluem plumas de manto, presença de fluidos e variações internas na composição da rocha. As evidências mostram que até os núcleos mais antigos do planeta estão sujeitos a transformação.

Na sua visão, isso muda a forma como entendemos a estabilidade da Terra ou apenas refina o conhecimento geológico existente?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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