Dayana Bárbara dos Santos, a Danda, viveu 12 anos em situação de rua em Brasília e manteve os estudos na rotina. Depois, concluiu o ensino médio, trabalhou como vendedora ambulante, estudou para o Enem e conseguiu aos 36 anos uma vaga em Letras na Uerj pelo sistema de cotas sociais.
Danda, nome pelo qual Dayana Bárbara dos Santos é conhecida, viveu 12 anos em situação de rua em Brasília sem abandonar completamente os estudos. Aos 36, já morando no Rio de Janeiro e trabalhando como vendedora ambulante, recebeu a aprovação para cursar Letras na Uerj.
A conquista veio depois de uma trajetória educacional fragmentada entre abrigos, escola destinada a pessoas em situação de rua, EJA e preparação para o Enem. A universidade apareceu como consequência de anos em que estudar precisou coexistir com a busca diária por renda e moradia.
Escola Meninos e Meninas do Parque manteve Danda perto dos estudos

A partir da adolescência, Danda frequentou a Escola Meninos e Meninas do Parque, em Brasília, voltada especialmente a pessoas em situação de rua. O espaço ajudou a manter leitura e escrita dentro de uma rotina marcada por deslocamentos e períodos em abrigos.
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Ela também passou por uma escola em Taguatinga e concluiu o ensino médio em 2014. A formação não ocorreu em linha reta, mas criou a base que permitiria à futura caloura de Letras continuar prestando o Enem.
Trabalho como ambulante passou a financiar uma rotina fora das ruas
Depois de decidir sair da situação de rua, Danda buscou renda como vendedora ambulante. A venda de doces entrou no cotidiano e se tornou uma alternativa para sustentar a própria vida enquanto ela mantinha o objetivo de avançar nos estudos.
O trabalho durante o dia não eliminou a preparação. À noite, ela reservava tempo para estudar e continuar acompanhando conteúdos do Enem. A renda da rua mudou de natureza: em vez de sobrevivência sem endereço fixo, passou a ajudar na construção de uma rotina mais estável.
Celular alugado virou ferramenta para estudar duas horas por dia
Sem equipamento próprio disponível durante parte da preparação, Danda chegou a alugar um celular para acessar vídeos e estudar cerca de duas horas por dia. A estratégia foi usada para melhorar gradualmente o desempenho no Enem, prova que ela fazia de forma recorrente.
A redação teve peso importante. Na seleção que abriu caminho para a Uerj, ela alcançou 770 pontos no texto e entrou por cotas. O acesso à universidade não veio de uma estrutura confortável de estudo, mas da combinação entre ferramentas improvisadas e repetição anual da prova.
Letras na Uerj foi conquistada aos 36 anos

A vaga obtida por Danda foi no curso de Letras da Uerj, usando a nota do Enem e o sistema de cotas. Na época, ela já vivia no Rio de Janeiro havia alguns meses e tentava reorganizar vida, trabalho e planos de formação.
A aprovação foi divulgada em janeiro de 2022. O resultado transformou uma trajetória educacional interrompida várias vezes numa entrada formal no ensino superior público aos 36 anos.
Aprovação encerrou uma etapa sem garantir que todos os obstáculos desapareceram
Entrar na Uerj não apaga os 12 anos de rua nem as dificuldades que antecederam a universidade. O caso de Danda envolve também políticas de educação, escola pública, cotas e oportunidades de retomada escolar para quem não segue o percurso tradicional.
Letras se tornou o novo ponto de partida, não uma conclusão automática de todas as dificuldades anteriores.
Para você, o que mais pesa para alguém retomar os estudos depois de tantos anos: renda, moradia, acesso a equipamentos ou confiança para tentar novamente? Conte nos comentários.
