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Depois de mais de um ano em nível 2 de emergência e retirada preventiva de moradores, barragem de mineração em Brumadinho tem risco reclassificado pela ANM, mas famílias ainda dependem da Defesa Civil para voltar para casa

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 08/10/2026 às 22:34 Atualizado em 08/10/2026 às 22:35
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Barragem de mineração em Minas Gerais com engenheiros realizando fiscalização após redução do nível de emergência em Brumadinho.
Barragem de mineração em Minas Gerais, em representação ilustrativa de uma estrutura submetida a fiscalização geotécnica. A ANM reduziu de 2 para 1 o nível de emergência da Barragem B1A, da EMICON, em Brumadinho, após novas investigações técnicas.
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Barragem B1A, da EMICON Mineração e Terraplenagem, estava em nível 2 desde julho de 2025. Novas investigações geotécnicas levaram à redução do alerta, mas a emergência continua e o retorno dos moradores permanece condicionado à avaliação municipal.

A barragem de mineração B1A, localizada em Brumadinho, Minas Gerais, teve seu nível de emergência reduzido de 2 para 1 pela Agência Nacional de Mineração (ANM), após permanecer mais de um ano sob uma classificação que levou à retirada preventiva de moradores. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, depois da realização de novas investigações geotécnicas e de um estudo de estabilidade conduzido por uma consultoria independente.

A estrutura pertence à EMICON Mineração e Terraplenagem Ltda. e estava enquadrada no Nível de Emergência 2 desde julho de 2025, quando divergências entre avaliações técnicas levantaram preocupações sobre suas condições de estabilidade.

A reclassificação representa uma mudança importante na avaliação regulatória da barragem. Entretanto, a redução do nível de emergência não significa que a estrutura deixou de exigir medidas especiais de segurança, tampouco autoriza automaticamente o retorno das famílias retiradas da área.

Segundo a ANM, a barragem continuará sendo fiscalizada, e a eventual reocupação da Zona de Autossalvamento dependerá das decisões e do acompanhamento da Defesa Civil de Brumadinho.

O caso também exige uma distinção fundamental: a B1A, da EMICON, não é a Barragem I da Mina Córrego do Feijão, da Vale, que rompeu em janeiro de 2019. Embora estejam situadas no mesmo município, são estruturas distintas, pertencentes a empreendimentos diferentes.

O que levou a barragem de Brumadinho ao nível 2 de emergência em julho de 2025

A situação da B1A começou a exigir medidas mais rigorosas em julho de 2025, quando a Agência Nacional de Mineração identificou divergências entre estudos técnicos que avaliavam a estabilidade da estrutura.

Os documentos disponíveis naquele momento não permitiam afastar determinadas hipóteses críticas relacionadas ao comportamento geotécnico da barragem.

Havia limitações nas investigações realizadas até então, o que aumentava as incertezas sobre suas condições reais.

Outro problema considerado pela fiscalização foi a ausência de sistemas de alerta destinados à proteção dos moradores localizados na região potencialmente afetada.

Essa combinação de fatores levou a agência a elevar a classificação da barragem para o Nível de Emergência 2.

A decisão teve uma consequência direta para a população: moradores da chamada Zona de Autossalvamento, conhecida pela sigla ZAS, precisaram deixar preventivamente a área.

Em resposta encaminhada à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a ANM informou que a alteração de NE1 para NE2 ocorreu em 21 de julho de 2025.

A elevação do nível de emergência foi precedida de reuniões com diferentes instituições públicas, incluindo o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Minas Gerais, a Fundação Estadual do Meio Ambiente, a Prefeitura de Brumadinho e o Ministério de Minas e Energia.

O objetivo era apresentar o histórico das avaliações técnicas, discutir as exigências feitas à empresa responsável e coordenar as medidas necessárias para proteger a população.

A retirada dos moradores, portanto, não ocorreu em consequência de um rompimento da estrutura, mas como medida preventiva diante das incertezas identificadas pela fiscalização.

Novas investigações geotécnicas e estudo independente mudaram a avaliação da ANM

Depois da elevação do alerta, a Agência Nacional de Mineração passou a exigir providências adicionais da EMICON.

Entre elas estavam a realização de investigações geotécnicas complementares e a elaboração de uma nova análise de estabilidade por consultoria independente.

A finalidade era obter informações atualizadas e representativas das condições da barragem, reduzindo as incertezas que haviam fundamentado sua classificação no nível 2.

Os estudos foram realizados e encaminhados à agência reguladora.

O processo, porém, não se limitou à entrega de um documento técnico.

De acordo com o comunicado oficial da ANM, seus profissionais promoveram reuniões com representantes da mineradora e com os responsáveis pela consultoria independente, solicitando revisões e esclarecimentos adicionais sobre os resultados.

As novas informações permitiram aprofundar o conhecimento das características geotécnicas da estrutura.

Foi a partir dessa documentação atualizada que a agência concluiu ser possível reduzir a classificação de emergência da B1A de NE2 para NE1, conforme os critérios da Resolução ANM nº 95/2022.

Essa mudança merece uma leitura cuidadosa.

A decisão não representa uma declaração de que todos os riscos foram eliminados. Significa que, com os dados atualmente disponíveis, a agência considera adequado enquadrar a barragem em um nível de emergência inferior ao anteriormente estabelecido.

A diferença é importante porque uma avaliação geotécnica depende das características da estrutura, dos parâmetros utilizados, das condições observadas e da continuidade do monitoramento.

Por isso, a própria ANM ressaltou que as exigências de segurança ainda pendentes permanecerão sob fiscalização.

Mesmo com a redução do alerta, barragem continuará em situação de emergência

A passagem do Nível de Emergência 2 para o Nível de Emergência 1 pode transmitir a impressão de que a situação foi completamente normalizada.

Não foi isso que a ANM anunciou.

A Barragem B1A permanece oficialmente em situação de emergência, embora em uma classificação inferior àquela vigente desde julho de 2025.

Na regulamentação brasileira, os níveis de emergência de barragens de mineração indicam diferentes condições de comprometimento ou preocupação com a segurança da estrutura.

A classificação orienta procedimentos técnicos, obrigações do empreendedor e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção da população.

O Nível de Emergência 1 exige medidas de acompanhamento e correção compatíveis com as condições identificadas.

Já o Nível de Emergência 2 envolve uma situação mais crítica, que pode demandar providências adicionais de proteção, incluindo medidas preventivas de evacuação quando aplicáveis.

No caso da B1A, a elevação ao nível 2 foi motivada por divergências nas análises de estabilidade, limitações no conhecimento geotécnico disponível e problemas relacionados aos sistemas de alerta.

A redução para o nível 1 foi fundamentada nos estudos posteriores.

A agência não informou que a barragem recebeu uma classificação de normalidade, nem anunciou o encerramento das exigências de fiscalização.

Esse é o principal limite da decisão divulgada em 8 de outubro: houve uma evolução na avaliação de segurança, mas a estrutura continua submetida a acompanhamento especial.

Famílias retiradas da Zona de Autossalvamento ainda dependem de decisão da Defesa Civil

A consequência mais sensível da mudança envolve os moradores que precisaram deixar suas residências.

Apesar da redução do alerta, a ANM informou expressamente que a nova classificação não autoriza o retorno automático da população evacuada à Zona de Autossalvamento.

A ZAS corresponde à região situada a jusante de uma barragem na qual, em uma eventual emergência, o tempo disponível para atuação das autoridades pode ser insuficiente para garantir a retirada de todas as pessoas.

Por essa razão, os procedimentos de proteção dessa população precisam considerar a capacidade de alerta e de resposta diante dos cenários de risco.

No caso de Brumadinho, a decisão sobre eventual reocupação caberá à Defesa Civil municipal, responsável por avaliar os critérios e as medidas necessárias para um retorno seguro.

A ANM informou que os sistemas de alerta também passaram por avaliação.

Segundo o órgão regulador, a Defesa Civil considerou satisfatória a eficácia das medidas de alerta disponíveis até a implantação das sirenes.

Isso não equivale à conclusão de todas as providências de proteção.

A instalação dos equipamentos definitivos e o cumprimento das demais exigências continuarão relevantes para a gestão da segurança da estrutura.

O comunicado da ANM não estabeleceu uma data para o retorno dos moradores e tampouco informou quantas famílias poderão ser contempladas por uma eventual autorização de reocupação.

Assim, mesmo com a alteração da classificação, permanece uma questão concreta para quem foi retirado da área: quando será possível voltar para casa e sob quais condições de segurança?

A resposta dependerá das avaliações da Defesa Civil de Brumadinho.

Barragem B1A não é a estrutura da Vale que rompeu em 2019

A localização da barragem no município de Brumadinho torna necessária uma diferenciação entre os empreendimentos minerários.

Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, da Vale, provocou uma das maiores tragédias da mineração brasileira, deixando 270 vítimas fatais.

A estrutura envolvida na decisão anunciada em outubro de 2026 é outra.

A B1A pertence à EMICON Mineração e Terraplenagem Ltda. e foi objeto de medidas preventivas relacionadas a incertezas técnicas sobre sua estabilidade.

O comunicado da Agência Nacional de Mineração não relata um rompimento da B1A nem estabelece qualquer relação causal entre sua situação e o desastre ocorrido em 2019.

A referência à tragédia anterior ajuda a compreender a sensibilidade do tema no município, mas não deve ser utilizada para confundir estruturas com históricos e responsabilidades diferentes.

O episódio atual está relacionado à revisão de uma classificação de emergência, depois da realização de estudos complementares e da avaliação de medidas de segurança.

A atuação da ANM concentra-se no acompanhamento técnico da barragem, enquanto a proteção direta da população envolve também as autoridades municipais de Defesa Civil.

O que falta para a barragem sair da situação de emergência e os moradores retornarem

A decisão de outubro encerra uma etapa da avaliação geotécnica da B1A, mas não todo o processo de acompanhamento iniciado em 2025.

A partir de agora, dois aspectos permanecerão centrais.

O primeiro é o cumprimento das exigências de segurança ainda acompanhadas pela Agência Nacional de Mineração.

A barragem precisará continuar submetida aos procedimentos de fiscalização e monitoramento aplicáveis à sua classificação, enquanto a empresa responsável deverá atender às determinações técnicas do órgão regulador.

O segundo envolve as condições para o retorno da população à Zona de Autossalvamento.

Nesse ponto, a redução do nível de emergência é uma informação relevante, mas não substitui as atribuições da Defesa Civil municipal.

Será necessário avaliar as medidas de proteção disponíveis e verificar se os critérios estabelecidos pelo órgão responsável permitem a reocupação.

A ANM informou que continuará atuando de forma articulada com as instituições de proteção e defesa civil, mantendo a segurança da população como prioridade.

Mais de um ano depois da elevação do alerta, a Barragem B1A passa a uma nova etapa de acompanhamento. A classificação mudou, mas duas decisões ainda permanecem abertas: quando a estrutura poderá deixar completamente a situação de emergência e quando os moradores terão condições de retornar às suas residências.

Por enquanto, nenhuma dessas datas foi anunciada oficialmente.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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