Depois de anos em apresentações, passagens temporárias e uma longa busca por um destino definitivo, Flora iniciou no Tennessee uma nova rotina marcada por grandes áreas naturais, exploração do habitat e convivência com outras elefantas.
Flora passou boa parte da juventude sob as lonas de um circo nos Estados Unidos, tornou-se a atração que ajudou a dar nome ao Circus Flora e, anos depois, iniciou uma transição completamente diferente.
Após deixar as apresentações e viver temporariamente no zoológico de Miami, a elefanta africana chegou em 3 de março de 2004 ao The Elephant Sanctuary, no Tennessee, onde permanece mais de duas décadas depois.
Nascida em 1982, no Zimbábue, Flora ficou órfã aos dois anos e foi levada ainda jovem aos Estados Unidos.
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Ela acabou adquirida pelo produtor de circo David Balding, que a introduziu às apresentações em 1985.
O próprio santuário resume esse período como uma trajetória de 18 anos ligada ao Circus Flora, no qual ela se tornou a principal estrela.
A história oficial do circo registra que Flora deixou a vida de palco em 2000, mostrando que sua retirada das apresentações ocorreu antes da mudança definitiva para o Tennessee.
Flora se tornou a estrela do Circus Flora
O nome da elefanta ficou diretamente associado ao espetáculo criado por Balding.
Durante os anos em que participou das apresentações, Flora também apareceu em outras produções.
Entre elas está o filme Big Top Pee-wee, lançado em 1988 e protagonizado pelo personagem Pee-wee Herman.
À medida que a elefanta amadureceu, porém, Balding começou a procurar alternativas para sua aposentadoria.
Segundo o The Elephant Sanctuary, o responsável concluiu que seria necessário encontrar um local onde Flora pudesse deixar definitivamente a rotina circense e viver em condições diferentes daquelas proporcionadas pelas apresentações itinerantes.
A transição não aconteceu imediatamente.
Encontrar um destino permanente para um elefante africano adulto exigia espaço, estrutura especializada, manejo adequado e recursos para sustentar o animal durante décadas.

Flora viveu três anos no zoológico de Miami
Um dos destinos temporários foi o então Miami Metro Zoo, atual Zoo Miami, na Flórida.
O relatório anual de 2004 do The Elephant Sanctuary registra que Flora havia passado três anos no zoológico de Miami antes de ser transferida para o Tennessee.
Essa etapa fez parte de um processo mais longo de busca por um lar definitivo.
A trajetória acabou documentada durante vários anos pela equipe da Crossover Films e deu origem ao documentário One Lucky Elephant, que acompanha a passagem de Flora de elefanta órfã no Zimbábue a atração circense e, posteriormente, residente de um santuário.
O plano inicial chegou a envolver outras possibilidades para o futuro da elefanta, mas foi no Tennessee que surgiu uma solução permanente.
Chegada ao santuário no Tennessee ocorreu em 2004
Flora concluiu a viagem de Miami até Hohenwald, no Tennessee, em 3 de março de 2004.
Ela tornou-se a 12ª residente do The Elephant Sanctuary e a terceira elefanta africana recebida pela instituição, chegando poucas semanas depois de Tange e Zula.
A chegada também exigiu adaptações.
Naquele momento, o santuário estava expandindo sua estrutura para receber elefantes africanos e modificou os planos de construção do habitat e do celeiro para acomodar Flora.
Fundado em 1995, o The Elephant Sanctuary ocupa atualmente 3.060 acres, aproximadamente 1.238 hectares, em uma região de colinas, áreas arborizadas, pastagens e fontes naturais de água no Tennessee.
A instituição se apresenta como o maior refúgio de habitat natural dos Estados Unidos desenvolvido especificamente para elefantes africanos e asiáticos.
Os habitats não são abertos à visitação pública.
Rotina de Flora passou das apresentações para o habitat natural
A mudança também alterou o tipo de atividade realizada diariamente por Flora.
Em vez de cumprir uma programação de apresentações, a elefanta passou a ter acesso a áreas onde pode caminhar, procurar alimento, explorar vegetação, derrubar árvores e utilizar regiões de lama.
O santuário afirma que seus animais recebem oportunidades para escolher onde permanecer e quando participar de determinadas interações, além de cuidados veterinários individualizados.
Flora é descrita pela equipe como uma elefanta dominante, confiante e particularmente interessada em explorar o território.
A instituição também registra uma preferência específica por melancia.
Ao longo dos anos, ela passou a dividir o ambiente e manter diferentes níveis de interação social com outros elefantes africanos residentes.
Flora desenvolveu uma relação próxima com Tange
Uma das relações mais duradouras foi construída com Tange, outra elefanta africana que chegou ao santuário poucas semanas antes dela, em fevereiro de 2004.

Segundo os cuidadores, as duas foram se aproximando ao longo dos anos e passaram a demonstrar comportamentos como entrelaçar as trombas, tocar uma à outra e brincar.
Flora também conviveu com Sukari, que chegou ao Tennessee em 2015.
As três foram observadas utilizando diferentes partes do habitat, procurando alimento e realizando comportamentos comuns aos elefantes.
Essa configuração mudou recentemente.
Sukari morreu em 26 de março de 2026, aos 41 anos, após apresentar problemas gastrointestinais e perda significativa de peso.
O santuário informou que Flora e Tange tiveram a oportunidade de permanecer próximas dela durante seus últimos momentos.
Aos 44 anos, Flora continua vivendo no santuário
Em 3 de março de 2026, Flora completou 44 anos.

A data coincidiu com o aniversário de sua chegada ao local: naquele dia, completaram-se 22 anos desde a transferência para o Tennessee.
A instituição continua listando Flora entre suas residentes atuais.
Mais de duas décadas depois da mudança, a rotina descrita pelos cuidadores permanece baseada em exploração do habitat, alimentação, acompanhamento veterinário e oportunidades de interação com outros elefantes.
Sua trajetória também permanece registrada no documentário One Lucky Elephant, que transformou em filme o longo processo entre o fim da vida circense e a busca por um local definitivo.
O caminho iniciado com uma elefanta órfã retirada do Zimbábue passou por quase duas décadas ligadas ao circo, uma temporada de transição em Miami e terminou, em 2004, nas áreas naturais de Hohenwald.


