Casal deixou a rotina corporativa, investiu em uma fazenda no interior de Minas e passou a produzir queijo artesanal com leite Jersey, unindo tradição, controle técnico e alimentos derivados do leite em Coronel Xavier Chaves.
O queijo Jacuba, produzido na Fazenda DuJapa, em Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais, é feito em pequena escala com leite de vacas Jersey, raça associada a uma matéria-prima com maior concentração de gordura e sólidos.
A produção é conduzida por Teresa Boari e Edmar Okamoto, casal que trabalhou em multinacionais de São Paulo e Minas Gerais, investiu na propriedade em 2015 e iniciou a fabricação do queijo artesanal em 2017.
A trajetória da Fazenda DuJapa reúne mudança de carreira, produção rural e beneficiamento artesanal do leite.
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Em vez de operar com grande volume, o casal estruturou a queijaria a partir do controle da matéria-prima, da rotina do rebanho e da padronização possível dentro de uma produção pequena.
Além do queijo Jacuba, a propriedade também fabrica o doce de leite DuJapa, nas versões tradicional e com raspas de limão siciliano.
O leite usado na fazenda tem, segundo o texto original, teor de gordura entre 4,8% e 5,5%.
Esse índice está relacionado a características como textura, cremosidade e rendimento na produção de derivados lácteos.
A Embrapa informa que animais Jersey e cruzamentos com Jersey podem apresentar maior teor de sólidos no leite, característica relevante para a produção de queijos e outros produtos derivados.
O que diferencia o queijo Jacuba artesanal
Na produção de queijo, a composição do leite é um dos fatores que influenciam o resultado final.
Alimentação do rebanho, higiene na ordenha, temperatura, tempo de maturação e manejo diário também interferem nas características do produto.
Ao comentar o trabalho da fazenda, Edmar Okamoto atribui a qualidade do queijo à matéria-prima.
“Nossa principal preocupação é a qualidade do leite. Acreditamos que é a partir de uma matéria-prima de qualidade que se faz bons produtos”, afirmou.
O Jacuba é descrito pelos produtores como um queijo de massa lisa, sem olhaduras, nome técnico dado aos “furinhos” encontrados em alguns tipos de queijo.
Essa característica indica uma massa mais uniforme.
De acordo com a descrição do produto, o queijo tem textura mais macia e sabor mais suave, sem a presença de aberturas internas visíveis.
A fabricação segue normas definidas por órgãos sanitários, segundo as informações da própria produção.
Esse ponto é relevante porque o Queijo Minas Artesanal utiliza leite cru e depende de controle rigoroso em etapas como ordenha, filtração, salga, maturação, armazenamento e transporte.
Segundo o Governo de Minas, o Queijo Minas Artesanal é produzido com leite cru de vaca ordenhado na mesma propriedade onde fica a queijaria, e seu modo de fazer foi reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial brasileiro.
Mesmo com procedimentos definidos, a produção artesanal pode apresentar variações.
Teresa Boari afirma que a pequena escala não permite à fazenda manter um laboratório próprio para análise diária do leite.
Sem esse acompanhamento interno todos os dias, pequenas diferenças podem aparecer no resultado final.
Segundo a produtora, a essência do queijo se mantém, mas a textura pode variar, ficando mais macia em um dia e menos no seguinte.
Da carreira em multinacionais à produção rural
Teresa Boari e Edmar Okamoto chegaram à fazenda após uma trajetória profissional fora do setor agropecuário.
O casal havia feito carreira em multinacionais e decidiu investir na propriedade em Coronel Xavier Chaves em 2015.
A produção do queijo começou dois anos depois, em 2017, após a estruturação inicial da fazenda.
A mudança envolveu uma nova rotina de trabalho.
Na atividade leiteira e na produção de queijo, etapas diárias como cuidado com o rebanho, ordenha, controle sanitário, fabricação, maturação e venda fazem parte do funcionamento da propriedade.
O processo exige regularidade para que o produto mantenha padrões compatíveis com a comercialização e com as exigências de inspeção.
Em 2020, o Queijo Jacuba recebeu o Selo ARTE, certificação federal voltada a produtos alimentícios de origem animal produzidos de forma artesanal.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o selo permite a comercialização nacional dos produtos certificados e está associado ao cumprimento de boas práticas agropecuárias e de fabricação.
A certificação ampliou o alcance comercial do produto.
Antes dela, queijos artesanais de origem animal enfrentavam restrições para venda fora do estado ou do município, dependendo da estrutura de inspeção disponível.
Com o Selo ARTE, a circulação nacional passa a ser permitida, desde que o produtor cumpra as regras sanitárias exigidas.
Queijo Jacuba ganhou prêmio estadual em Minas Gerais
O Jacuba ganhou projeção no 13º Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, realizado em 2021.
De acordo com a Agência Minas, o queijo produzido por Maria Teresa Viana Boari, em Coronel Xavier Chaves, foi eleito o melhor de Minas Gerais naquele ano.
A avaliação ocorreu em 6 de outubro, no Restaurante Escola do Senac Minas, com participação de 35 jurados.
Segundo a publicação oficial do Governo de Minas, o queijo somou 2.964,8 pontos de um total de 3.500.
A avaliação levou em conta critérios como sabor, aroma, textura e aparência.
Na categoria sabor e aroma, o Jacuba alcançou 1.029,9 pontos de 1.225 possíveis.
O concurso é promovido pelo Governo de Minas, por meio da Emater-MG, e busca incentivar a melhoria da qualidade da produção, divulgar os queijos ao consumidor e estimular a legalização das queijarias.
Para produtores de pequena escala, esse tipo de reconhecimento pode ampliar a exposição da marca em mercados especializados, feiras e eventos ligados à gastronomia.
A participação em eventos também aparece na trajetória da Fazenda DuJapa.
Desde o início da produção do queijo Jacuba, segundo o relato do casal no texto original, a marca esteve presente em edições do Festival do Queijo Artesanal de Minas.
Teresa Boari afirma que o primeiro contato com o festival ocorreu por meio de degustação, quando a produção ainda não tinha volume para venda em maior escala.
Campo das Vertentes e tradição queijeira em Minas
Coronel Xavier Chaves integra o Campo das Vertentes, região reconhecida na produção de Queijo Minas Artesanal desde 2009.
Em 2024, o Governo de Minas informou que a região passou a reunir 18 municípios, após a inclusão de Barbacena, Entre Rios de Minas e Ibertioga por portaria do Instituto Mineiro de Agropecuária.
A localização é parte do contexto da produção.
No caso dos queijos artesanais, fatores como clima, manejo, composição do leite e práticas tradicionais de fabricação ajudam a formar características próprias de cada região produtora.
Em Minas Gerais, as regiões reconhecidas para o Queijo Minas Artesanal reúnem municípios com histórico de produção e normas específicas de identificação.
Eventos regionais também fazem parte desse ambiente.
Em abril de 2026, a Emater-MG informou que Coronel Xavier Chaves recebeu a 4ª edição do Festival do Queijo e da Cachaça das Vertentes, promovido pela prefeitura com apoio da empresa pública.
A programação incluiu cursos sobre inspeção municipal, análise sensorial de queijos e degustação guiada, além de atividades gastronômicas ligadas aos produtos locais.
A presença desses eventos indica a articulação entre produtores, poder público e instituições de assistência técnica.
Para queijarias artesanais, feiras e festivais podem funcionar como canais de divulgação, contato com consumidores e troca de informações sobre legislação, boas práticas e avaliação sensorial.
Doce de leite DuJapa amplia o uso da matéria-prima
Além do queijo Jacuba, a Fazenda DuJapa produz doce de leite em pequena escala.
A versão tradicional utiliza a mesma base láctea da propriedade, enquanto a opção com raspas de limão siciliano acrescenta saborização ao produto.
A diversificação permite à fazenda trabalhar com mais de um derivado do leite, sem afastar a produção de sua principal matéria-prima.
No mercado de produtos artesanais, a variedade pode ajudar a ampliar a presença da marca em feiras, festivais e pontos de venda especializados.
Ainda assim, no caso da DuJapa, o queijo Jacuba concentra a maior parte da visibilidade pública, principalmente após a certificação do Selo ARTE e a premiação estadual de 2021.
Teresa Boari avalia que o mercado de queijo artesanal passa por expansão e aumento de concorrência.
“O queijo artesanal está na moda. Há um aumento do número de produtores e, consequentemente, da concorrência. Percebo que é um negócio em crescimento, mas só os melhores permanecerão”, afirmou a produtora.
A fala indica uma percepção de mercado da empreendedora, não uma projeção oficial do setor.
No caso da Fazenda DuJapa, a estratégia relatada pelo casal se concentra na qualidade do leite, no controle da produção e na participação em eventos especializados.

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