Em meio à valorização do Queijo Minas Artesanal, reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural imaterial da humanidade em 2024, a história de Maria Elisa e Jorge mostra como leite, maturação e turismo rural passaram a sustentar uma nova rotina no campo.
O reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal pela Unesco, em 4 de dezembro de 2024, ampliou a visibilidade de produtores que trabalham com leite cru, tradição regional e técnicas de maturação em Minas Gerais.
Nesse cenário, a trajetória de Maria Elisa de Almeida e Jorge Luiz Coutinho Bezerra ajuda a explicar como a produção artesanal pode mudar a rotina econômica de uma propriedade rural.
O casal deixou a vida urbana e passou a viver no Sítio Primavera, em Lima Duarte, na Zona da Mata de Minas Gerais, onde estruturou uma produção de queijos artesanais ligada à criação de gado, ao controle sanitário, à maturação dos produtos e ao turismo rural.
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As fontes consultadas sobre a trajetória do casal indicam que os dois moravam no Rio de Janeiro antes da mudança para Minas.
A propriedade fica entre a Serra do Ibitipoca e o morro do Pão de Angu, região reconhecida pela produção de Queijo Minas Artesanal.
No local, a rotina passou a incluir manejo animal, ordenha, fabricação de derivados do leite, cursos de capacitação e recepção de visitantes interessados em acompanhar o processo produtivo.
A atividade ganhou projeção nacional depois que produtos da queijaria foram premiados em concursos do setor.
Entre eles está o requeijão em barra Lírio Branco, que recebeu medalha Super Ouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril de 2024, no estado de São Paulo, segundo a Agência Minas.
A mudança não partiu de uma tradição familiar consolidada na produção rural.
Segundo relatos publicados pelo Sistema Faemg/Senar, Maria Elisa e Jorge frequentavam a região de Lima Duarte havia anos e decidiram se estabelecer no município após a aposentadoria.
O plano inicial era viver com mais proximidade do campo, mas a propriedade passou a reunir produção de alimentos artesanais, hospedagem e atividades ligadas ao turismo rural.
“Eu não sabia nada de queijo, só de comer”, afirmou Maria Elisa em entrevista ao Sistema Faemg/Senar.
A fala se refere ao início da produção, quando o casal começou a buscar orientação técnica para lidar com qualidade do leite, boas práticas de fabricação, maturação, padronização dos queijos e regularização sanitária.
Da vida urbana à produção de queijo artesanal em Minas
O Sítio Primavera foi adquirido como parte do projeto de mudança para o interior.
Antes de consolidar a queijaria, o casal avaliou outras atividades rurais e iniciou a criação de gado.
Com a experiência acumulada e o apoio de instituições do setor agropecuário, a produção de Queijo Minas Artesanal passou a ocupar papel central na propriedade.
A escolha pelo queijo também se relaciona ao território.
Lima Duarte integra a região das Serras da Ibitipoca, reconhecida em 2020 como produtora de Queijo Minas Artesanal pela Emater-MG, por meio da Portaria 2.016/2020.
O reconhecimento abrange municípios de diferentes áreas de Minas Gerais e considera características geográficas, históricas e produtivas associadas ao modo de fazer tradicional.
Na prática, esse tipo de produção exige mais do que transformar leite em queijo.
O processo envolve leite cru, coalho, pingo, sal, prensagem manual e maturação.
Cada etapa interfere no resultado final e depende de fatores como higiene, qualidade da matéria-prima, sanidade do rebanho, temperatura, umidade e tempo de cura.
Maturação muda textura, aroma e sabor do queijo
A maturação é uma das etapas que diferenciam os queijos artesanais.
Durante esse período, enzimas e microrganismos atuam sobre a massa e modificam textura, aroma e sabor.
Por isso, o tempo de cura e as condições do ambiente influenciam diretamente o padrão do alimento que chega ao consumidor.
No caso do Sítio Primavera, um dos produtos que passaram a receber reconhecimento foi o requeijão em barra Lírio Branco.
Segundo a Agência Minas, o item foi desenvolvido a partir de técnica da Epamig, por meio do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, para aproveitar queijos que não atingiam o padrão comercial de aparência, como peças menores ou rachadas.
A proposta permitiu usar queijos fora do padrão visual de venda direta, desde que adequados para transformação.
Maria Elisa explicou que o requeijão é feito a partir do próprio queijo fundido, depois de 22 dias de maturação.
A Agência Minas informou que o produto recebeu medalha Super Ouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril de 2024, no estado de São Paulo.

Premiações ampliaram a visibilidade do Sítio Primavera
Antes da premiação do requeijão em barra, o Sítio Primavera já havia obtido medalhas de prata e ouro na Expo Queijo de Araxá, em 2021.
A Fapemig também citou a propriedade em conteúdo sobre projetos que aproximam pesquisa científica e produção artesanal de queijos em Minas Gerais.
A evolução da queijaria, segundo relatos de Maria Elisa publicados por instituições do setor, ocorreu com testes e ajustes na produção.
Ela afirmou que fez mudanças em detalhes como quantidade de sal e volume de leite usado, antes de inscrever os produtos em concursos.
A aproximação com técnicos e pesquisadores ampliou o controle sobre processos e aproveitamento de matéria-prima.
Esse acompanhamento é relevante em queijarias que trabalham com leite cru, porque a segurança do alimento depende de cuidados contínuos.
Entre os fatores observados estão a saúde dos animais, a limpeza dos utensílios, o armazenamento, a maturação e o cumprimento de normas sanitárias.
No texto original, Maria Elisa informa que a propriedade tem certificado de livre de brucelose e tuberculose e que os queijos possuem certificação.
Turismo rural passou a fazer parte do negócio
Além da produção de derivados do leite, o Sítio Primavera passou a receber hóspedes.
O turismo rural se tornou uma forma de apresentar a rotina da propriedade, aproximar consumidores do processo de fabricação e ampliar os canais de venda dos produtos.
A atividade também permite que visitantes acompanhem de perto parte do trabalho que sustenta a queijaria.
Jorge relatou, no texto original, que muitos hóspedes chegam interessados em entender como ocorre a saída de um grande centro urbano para a vida no campo.
A experiência, nesse contexto, não se limita à hospedagem.
Ela envolve contato com o ambiente rural, com os animais, com a produção do leite e com a transformação da matéria-prima em queijo.
O interesse por esse tipo de visita ocorre em um momento de maior visibilidade para os queijos mineiros.
Em dezembro de 2024, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram incluídos pela Unesco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
O reconhecimento internacional reforçou a relação entre alimento, território, técnica e transmissão de saberes.
Cursos e certificações estruturaram a produção
A adaptação ao campo exigiu formação contínua.
Maria Elisa e Jorge fizeram cursos relacionados a manejo animal, roçadeira, fossa, cria e recria de bezerras, derivados de leite, queijos especiais e boas práticas de fabricação.
As capacitações foram oferecidas com apoio do Sistema Faemg/Senar e do Sindicato Rural de Lima Duarte, segundo as fontes consultadas.
Lília Ramos, agente de desenvolvimento rural do sindicato, relatou no texto original que o casal participou de diferentes programas de formação e que a propriedade também passou a receber atividades educativas.
A prática permite que novos alunos acompanhem experiências aplicadas em uma unidade produtiva em funcionamento.
O presidente do Sindicato Rural de Lima Duarte, Olivier de Paula Campos, também afirmou que o casal procurou a entidade logo após chegar ao município e buscou orientação para desenvolver as atividades.
As declarações indicam que a profissionalização foi parte do processo de implantação da queijaria.
A rotina atual combina produção, cuidado com o rebanho, atualização técnica, venda de alimentos artesanais e recepção de visitantes.
Embora o campo seja associado a uma vida mais tranquila, a experiência do casal mostra uma sequência de tarefas que depende de planejamento, regularidade e adequação às normas sanitárias.
A história do Sítio Primavera também mostra como a transformação do leite em queijo pode alterar a lógica econômica de uma pequena propriedade rural.
Em vez de depender apenas da venda da matéria-prima, a produção artesanal permite agregar valor ao alimento, desde que haja controle técnico, certificação e mercado consumidor.


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