Ao deixar o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025, Warren Buffett encerra uma trajetória que levou a empresa a mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado e consolidou uma filosofia baseada em tempo, juros compostos e início precoce dos investimentos
Quando deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no final de 2025, Warren Buffett encerrava uma trajetória que resultou em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão e em um patrimônio pessoal de cerca de US$ 150 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.
A pergunta feita em 1999 e a resposta que definiu uma filosofia
Apesar de uma carreira considerada inalcançável para a maioria das pessoas, Buffett foi frequentemente questionado sobre como construir riqueza. Em 1999, durante a assembleia anual da Berkshire, ele respondeu a um acionista que perguntou como alcançar US$ 30 bilhões, valor aproximado de seu patrimônio à época.
A resposta foi direta. “Comece cedo”, disse Buffett, em tom descontraído, antes de desenvolver a metáfora que se tornaria uma de suas explicações mais conhecidas sobre criação de riqueza ao longo do tempo.
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Segundo ele, o processo começou com a construção de uma pequena bola de neve no topo de uma colina muito longa, que passou a rolar ladeira abaixo desde cedo, ganhando volume gradualmente.
Juros compostos como motor central da acumulação
Buffett explicou que a base dessa metáfora está nos juros compostos, fenômeno no qual o investidor obtém retorno não apenas sobre o capital inicial, mas também sobre os rendimentos acumulados ao longo do tempo.
Esse mecanismo, frequentemente descrito por profissionais de investimento como uma forma de “mágica”, amplia os resultados à medida que o tempo de aplicação aumenta, sem exigir mudanças constantes na estratégia.
Para Buffett, o “truque” para construir uma grande bola de neve é ter uma colina muito longa, o que significa começar a investir muito jovem ou viver até uma idade muito avançada.
Por que começar cedo muda completamente o resultado final
Ao detalhar sua visão, Buffett afirmou que, se tivesse acabado de sair da faculdade com US$ 10.000 para investir, repetiria a mesma abordagem usada no início de sua carreira.
Isso envolveria buscar empresas excelentes, porém subvalorizadas, e manter os investimentos por longos períodos, permitindo que os efeitos do tempo e dos juros compostos atuassem plenamente.
Com o passar dos anos, no entanto, Buffett reconheceu que o investidor pessoa física médio não dispõe do mesmo tempo ou da mesma capacidade para selecionar ações individuais com desempenho acima do mercado.
A defesa do fundo de índice como alternativa prática
Em 2021, durante a assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett afirmou que, para a maioria das pessoas, a melhor alternativa é possuir um fundo de índice do S&P 500.
Segundo ele, essa estratégia oferece exposição ampla ao mercado, reduz complexidade e dispensa a necessidade de decisões frequentes sobre compra e venda de ações individuais.
Buffett deixou claro que essa abordagem não levaria alguém a um patrimônio de US$ 150 bilhões partindo de US$ 10.000, mas ressaltou que o fator tempo pode gerar diferenças significativas nos resultados finais.
Simulações mostram o impacto do tempo sobre o capital
Uma simulação citada pela CNBC Make It ilustra esse efeito. Um jovem de 22 anos que investe US$ 10.000 em uma carteira com rendimento médio de 8% ao ano e adiciona US$ 5.000 anualmente poderia acumular mais de US$ 21 milhões aos 95 anos.
Se o mesmo investidor atrasasse o início em cinco anos, o valor cairia para menos de US$ 15 milhões. Um atraso de 10 anos reduziria o montante final para menos de US$ 10 milhões, mesmo mantendo as mesmas condições.
Esses exemplos reforçam a centralidade do tempo como variável decisiva na acumulação de riqueza, um ponto repetido por Buffett ao longo de décadas, mesmo com pequenas variações de contexto.
O limite prático da riqueza extrema, segundo Buffett
Apesar dos números expressivos, Buffett descreveu sua própria fortuna como “incompreensível” e relativizou o significado de acumular quantias muito acima de um determinado nível.
Na mesma reunião de 1999, ele afirmou que o dinheiro faz muito pouca diferença após se atingir um patamar moderado de conforto e qualidade de vida.
Buffett acrescentou que trocaria, sem hesitar, uma parcela significativa de seu patrimônio por alguns anos extras de vida ou pela liberdade de fazer o que desejasse nesses anos, resumindo sua visão final sobre riqueza e tempo, mesmo com todo o sucesso acumulado ao longo da carreia.
