Estudo da UFMT aponta expansão da demanda estadual por fertilizantes, enquanto dados de setembro mostram o peso desses insumos nas importações; proposta de centro em Várzea Grande ainda depende de estruturação, orçamento, governança e cronograma para sair do papel.
A demanda por fertilizantes em Mato Grosso poderá crescer entre 29% e 39% até 2034, segundo projeções preliminares de um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O trabalho também embasa a proposta de uma estrutura dedicada à pesquisa, ao desenvolvimento de tecnologias e a alternativas de abastecimento para a cadeia estadual.
Os resultados foram apresentados na última quarta-feira (14) a representantes do governo de Mato Grosso. Desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) e a Fundação Uniselva, o levantamento examinou oportunidades, entraves e o possível aproveitamento de resíduos agropecuários na cadeia de fertilizantes.
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A divulgação da Sedec sobre o estudo informa a faixa projetada de crescimento, mas não detalha as premissas específicas usadas em cada cenário. Os percentuais, portanto, representam estimativas condicionadas às hipóteses do estudo e à evolução futura da produção agrícola, e não um volume de consumo já contratado para 2034.
Além de estimar a demanda, o estudo procura identificar oportunidades e gargalos da cadeia e avaliar o uso de resíduos agropecuários como parte das alternativas analisadas. O diagnóstico também reuniu referências de centros de excelência em Marrocos, Alemanha, Holanda, Austrália, China e Estados Unidos.
Hub ainda depende de estruturação
O diagnóstico inclui a proposta do Hub do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), com sede planejada para o Parque Tecnológico, em Várzea Grande. A intenção apresentada é aproximar governo, universidades, empresas e produtores em atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e projetos voltados ao uso de fertilizantes.
Entre os objetivos divulgados estão melhorar o aproveitamento dos fertilizantes nas lavouras, buscar alternativas de abastecimento e atrair investimentos. A estrutura, porém, ainda não está em operação e depende de uma etapa posterior de organização institucional.
A Sedec informou que foi discutida a prorrogação do Convênio nº 1807/2025 para levar o diagnóstico à fase de estruturação do hub. A divulgação não apresenta orçamento definitivo, governança concluída ou cronograma de implantação, pontos necessários para transformar a proposta em uma unidade efetivamente em funcionamento.
O material também não quantifica quanto o eventual centro poderia reduzir custos, ampliar a oferta de fertilizantes ou modificar a origem dos insumos usados nas lavouras. Sem esses parâmetros, a proposta pode ser descrita como uma iniciativa em desenvolvimento, mas não como resultado já obtido para produtores ou fornecedores.
Fertilizantes pesaram nas importações de setembro
O peso desses insumos também aparece no comércio exterior estadual. Em setembro, Mato Grosso gastou US$ 233 milhões com importações, conforme boletim da Sedec elaborado por meio do DataHub MT, com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Nesse total mensal, fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfatados responderam por 54,5% das compras externas. Cálculo do CPG sobre o valor divulgado pela secretaria mostra que essa participação corresponde a aproximadamente US$ 127 milhões destinados aos três grupos de fertilizantes naquele mês.
O indicador é um retrato de setembro e não pode ser convertido automaticamente em participação anual. Entre janeiro e setembro, as importações totais de Mato Grosso somaram US$ 2 bilhões, mas o boletim não atribui aos fertilizantes, no acumulado do período, a mesma fatia de 54,5% registrada no mês.
Defensivos e reguladores para plantas representaram outros 22,7% das importações de setembro. Somados apenas para mostrar a composição daquele mês, esses produtos e os três grupos de fertilizantes concentraram 77,2% do valor importado, embora sejam categorias distintas e tenham funções e cadeias de fornecimento próprias.
A leitura muda quando as importações são colocadas ao lado das exportações. No mesmo mês, Mato Grosso vendeu US$ 2,1 bilhões ao exterior e registrou saldo positivo de aproximadamente US$ 1,9 bilhão; o milho, sozinho, respondeu por US$ 641,1 milhões das exportações estaduais.
De janeiro a setembro, as vendas externas chegaram a US$ 26,5 bilhões, ante US$ 2 bilhões em importações, com saldo positivo de US$ 24,5 bilhões. Esses números dimensionam o comércio estadual, mas não transformam a participação dos fertilizantes em setembro em uma medida completa da dependência de Mato Grosso desses insumos.
A projeção da UFMT e os dados de importação tratam de dimensões diferentes: uma estima a evolução futura da demanda, enquanto a outra registra o peso de determinados fertilizantes nas compras externas de um único mês. Nenhuma delas mede, por si só, o efeito que o CEFENP teria sobre preços, oferta ou abastecimento.
O próximo marco anunciado pela Sedec é o Fórum Internacional de Fertilizantes, Nutrição de Plantas e Segurança Alimentar, previsto para 18 de novembro, em Cuiabá. A programação divulgada prevê o lançamento do Movimento Mato Grosso Pró-Fertilizantes e a assinatura de um memorando de entendimento entre instituições participantes.
