Dados do Ipardes mostram que Curitiba deve perder habitantes 2050 na ordem de 97 mil moradores enquanto o fenômeno da interiorização faz cidades médias Paraná como Sarandi, Toledo e Fazenda Rio Grande ultrapassarem a marca de 200 mil pessoas nos próximos 25 anos
Curitiba está encolhendo. Segundo projeções do Ipardes, a capital paranaense deve perder habitantes 2050 na ordem de 97 mil moradores, estacionando na casa dos 1,8 milhão enquanto o interior do estado vive um fenômeno inverso. Cidades médias Paraná como Sarandi, Araucária, Fazenda Rio Grande e Toledo estão crescendo em ritmo acelerado e devem ultrapassar a marca de 200 mil habitantes nos próximos 25 anos, mudando o equilíbrio demográfico do estado inteiro.
O processo tem nome na geografia urbana: interiorização. Jovens em idade produtiva estão deixando tanto as cidades muito pequenas quanto a capital para se instalar em centros médios que já oferecem bons hospitais, faculdades, empregos e algo que Curitiba tem cada vez menos: terrenos disponíveis e moradia acessível, conforme a Tribuna. O resultado é que o Paraná, que hoje tem oito cidades com mais de 200 mil habitantes, deve ampliar esse grupo com pelo menos quatro novos municípios até 2050, três deles pertencentes a regiões metropolitanas.
Por que Curitiba vai perder 97 mil moradores segundo o Ipardes

Os dados do Ipardes indicam que Curitiba não está entrando em colapso, mas está deixando de crescer no ritmo das décadas anteriores.
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A capital deve perder habitantes 2050 porque o fluxo migratório que alimentava seu crescimento mudou de direção, e as pessoas que antes se mudavam para a metrópole agora encontram nas cidades médias Paraná o que procuram sem precisar enfrentar o custo de vida e a verticalização da capital.
Leonildo Souza, chefe do Departamento de Estudos Populacionais e Sociais do Ipardes, explica que o motor do crescimento das cidades do interior são as migrações de curta distância.
Pessoas estão saindo de municípios muito pequenos para centros médios da própria região, onde já existe infraestrutura consolidada.
Enquanto Curitiba aposta na verticalização para aproveitar o pouco espaço restante, as cidades do interior ainda conseguem crescer para os lados, com terrenos mais disponíveis e preços de moradia significativamente mais baixos.
Interiorização e cidades médias do Paraná em ascensão
O fenômeno da interiorização não é exclusivo do Paraná, mas ganha proporções relevantes no estado porque as cidades médias Paraná já têm estrutura suficiente para absorver novos moradores.
Sarandi, vizinha de Maringá, é um dos exemplos mais expressivos: a cidade deve saltar de 130 mil para mais de 200 mil moradores nos próximos 25 anos, consolidando a região de Maringá como um dos polos de crescimento mais dinâmicos do estado.
A pesquisadora Jaqueline Telma Vercezi, do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Londrina, explica que o crescimento dessas cidades está associado a fatores como qualidade de vida e políticas públicas locais.
A interiorização não significa que Curitiba está deixando de existir como polo econômico: significa que as políticas públicas estão sendo fomentadas em municípios menores e médios e, consequentemente, atraindo população que antes não via alternativa fora da capital.
Quem está saindo de Curitiba e por que escolhe o interior
A designer Jéssica Ribeiro, de 34 anos, faz parte dessa estatística. Nascida em Curitiba, ela trocou a capital pelo interior e hoje vive em Maringá.
Para ela, a mudança foi uma questão de escala: na capital, ela era apenas mais uma pessoa dentro de uma estrutura enorme; no interior, sente que tem espaço para perceber o impacto do que faz na comunidade.
Jéssica saiu de Curitiba para cursar Medicina em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e depois transferiu a matrícula para Maringá, optando por permanecer fora da capital.
As únicas saudades são a família e a variedade de opções culturais que Curitiba oferece, mas ela considera que o sossego e a proximidade com a natureza compensam.
Para o futuro, pensa em locais como o litoral do Paraná ou Santa Catarina, mas sem planos de voltar para a capital, um perfil que exemplifica a interiorização em andamento.
Crescer rápido demais também traz riscos para as cidades médias do Paraná
A pesquisadora Jaqueline Vercezi alerta que a expansão acelerada das cidades médias Paraná pode criar problemas se não for bem planejada.
O maior risco são os “vazios urbanos”: quando novos condomínios são construídos muito longe do centro, a prefeitura é obrigada a levar asfalto, luz e esgoto para áreas isoladas, encarecendo a administração da cidade inteira.
Outro ponto que o Ipardes destaca é o envelhecimento da população. As projeções indicam que os municípios serão cada vez mais urbanizados e mais envelhecidos, com menos crianças.
Isso sinaliza menor pressão sobre a educação em termos de quantidade, mas maior demanda por saúde e infraestrutura para idosos.
Para as cidades médias Paraná que estão absorvendo a população que Curitiba deixa de atrair, planejar esse crescimento com 25 anos de antecedência é a diferença entre virar uma cidade funcional e virar uma cidade com os mesmos problemas que fazem as pessoas saírem da capital.
Você ficaria em Curitiba ou iria para o interior?
Curitiba deve perder habitantes 2050 na ordem de 97 mil moradores segundo o Ipardes, enquanto a interiorização transforma cidades médias Paraná como Sarandi, Toledo e Araucária nos novos polos de crescimento do estado.
O mapa demográfico do Paraná está mudando, e nos próximos 25 anos o interior vai concentrar uma fatia cada vez maior da população que antes buscava a capital.
Você mora em Curitiba e pensa em sair? Ou já trocou a capital pelo interior? Conta nos comentários o que pesou na sua decisão e se acha que as cidades médias do Paraná estão realmente prontas para esse crescimento.

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