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Após 13 anos rodando em Marte, Curiosity da NASA faz experimento raríssimo com química avançada e aposta final para detectar moléculas ligadas à vida antiga

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 09/02/2026 às 08:09
Atualizado em 09/02/2026 às 08:13
Curiosity da NASA usa último reagente químico em experimento raro para analisar rocha marciana com possível presença de compostos orgânicos.
Curiosity da NASA usa último reagente químico em experimento raro para analisar rocha marciana com possível presença de compostos orgânicos.
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Após 13 anos de operações em Marte, o Curiosity da NASA iniciou um experimento químico raro ao utilizar a última dose de um solvente especial para analisar rochas formadas em ambiente com água, etapa considerada crítica para ampliar a compreensão sobre compostos orgânicos no planeta.

O rover Curiosity da NASA iniciou em 2 de fevereiro um experimento raro em Marte ao utilizar a última dose de um reagente químico especial para analisar uma amostra de rocha com possível presença de compostos orgânicos, após um período de conjunção e 13 anos de operações no planeta.

Curiosity da NASA e o experimento químico raro em Marte

O Curiosity da NASA passou a executar um tipo incomum de experimento científico após Marte sair da conjunção, período em que a comunicação com espaçonaves é interrompida porque o planeta fica atrás do Sol do ponto de vista da Terra. O procedimento foi realizado apenas uma vez antes ao longo da missão.

O experimento utiliza um solvente chamado hidróxido de tetrametilamônio, conhecido como TMAH em metanol. O líquido é misturado a rocha pulverizada para facilitar a detecção de determinadas moléculas à base de carbono associadas a processos químicos relacionados à vida conhecida na Terra.

O laboratório embarcado do Curiosity da NASA levou apenas dois pequenos recipientes desse solvente durante toda a missão. Um deles havia sido utilizado cerca de seis anos atrás, tornando a atual análise a última oportunidade de empregar o composto químico específico.

Planejamento e redução de riscos na execução do teste

Antes da execução definitiva, a equipe científica realizou ensaios detalhados para minimizar riscos operacionais. Os testes incluíram a simulação da transferência da amostra para o laboratório químico do rover, conforme registrado em relatórios da missão.

“Queremos ter muita certeza de que tudo vai correr bem”, afirmou Alex Innanen, cientista atmosférico da York University, em um registro oficial. Segundo ele, a equipe realizou um ensaio completo do procedimento de entrega da amostra.

A técnica oferece a possibilidade de identificar indícios químicos que métodos padrão podem não detectar. A identificação dessas moléculas auxilia pesquisadores a avaliar se Marte já apresentou condições compatíveis com a presença de vida e como processos químicos semelhantes aos da Terra podem surgir em outros mundos.

Resultados anteriores e contexto científico recente

Compostos orgânicos já foram identificados anteriormente em Marte, embora o significado científico dessas detecções ainda esteja em análise. Em setembro, a NASA anunciou que uma amostra coletada pelo rover Perseverance continha material fossilizado que poderia ter sido produzido por microrganismos antigos.

Segundo Nicky Fox, administradora associada da agência, esse achado representa a maior aproximação até o momento da identificação de vida antiga em Marte. No entanto, autoridades ressaltaram que explicações não biológicas ainda não podem ser descartadas.

Imagens obtidas pelo orbitador Mars Reconnaissance Orbiter revelaram formações conhecidas como boxwork no planeta. Essas estruturas, visíveis a partir da órbita, estão sendo investigadas diretamente pelo Curiosity da NASA na superfície marciana.

Local da coleta e características geológicas da amostra

A amostra analisada foi coletada em um local próximo a um furo perfurado em novembro, denominado Nevado Sajama. A região contém rochas sedimentares de granulação fina, consideradas formadas há muito tempo em condições envolvendo água.

Esse tipo de ambiente é considerado favorável à preservação de materiais orgânicos fossilizados. A presença passada de água torna o local relevante para buscas científicas, já que ambientes aquosos são associados a processos químicos essenciais à vida conhecida.

Para evitar erros, a equipe treinou previamente cada etapa da transferência do material para o laboratório químico do rover. O início formal do experimento ocorreu em uma segunda-feira, 2 de fevereiro, segundo Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity da NASA.

Experimentos anteriores com TMAH e reformulação do método

A última utilização do TMAH ocorreu em 2020, quando o Curiosity da NASA perfurou uma rocha rica em argila chamada Mary Anning. A análise dos resultados levou cerca de sete meses e revelou uma variedade maior de moléculas orgânicas do que métodos baseados apenas em aquecimento.

Esses resultados ofereceram uma visão mais detalhada da química complexa da Cratera Gale. Os cientistas continuam avaliando se parte dessas moléculas poderia ter origem em componentes do próprio rover, o que exige cautela na interpretação dos dados.

Após o teste inicial, pesquisadores do Goddard Space Flight Center decidiram redesenhar o experimento. O objetivo foi ajustar a interação do solvente com o sedimento marciano e aproximar o procedimento de análises realizadas em laboratórios terrestres.

O novo método divide o experimento em três etapas, permitindo que o solvente interaja com o sedimento em diferentes temperaturas. O desenvolvimento levou vários anos e sofreu atrasos devido à pandemia de COVID-19.

Escolha do momento e relevância das argilas

Com a finalização do redesenho, a equipe aguardou uma oportunidade adequada para executar o experimento. A descoberta de minerais de argila na região de boxwork levou os cientistas a considerar o local apropriado para o uso final do TMAH.

Minerais de argila podem contribuir para a preservação de material orgânico ao longo do tempo. Segundo Vasavada, a combinação dessa descoberta com sinais favoráveis do furo inicial em Nevado Sajama convenceu a missão de que o local era adequado para o teste final.

Desde o lançamento em 2011, o Curiosity da NASA percorreu mais de 352.000.022 milhas, sendo 352 milhões durante o trajeto espacial e outras 22,5 na superfície marciana, atravessando desertos e formações geológicas diversas.

Região de boxwork e solventes remanescentes

No último ano, o rover explorou uma extensa região de boxwork, caracterizada por redes de cristas baixas que lembram teias de aranha quando observadas do espaço. Cientistas sugerem que essas estruturas podem ter se formado com os últimos fluxos de água subterrânea antes do ressecamento definitivo da área.

Dos 74 compartimentos internos do Curiosity da NASA, nove continham solventes destinados a experimentos de química úmida quando o rover pousou em 2012. Embora o TMAH tenha sido totalmente utilizado, ainda restam compartimentos com outro solvente, conhecido pela sigla MTBSTFA.

Duas das três fases do experimento atual já foram concluídas, segundo Vasavada. Ele afirmou que a equipe está ansiosa pelos resultados, mas ressaltou que a análise é complexa e exigirá alguns meses para que os cientistas tenham confiança no que foi encontrado, mesmo com um pequeno atraso na interprtação dos dados.

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porntude
porntude
10/02/2026 06:13

A really good blog and me back again.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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