Cuba enfrenta apagões massivos, escassez de combustível e pressão externa sobre o petróleo em meio ao agravamento da crise elétrica e do custo da energia.
A crise energética em Cuba entrou em uma fase mais dura em março de 2026. Novos apagões em larga escala voltaram a atingir a ilha e reforçaram um cenário que já vinha se agravando com menos combustível disponível, usinas antigas e dificuldade para sustentar a geração elétrica.
O impacto já aparece na vida diária. Em várias regiões, a falta de eletricidade e de combustível alterou o transporte, prejudicou a conservação de alimentos e levou parte da população a recorrer a carvão e lenha para cozinhar.
Apagão de março expôs a fragilidade do sistema cubano
No início de março de 2026, uma falha na termoelétrica Antonio Guiteras provocou um apagão de grande escala que atingiu boa parte do oeste cubano, incluindo Havana. A reconexão foi gradual, mas o episódio mostrou mais uma vez que o sistema opera com margem muito pequena para absorver falhas.
-
Muro de Trump avança em ritmo acelerado: governo promete concluir barreira de mais de 3 mil km até 2027 enquanto drones e cartéis transformam a fronteira dos EUA em novo campo de disputa tecnológica
-
Mudança inesperada na China redefine regras para exportação de tecnologia em 2026 e coloca empresas brasileiras diante de novos desafios comerciais, exigências regulatórias e adaptações estratégicas que podem alterar investimentos, cadeias produtivas e acordos bilionários
-
China prepara mBridge, novo sistema de pagamentos digitais com blockchain que promete transações em segundos, taxas menores e avanço do renminbi digital enquanto mira reduzir dependência do dólar no comércio global
-
Porta-aviões chinês Liaoning realiza cerca de 170 decolagens e pousos no Pacífico Ocidental, mas vigilância japonesa transforma treino em alerta regional: Pequim nega alvo específico enquanto Tóquio monitora frota que passou a 590 km de Miyakojima e reacende tensão na Ásia
O problema não se resume a uma usina. Cuba depende de um parque termoelétrico envelhecido, com manutenção difícil e forte necessidade de combustível importado. Quando uma unidade importante sai de operação, o efeito se espalha rapidamente pelo restante da rede.

Menos petróleo da Venezuela apertou ainda mais a geração
A redução dos envios de petróleo da Venezuela aparece como um dos fatores centrais para entender o agravamento da crise. Em janeiro de 2026, a pressão dos Estados Unidos sobre a rede de exportações venezuelanas já era tratada como ameaça direta ao abastecimento cubano.
O efeito foi sentido no fornecimento de eletricidade e também no abastecimento interno. Com menos combustível disponível, o governo passou a trabalhar com menos espaço para manter usinas ativas, sustentar o transporte e evitar novos cortes prolongados.
Importações encolheram e o país perdeu margem de reação
Em novembro de 2025, Cuba já enfrentava um quadro muito delicado. De acordo com Reuters, agência internacional de notícias com ampla cobertura econômica e geopolítica, as importações cubanas vindas do México haviam caído 73%, para cerca de 5 mil barris por dia, enquanto os envios venezuelanos também recuavam e os apagões passavam de 9 horas em Havana, com áreas do interior recebendo só algumas horas de energia por dia.
Esse aperto ajuda a explicar por que a crise se tornou mais visível em 2026. Sem um fluxo regular de combustível e com usinas antigas, qualquer falha técnica ou atraso logístico ganha peso estratégico e muda a rotina do país inteiro.
Lenha, carvão e filas mostram o peso da crise no cotidiano
A falta de energia já ultrapassou o campo técnico e entrou de vez no cotidiano das famílias. Há registros recentes de cubanos cozinhando com lenha e carvão, uma imagem que resume o nível de deterioração do abastecimento energético na ilha.
Também há relatos consistentes de escassez severa de combustível e de longas esperas para abastecer. O que não aparece com respaldo sólido nas fontes mais confiáveis é uma medida exata e nacional de filas com 2 quilômetros, por isso a formulação mais segura é falar em filas longas e racionamento forte, sem transformar essa distância em dado fechado.
Guerra no Oriente Médio piora o cenário para um país já pressionado
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã adicionou uma nova camada de pressão ao mercado global de energia. Em 9 de março de 2026, o petróleo disparou com o temor de interrupções de oferta e de riscos em rotas estratégicas do comércio mundial de óleo.
Para Cuba, isso pesa de forma direta. Um país que já enfrenta falta de divisas, dificuldade para importar e geração interna frágil passa a disputar combustível em um mercado mais caro, mais tenso e mais sensível a movimentos geopolíticos. Isso pressiona a região e muda a leitura estratégica do Caribe.

Rússia e China ainda aparecem como apoio, não como retração comprovada
Parte das versões que circulam associa a crise cubana a uma suposta retenção generalizada de petróleo por países parceiros. O que está confirmado até aqui aponta em outra direção em pelo menos dois casos relevantes. Em fevereiro de 2026, surgiram informações sobre novos envios russos de petróleo e combustível para a ilha, enquanto a China declarou disposição para ajudar Cuba diante da escassez de combustível de aviação.
No caso do Vietnã, há medidas recentes para proteger o abastecimento interno diante da alta do petróleo, mas não há base sólida nas fontes consultadas para afirmar que o país esteja retendo óleo que normalmente seria destinado a Cuba. Em um tema tão sensível, essa diferença importa porque separa contexto internacional de fato comprovado.
Cuba vive hoje uma crise energética que junta apagões, menos combustível, infraestrutura desgastada e pressão externa sobre o petróleo. O resultado aparece na rua, nas casas e no funcionamento básico do país.
Sem uma entrada mais estável de combustível e sem melhora consistente na geração, o cenário segue vulnerável a novas quedas e novos racionamentos. Mais do que um problema técnico, a crise já virou um tema de presença, influência e disputa que reposiciona a América Latina no radar energético do continente.


Seja o primeiro a reagir!