Proposta da Huaxin foi escolhida entre concorrentes e abre uma etapa decisiva nas negociações, enquanto grupo brasileiro busca reduzir seu endividamento.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) assinou nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, um acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin Building Materials Group para negociar a venda da CSN Cimentos Brasil, divisão avaliada em R$ 12,7 bilhões. A proposta foi escolhida após um processo competitivo iniciado em março, mas a transferência do negócio ainda não foi concluída. A companhia pretende assinar os documentos definitivos nos próximos dias.
Segundo reportagem publicada pelo Indústria News em 30 de outubro, a negociação envolve uma das maiores produtoras de cimento do país. O fato relevante divulgado pela CSN confirma o prazo de exclusividade, a escolha da Huaxin e o valor atribuído à operação, que faz parte da estratégia de venda de ativos para reduzir o endividamento do grupo.
Chinesa Huaxin ganha exclusividade de dez dias para negociar compra da CSN Cimentos

O acordo anunciado pela CSN dá à Huaxin Building Materials Group um período exclusivo para avançar na formalização da compra de ações da CSN Cimentos Brasil.
-
Indústria brasileira recebe R$ 755 bilhões em crédito, mas enfrenta um contraste na produção
-
Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir unidade desativada e prevê 800 empregos em MG
-
BNDES aprova R$ 100 milhões para Teuto modernizar fábrica em Goiás e ampliar produção de genéricos para diabetes e pressão alta
-
BNDES aprova R$ 86,7 milhões para Bauminas ampliar produção e construir fábrica de coagulantes de 9,3 mil toneladas por mês em MG
Durante esses dez dias, as duas empresas deverão trabalhar na elaboração e assinatura dos documentos definitivos. A CSN informou ao mercado que a proposta da companhia chinesa foi a mais vantajosa entre as recebidas.
A escolha representa uma nova etapa de um processo de venda iniciado em março de 2026, que já havia provocado manifestações da companhia ao mercado em janeiro, agosto e outubro.
Em 20 de outubro, a CSN informou que as negociações estavam em fase final. Na ocasião, a empresa também afastou a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial de ações da divisão de cimentos como alternativa à venda.
A reportagem do UOL, publicada pela jornalista Mônica Scaramuzzo, informou que a Votorantim, em conjunto com a cimenteira italiana Cimentir, também participou da disputa.
A negociação ainda dependerá da conclusão dos contratos e de etapas regulatórias aplicáveis. O acordo de exclusividade, isoladamente, não altera o controle das fábricas.
Valor de R$ 12,7 bilhões não representa pagamento integral à CSN
Um dos principais pontos da negociação está na diferença entre o valor atribuído à CSN Cimentos e o montante que poderá entrar efetivamente no caixa da controladora.
Os R$ 12,7 bilhões representam o chamado enterprise value, indicador utilizado para avaliar uma empresa considerando seu valor econômico e sua estrutura de financiamento.
O valor não equivale automaticamente ao preço das ações ou ao pagamento líquido recebido pelos acionistas vendedores.
Segundo análise do Citi, divulgada pelo UOL em 30 de outubro, a divisão de cimentos possui dívida líquida estimada em aproximadamente R$ 3 bilhões.
Com base nessa estimativa, o banco calcula que o valor patrimonial do negócio seria de cerca de R$ 9,7 bilhões. Essa quantia ainda não corresponde necessariamente ao pagamento final, que dependerá das condições contratuais.
O Citi também informou que a avaliação de R$ 12,7 bilhões representa aproximadamente 7,5 vezes o Ebitda projetado da CSN Cimentos para 2026, estimado em R$ 1,7 bilhão.
O Ebitda mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O indicador é utilizado para comparar o desempenho de empresas e avaliar operações de compra e venda.
A CSN ainda não divulgou as condições definitivas de pagamento nem os ajustes financeiros que poderão integrar a transação.
Venda pode reduzir dívida de R$ 42,1 bilhões e aliviar pressão financeira
A possível alienação da divisão de cimentos faz parte do plano da CSN para reduzir a dívida e reorganizar sua estrutura de capital.
Segundo a XP Investimentos, a dívida líquida consolidada da companhia estava em aproximadamente R$ 42,1 bilhões.
Caso a venda seja concluída nos termos considerados pelos analistas, a XP estima que esse valor poderá recuar para cerca de R$ 29,4 bilhões.
A redução projetada é de R$ 12,7 bilhões na dívida líquida consolidada, mas isso não significa que todo esse montante será recebido em dinheiro. O cálculo envolve a retirada dos ativos, das obrigações e dos resultados da CSN Cimentos da consolidação financeira do grupo.
A corretora também estima que o indicador de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda, poderá cair de aproximadamente 3,5 para 2,8 vezes.
Em outra análise, a XP avaliou que parte dos recursos poderá ser direcionada à amortização de um empréstimo-ponte contratado em 2026. Essa destinação ainda representa uma projeção dos analistas, não uma decisão definitiva divulgada pela CSN.
A gestão do endividamento ganhou relevância diante das condições de financiamento no Brasil. Em outubro, o CPG acompanhou a disparada dos juros no mercado, que levou o Tesouro Nacional a realizar recompras de títulos públicos.
CSN Cimentos possui capacidade de 16,3 milhões de toneladas por ano

A operação negociada com a Huaxin reúne uma estrutura industrial construída pela CSN ao longo de quase duas décadas.
A companhia iniciou sua atuação no segmento de cimento em 2009, com produção no Rio de Janeiro. Posteriormente, ampliou suas operações com a fábrica de Arcos, em Minas Gerais, inaugurada em 2015.
O crescimento ganhou escala por meio de aquisições. Em 2021, a CSN comprou a Elizabeth Cimentos e, no ano seguinte, incorporou os ativos brasileiros da LafargeHolcim.
Conforme informações reunidas pelo Indústria News, essas operações elevaram a capacidade instalada da divisão para aproximadamente 16,3 milhões de toneladas de cimento por ano.
A estrutura inclui fábricas integradas, unidades de moagem, reservas de calcário, operações de concreto e agregados e instalações de distribuição.
A CSN passou a ocupar a segunda posição entre as maiores produtoras de cimento do Brasil, segundo os dados apresentados pela companhia e reproduzidos na reportagem original.
Essa rede industrial permite atender diferentes mercados regionais, mas também exige investimentos recorrentes em manutenção, transporte e modernização.
A importância dos custos de produção para a indústria brasileira aparece em outras atividades. O CPG mostrou que a indústria de fundição em Minas Gerais enfrenta pressão sobre a demanda e maior concorrência de produtos importados.
Fábricas de cimento utilizam insumos ligados à operação siderúrgica da CSN
A divisão de cimentos possui características industriais que ajudam a explicar sua integração histórica com os demais negócios da CSN.
Na produção de cimento, o calcário é processado e transformado em clínquer, material que posteriormente passa por moagem e mistura com outros componentes.
O grupo também aproveita escória de alto-forno gerada na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, como matéria-prima para determinados tipos de cimento.
A utilização desse subproduto conecta a siderurgia à fabricação de materiais de construção. Entretanto, os termos comerciais para o fornecimento de insumos após uma eventual venda ainda não foram detalhados.
Essa relação entre diferentes processos industriais é relevante porque uma mudança de controle pode exigir a revisão de contratos de fornecimento, logística e serviços compartilhados.
A disponibilidade de transporte também influencia a competitividade da produção de cimento, especialmente em operações com grande movimentação de matérias-primas.
No CPG, o crescimento do transporte de cargas por hidrovias foi abordado em levantamento sobre os diferentes corredores logísticos brasileiros.
No caso da CSN Cimentos, os possíveis efeitos sobre fábricas, fornecedores e centros de distribuição dependerão do formato definitivo da aquisição.
Compra pela Huaxin ainda precisa de contratos definitivos e análise regulatória
A eventual entrada da Huaxin no controle da CSN Cimentos poderá ampliar a presença do grupo chinês no mercado brasileiro de materiais de construção.
A companhia chinesa atua internacionalmente na produção de cimento e em negócios relacionados à cadeia de materiais para construção.
O avanço da negociação ocorre após a CSN selecionar sua proposta como a mais vantajosa no processo competitivo. A decisão, entretanto, não representa autorização automática para concluir a aquisição.
De acordo com o UOL, a transação precisará passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável pela análise concorrencial de operações que atendem aos critérios legais de notificação.
A avaliação regulatória considera os mercados envolvidos, a participação das empresas e possíveis efeitos sobre a concorrência. Até que as etapas necessárias sejam concluídas, não é possível afirmar que a Huaxin assumiu o controle da divisão.
O prazo anunciado pela CSN para a exclusividade é de dez dias, contados de 30 de outubro. A companhia espera formalizar os documentos definitivos nesse intervalo.
A próxima etapa será a divulgação dos termos finais do contrato, incluindo o preço das ações, os ajustes financeiros, as condições de fechamento e as aprovações necessárias.
