Sem caixa no início de 2026, o Criciúma decidiu negociar o próprio ônibus e, mesmo vendido, seguirá rodando para elenco e base por contrato de terceirização; o time da série B busca cortar manutenção e depreciação, reforçar o caixa com R$ 1,7 milhão e sobreviver sem perder operação do clube
A crise financeira chegou ao limite no Criciúma Esporte Clube, e o time da série B do Campeonato Brasileiro adotou uma medida emergencial para reforçar o caixa logo no começo da temporada. O clube optou por vender o ônibus próprio, comprado em fevereiro de 2024 por cerca de R$ 2 milhões, numa tentativa de ganhar fôlego sem paralisar a rotina.
O veículo, um Scania K450C NB Euro 6, foi negociado por aproximadamente R$ 1,7 milhão com a empresa Adenilde Turismo. Mesmo com a venda, a logística segue, e o ônibus continuará atendendo a equipe profissional e as categorias de base, agora como serviço terceirizado, em vez de ativo no patrimônio.
Negociação do ônibus e números do corte de caixa
O que era um bem do clube virou um recurso imediato para tapar um buraco de curto prazo.
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O Criciúma vendeu o ônibus adquirido em fevereiro de 2024 por cerca de R$ 2 milhões e fechou a negociação por aproximadamente R$ 1,7 milhão, buscando transformar patrimônio em liquidez.
Na prática, o time da série B troca um ativo que se desvaloriza por dinheiro em caixa no início de 2026.
A diferença entre o valor de compra e o valor de venda expõe o peso da depreciação em um período curto, exatamente no momento em que a diretoria precisava de resposta rápida.
Por que o clube abriu mão do próprio ativo
A avaliação interna considerou que o custo anual de manutenção e a depreciação do veículo não compensavam sua permanência no patrimônio, especialmente diante da falta de recursos em caixa.
É a lógica de gestão pressionada: reduzir despesas recorrentes e evitar que um bem caro vire um dreno permanente.
Para um time da série B, qualquer gasto fixo alto em logística pode virar gargalo quando o calendário exige deslocamentos, concentração e operação contínua.
A decisão de vender e manter o uso contratado sugere uma tentativa de estabilizar custos e impedir que a crise avance para áreas ainda mais sensíveis.
Terceirização mantém deslocamentos do elenco e da base
A venda não significa que o ônibus saiu da rotina.
O veículo seguirá plotado com as cores do clube e continuará sendo usado em deslocamentos para aeroportos e viagens para jogos por via terrestre.
A mudança central é contratual: o Criciúma passa a pagar pelo uso como prestação de serviço.
Esse modelo preserva o básico para o time da série B atravessar a temporada: deslocamento do elenco, suporte às categorias de base e previsibilidade operacional.
Ao mesmo tempo, o clube deixa de carregar no balanço a manutenção e a perda de valor do ônibus como patrimônio próprio.
De ação de marketing a símbolo do momento financeiro
Em 2024, o ônibus também foi usado em ações de marketing, com viagens por cidades da região para mobilizar a torcida na campanha de permanência na Série A, meta que não foi alcançada.
Agora, o mesmo veículo vira sinal concreto de aperto, saindo do papel promocional para o centro da discussão financeira.
Adquirido na gestão do então presidente Vilmar Guedes, o ônibus se tornou um marcador do momento delicado do clube carvoeiro.
Quando um time da série B vende um bem tão visível, a decisão deixa de ser só contábil e passa a comunicar urgência, dentro e fora do vestiário.
Ajuste imediato para evitar travamento administrativo
A venda reforça a necessidade de ajustes rápidos para equilibrar contas e garantir o funcionamento básico da estrutura esportiva ao longo da temporada.
O Criciúma optou por cortar ativos, manter a logística via terceirização e tentar sustentar elenco e operação sem colapsar a administração.
No retrato de um time da série B, a medida tem leitura dupla: alívio de curto prazo e sinal de que a margem de erro ficou mínima.
Quando a sobrevivência depende de converter patrimônio em caixa, cada decisão vira termômetro do que ainda pode ser preservado.
Você acha que vender um ativo como o ônibus é uma decisão responsável de gestão ou um sinal de alerta definitivo para um time da série B em 2026?

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