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Criado para parecer um simples barco de pesca nos radares inimigos, este gigantesco navio de guerra de 190 metros dos EUA foi concebido para atacar quase invisível, combinando furtividade, automação e uma capacidade tecnológica que parece saída de ficção

Escrito por Ana Alice
Publicado em 24/04/2026 às 23:12
Atualizado em 24/04/2026 às 23:44
Conheça o USS Zumwalt, destróier furtivo de 186 metros da Marinha dos EUA que reduz a assinatura no radar e desafia a detecção no mar. (Imagem: Ilustrativa)
Conheça o USS Zumwalt, destróier furtivo de 186 metros da Marinha dos EUA que reduz a assinatura no radar e desafia a detecção no mar. (Imagem: Ilustrativa)
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Um contratorpedeiro de grande porte chama atenção pela engenharia furtiva, pelo casco incomum e pela capacidade de reunir sensores, propulsão elétrica e armas de longo alcance em uma única plataforma naval.

O USS Zumwalt (DDG 1000), contratorpedeiro furtivo da Marinha dos Estados Unidos, foi projetado para reduzir a assinatura em radares apesar de ter dimensões de um navio militar de grande porte.

Segundo a Naval Sea Systems Command, órgão da Marinha norte-americana responsável por sistemas navais, a embarcação mede 186 metros de comprimento, desloca 15.995 toneladas métricas e usa um casco do tipo tumblehome, com laterais inclinadas para dentro.

Esse formato ajuda a direcionar as ondas de radar para longe da fonte emissora, reduzindo a assinatura radar do navio.

Quanto menor esse retorno, mais difícil pode ser a identificação e o acompanhamento do alvo por sensores adversários, dependendo das condições de operação e do tipo de radar usado.

Com isso, um contratorpedeiro de grande porte pode ser percebido por determinados sistemas de detecção como uma embarcação muito menor.

Como o casco do USS Zumwalt reduz a assinatura no radar

A diferença mais perceptível no Zumwalt está no desenho do casco.

O modelo wave-piercing tumblehome tem laterais inclinadas para dentro e uma proa voltada a cortar as ondas, solução que se distancia do formato mais comum de muitos navios militares de superfície.

De acordo com a Marinha dos EUA, esse desenho, combinado à superestrutura e ao arranjo das antenas, foi adotado para reduzir a assinatura radar.

Em vez de várias superfícies expostas, mastros aparentes e equipamentos salientes, o navio concentra boa parte dos componentes em linhas contínuas e anguladas.

Na prática, o projeto tenta controlar a forma como as ondas eletromagnéticas atingem o navio e retornam ao radar.

Esse princípio também aparece em aeronaves furtivas, embora a aplicação em embarcações envolva limitações próprias do ambiente marítimo, como ondas, corrosão, estabilidade, autonomia e necessidade de grande capacidade interna.

Por que um navio desse porte busca parecer menor no radar

Em operações navais, a detecção antecipada pode influenciar a tomada de decisão, o posicionamento da força e o uso de armas de longo alcance.

Por isso, navios projetados com menor assinatura podem ganhar tempo operacional antes de serem identificados com precisão.

No caso do Zumwalt, a furtividade é apenas uma das camadas do projeto.

A embarcação também reúne sensores, sistemas de comunicação, propulsão elétrica integrada e lançadores verticais.

A Marinha dos EUA classifica a classe como uma plataforma de múltiplas missões, com capacidade para dissuasão, controle marítimo, projeção de poder e comando e controle.

Essa concepção ajuda a explicar por que o formato externo recebeu tanta atenção.

O casco e a superestrutura não cumprem apenas função hidrodinâmica ou estrutural; eles também fazem parte do esforço para reduzir a exposição do navio a sistemas de detecção.

Propulsão elétrica integrada sustenta sensores e sistemas de combate

Outro elemento técnico relevante do Zumwalt é o Sistema de Propulsão Elétrica Integrada.

Segundo a Naval Sea Systems Command, a classe conta com 78 megawatts de potência instalada, distribuídos entre geradores, motores de indução avançados, sensores, sistemas de bordo e cargas de combate.

A Marinha afirma que o DDG 1000 foi o primeiro combatente de superfície norte-americano a empregar esse tipo de sistema integrado, capaz de alocar energia para propulsão, serviços internos do navio e sistemas de combate conforme a necessidade operacional.

Esse arranjo diferencia o Zumwalt de navios que dependem mais diretamente de sistemas mecânicos convencionais.

Além de mover a embarcação, a rede elétrica interna foi concebida para sustentar equipamentos de alto consumo energético, o que abriu espaço para futuras adaptações tecnológicas.

Mudança dos canhões de 155 mm para armas de longo alcance

O projeto original do Zumwalt incluía dois Sistemas de Canhão Avançado de 155 mm.

Documentos públicos da Marinha indicam que esses canhões foram planejados para disparar projéteis de ataque terrestre de longo alcance e atuar em apoio a operações em áreas costeiras.

Esse plano foi alterado.

Em dezembro de 2024, a Huntington Ingalls Industries informou que o USS Zumwalt passou por modernização em Pascagoula, no Mississippi, para receber o sistema Conventional Prompt Strike.

Durante o trabalho, os dois canhões originais de 155 mm foram substituídos por novos tubos de mísseis.

Com essa atualização, o navio passou a ser preparado para uma função diferente da prevista em parte do desenho inicial.

A fabricante Bath Iron Works afirma que a classe Zumwalt deve receber o Large Missile Vertical Launch System, destinado a permitir o emprego do míssil Conventional Prompt Strike, descrito pela empresa como uma variante hipersônica.

Sensores, mísseis e operação em rede no DDG 1000

A ficha técnica da Naval Sea Systems Command informa que a classe Zumwalt possui 80 células de lançamento vertical para mísseis Tomahawk, Evolved Sea Sparrow Missile, Standard Missiles e foguetes antissubmarino ASROC.

A mesma documentação também lista radar multifuncional SPY-3, sonares de proa de alta e média frequência, array rebocado multifuncional e sistema eletro-óptico e infravermelho.

Esses sistemas indicam que a embarcação foi pensada para operar conectada a outras plataformas.

Em vez de atuar apenas como um navio isolado, o Zumwalt pode compartilhar dados e integrar informações em missões que envolvam outras unidades navais, aeronaves e estruturas de comando.

A Marinha dos EUA também apontou, ao aceitar a entrega do navio em 2020, que o DDG 1000 serviria para acelerar novas capacidades de combate e validar táticas, técnicas e procedimentos operacionais.

Esse papel de desenvolvimento ajuda a entender por que a classe permaneceu relevante mesmo sem ter sido produzida em grande número.

Classe Zumwalt reúne três navios e tecnologias em teste

A classe Zumwalt foi limitada a três navios.

O USS Zumwalt é o primeiro da série; o USS Michael Monsoor é o segundo; e o Lyndon B. Johnson é o terceiro.

A Naval Sea Systems Command lista as três unidades na página oficial do programa DDG 1000.

Mesmo com frota reduzida, a classe reúne soluções que podem ser aplicadas ou estudadas em outros programas navais.

A Bath Iron Works cita, entre os avanços demonstrados no DDG 1000, o sistema elétrico integrado, a automação de controle do navio, recursos de controle de danos, arquitetura de comando e controle integrada e desenho externo de baixa observabilidade.

A automação também aparece como parte importante do projeto.

A ficha da Naval Sea Systems Command informa acomodações para 186 pessoas, número inferior ao observado em muitos navios de superfície de porte semelhante, embora a composição da tripulação possa variar de acordo com missão, destacamento aéreo e fase operacional.

Imagem: U.S Navy - Foto: Reprodução/Petty Officer 3rd Class Emiline L. M. Senn
Imagem: U.S Navy – Foto: Reprodução/Petty Officer 3rd Class Emiline L. M. Senn

Engenharia naval e baixa observabilidade no mar

O interesse científico em torno do Zumwalt está na combinação entre escala e discrição eletromagnética.

O navio tem massa, comprimento e capacidade de armamento de um combatente de superfície de grande porte, mas sua geometria busca reduzir a forma como ele aparece em determinados sistemas de detecção.

Essa característica não elimina vulnerabilidades nem garante invisibilidade.

O próprio vocabulário técnico usado pela Marinha fala em redução de seção reta radar e menor visibilidade a radares inimigos, não em desaparecimento completo.

A trajetória do DDG 1000 também mostra como projetos militares podem mudar de função ao longo do tempo.

Os canhões de 155 mm faziam parte do conceito original, mas a modernização recente deslocou o foco para mísseis de longo alcance e integração de novas armas.

A plataforma, nesse cenário, passou a servir como base para capacidades diferentes das planejadas no início do programa.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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