Contração ficou concentrada no financiamento a juros de mercado, enquanto as fontes controladas recuaram em ritmo menor. Mato Grosso registrou a maior perda nominal entre os três estados, e a redução também atingiu Goiás e Mato Grosso do Sul.
O crédito rural contratado a taxas de mercado perdeu R$ 8,13 bilhões em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás nos três primeiros meses da safra 2026/27. Entre julho e setembro, bancos e cooperativas liberaram R$ 4,14 bilhões nessas linhas, 66,2% abaixo dos R$ 12,27 bilhões do mesmo intervalo de 2025.
O cálculo do Campo em Pauta foi feito com microdados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), mantido pelo Banco Central. O recorte considera operações contratadas a juros de mercado, sem o mesmo mecanismo de subvenção associado às linhas controladas.
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No conjunto das três unidades, o crédito rural total caiu de R$ 24,53 bilhões para R$ 15,27 bilhões, redução de 37,7%. As linhas livres responderam por 87,7% dessa diferença, enquanto os recursos controlados tiveram retração bem menor, de 9,3%, para R$ 11,13 bilhões.
Banco do Brasil concentra a maior queda
O Banco do Brasil apresentou a retração mais acentuada entre os grandes financiadores considerados no levantamento. As operações a taxas livres da instituição nos três estados diminuíram de R$ 5,44 bilhões para R$ 459,5 milhões, uma redução de 91,5% em um ano.
A queda também apareceu na quantidade de contratos. O conjunto das linhas a juros de mercado passou de 4.414 operações entre julho e setembro de 2025 para 1.244 no mesmo período deste ano.
Em Mato Grosso, o volume do Banco do Brasil recuou de R$ 2,38 bilhões para R$ 252,5 milhões. Em Goiás, caiu de R$ 2,32 bilhões para R$ 148,2 milhões, enquanto Mato Grosso do Sul registrou redução de R$ 737 milhões para R$ 58,9 milhões.
A contração, portanto, não ficou restrita a uma única praça. O movimento apareceu nos três principais mercados agrícolas do Centro-Oeste analisados, embora os valores absolutos e a intensidade da queda tenham variado entre eles.
Mato Grosso registrou a maior perda nominal no conjunto das instituições. O crédito a juros de mercado caiu de R$ 6,78 bilhões para R$ 2,05 bilhões, retração de 69,8%, e a participação dessas fontes no total contratado no estado passou de 59,5% para 31,4%.
Em Goiás, as operações livres diminuíram 66,5%, para R$ 1,3 bilhão. Mato Grosso do Sul teve retração de 50,5%, para R$ 797,1 milhões.
Linhas controladas ganham peso na composição
A diferença de comportamento entre as fontes mudou a composição do crédito rural contratado na região. As linhas a juros de mercado, que representavam metade do volume registrado nos três estados no primeiro trimestre da safra anterior, passaram a responder por 27,1%.
No grupo dos recursos controlados estão fontes como recursos obrigatórios, poupança rural e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) equalizadas, Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e recursos do BNDES. O volume conjunto desse bloco recuou para R$ 11,13 bilhões.
A composição interna também mudou. A poupança rural não controlada, utilizada em financiamentos com taxas livremente pactuadas, caiu de R$ 4,81 bilhões para R$ 431,8 milhões nos três estados, redução de 91%.
As operações com LCA a taxas livres diminuíram de R$ 6,27 bilhões para R$ 2,91 bilhões, queda de 53,5%. Entre as fontes controladas, porém, a LCA equalizada avançou 19%, para R$ 4,09 bilhões, enquanto a poupança rural equalizada superou R$ 1 bilhão no trimestre.
Esse crescimento em algumas fontes não impediu a redução do total controlado. Os recursos obrigatórios, formados pela parcela dos depósitos à vista direcionada ao crédito rural, recuaram de R$ 5,55 bilhões para R$ 3,2 bilhões, e o FCO caiu 7,5%, para R$ 1,8 bilhão.
A retração das linhas de mercado também ocorreu no conjunto do país. Entre julho e setembro, essas operações diminuíram 54,9%, de R$ 36,99 bilhões para R$ 16,68 bilhões, enquanto o crédito com recursos controlados recuou 7,1%, para R$ 71,07 bilhões.
Os números analisados representam concessões registradas no sistema, e não toda a necessidade de financiamento dos produtores para custeio, investimento, comercialização ou industrialização. Na Matriz de Dados do Crédito Rural, o Banco Central define o valor informado como o montante efetivamente liberado ao beneficiário e sujeito aos custos financeiros da operação.
A autoridade monetária também informa que os registros podem ser alterados pelas instituições financeiras com inclusões, exclusões ou revisões. Por isso, os dados do primeiro trimestre da safra descrevem o crédito efetivamente registrado no período, mas não permitem identificar, isoladamente, as razões individuais para cada operação que deixou de ser contratada.
