Custo da construção civil em Minas Gerais chega a R$ 1.866,17 por m² em setembro de 2026, com alta de 6,72% em 12 meses, segundo o IBGE.
Construir ou reformar em Minas Gerais ficou mais caro em setembro de 2026, quando o custo médio da construção civil alcançou R$ 1.866,17 por metro quadrado. Embora o aumento mensal tenha sido de apenas 0,09%, o estado acumulou uma elevação de 6,72% em 12 meses, em um cenário marcado por juros elevados e dificuldades no financiamento imobiliário. Os números são do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal.
Mesmo abaixo da média brasileira de R$ 1.999,73 por metro quadrado, o custo mineiro continua sendo um ponto de atenção para o setor. O economista Ítalo Spinelli, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), avalia que as condições econômicas também dificultam investimentos e a compra de imóveis, especialmente para consumidores que dependem de financiamentos de longo prazo.
Crédito imobiliário caro dificulta investimentos e compra de imóveis
O custo dos financiamentos é um dos principais obstáculos apontados por Spinelli. Segundo o economista, os juros elevados limitam a disposição das empresas para investir e tornam mais pesada a contratação de crédito pelos consumidores. O problema ganha relevância no mercado imobiliário, onde os pagamentos costumam se estender por vários anos.
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Na avaliação do especialista, mesmo as iniciativas recentes voltadas à ampliação das faixas de renda atendidas pelo Minha Casa Minha Vida não eliminam essas dificuldades. Ele menciona situações em que o comprador precisa desembolsar cerca de 20% do valor do imóvel como entrada e financiar o restante, enfrentando taxas consideradas altas, inclusive nas operações oferecidas por bancos públicos.
A pressão financeira também alcança as construtoras. Conforme Spinelli, empresas que recorrem ao crédito para executar empreendimentos podem enfrentar despesas maiores durante as obras, com possibilidade de repassar parte desses custos ao consumidor. Esse cenário ocorre mesmo diante da existência de lançamentos imobiliários no mercado.
Setembro registra uma das menores altas do país, mas acumulado continua elevado
Os dados de setembro mostram um ritmo de aumento menor do que o observado anteriormente em Minas Gerais. Depois de registrar variação de 0,22% em agosto, o índice mineiro avançou 0,09% no mês seguinte, resultado que correspondeu à sétima menor alta entre as unidades da federação. No mesmo período, a variação nacional chegou a 0,30%.
O cenário muda quando a comparação considera os últimos 12 meses. Nesse intervalo, Minas Gerais apresentou aumento de 6,72%, o 14º maior entre os estados e o Distrito Federal, enquanto o Brasil acumulou 6,81%. A proximidade entre os percentuais indica que a desaceleração mineira de setembro não representa, isoladamente, uma mudança no comportamento dos custos ao longo do ano.
Para Spinelli, a análise precisa considerar esse intervalo mais amplo, e não somente o resultado mensal. O economista destaca a participação dos materiais e insumos produtivos na evolução dos custos, ressaltando que a variação menor registrada em setembro deve ser observada juntamente com os aumentos anteriores.

Mão de obra e materiais compõem o custo da construção em Minas Gerais
O levantamento do Sinapi permite identificar quanto os materiais e os serviços de mão de obra representam no custo médio por metro quadrado. Em Minas Gerais, o valor total correspondeu a 93,32% da média brasileira, com diferenças também observadas entre os dois componentes.
A comparação entre os valores estaduais e nacionais apresenta os seguintes resultados:
- Mão de obra: R$ 808,58 por metro quadrado em Minas Gerais, diante de R$ 872,56 no Brasil. O valor mineiro equivale a 92,67% da média nacional.
- Materiais de construção: R$ 1.057,59 por metro quadrado no estado, enquanto a média brasileira foi de R$ 1.127,17. Nesse componente, Minas alcançou 93,83% do valor nacional.
Os números mostram que tanto a mão de obra quanto os materiais apresentaram custos médios inferiores aos registrados no conjunto do país. Ainda assim, a elevação acumulada em 12 meses permanece relevante para o planejamento financeiro de novas construções e reformas.
Desempenho mais fraco do setor pode ajudar a explicar a desaceleração
Além dos preços, a atividade econômica da construção civil mineira apresenta sinais de enfraquecimento. Spinelli destaca que o PIB do setor teve desempenho mais fraco no primeiro semestre de 2026 e que as vendas de materiais de construção no estado também ficaram abaixo do desempenho observado nacionalmente.
Segundo o economista, uma possível redução na procura por produtos e insumos produtivos poderia estar associada a diminuições pontuais de custos. Entretanto, ele ressalta que essa interpretação não estabelece uma relação direta de causa e consequência, sendo necessário considerar outros fatores antes de explicar o comportamento dos indicadores.
Essa distinção é importante porque uma alta mensal menor não significa necessariamente que construir ficou mais barato. O resultado de setembro indica apenas que o custo continuou aumentando em ritmo inferior ao registrado em agosto, enquanto o acumulado anualizado permaneceu próximo ao índice brasileiro.
Construção civil pode encerrar 2026 em desaceleração, avalia Fiemg
A perspectiva apresentada por Spinelli é de que o setor da construção termine 2026 em desaceleração. A avaliação considera a instabilidade econômica e política, os juros elevados e as dificuldades relacionadas tanto à realização de investimentos quanto à contratação de financiamentos imobiliários.
Embora ainda existam lançamentos no mercado, o economista considera que as condições de crédito continuam pesando sobre empresas e compradores. Por isso, acompanhar o comportamento da atividade e dos custos nos próximos meses será importante para avaliar a intensidade da desaceleração esperada para o encerramento do ano.
O desafio apontado pela Fiemg vai além da variação dos materiais e da mão de obra. Para quem pretende adquirir um imóvel ou iniciar uma construção, o valor necessário para financiar o projeto também permanece como um fator decisivo, mesmo em meses nos quais o índice de custos apresenta aumentos menores.
