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Como uma família com 22 crianças sobrevive na cidade mais fria do mundo, onde o inverno chega a −64 °C

Escrito por Roberta Souza
Publicado em 20/01/2026 às 08:36
Atualizado em 20/01/2026 às 08:37
Assista o vídeocidade mais fria do mundo - inverno - gelo - família
Fonte: Kiun B
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Criar filhos já é um desafio em qualquer lugar do planeta. Agora imagine fazer isso em um dos ambientes mais extremos da Terra, onde sair de casa pode significar risco real de vida. Na remota região de Yakutia, no coração da Sibéria, uma família decidiu chamar esse cenário hostil de lar — mesmo quando os termômetros despencam para impressionantes −64 °C no inverno.

Alexander Pavlov começa o dia antes do amanhecer. Sua primeira missão não é preparar o café, mas sair para buscar gelo — a única forma de garantir água potável suficiente para sua família. Nos subúrbios de Yakutia, muitas casas não têm acesso ao abastecimento central de água. Por isso, grandes recipientes de reserva fazem parte da rotina doméstica.

Criar filhos nessas condições já seria difícil. Mas Alexander e sua esposa, Oxana, criam 22 crianças, sendo 18 adotadas. A família abrange gerações inteiras: o filho mais velho tem 37 anos, enquanto o mais novo ainda é um bebê.

Quando escolas fecham, mas a vida continua

Naquela manhã, os termômetros marcavam cerca de −48 °C — algo considerado “normal” em Yakutia. Em temperaturas abaixo de −45 °C, as escolas primárias suspendem as aulas. Já as creches continuam funcionando até −55 °C, o que obriga algumas crianças a sair de casa mesmo no frio extremo.

Enquanto Oxana acorda os filhos e organiza a rotina, Alexander verifica o sistema de aquecimento da casa. Duas caldeiras mantêm a residência, de aproximadamente 350 m², aquecida a cerca de 25 °C. Mesmo com o frio intenso do lado de fora, os custos de aquecimento giram em torno de 200 dólares por mês — um valor considerado razoável para a região.

Fonte: Kiun B

Rotina, disciplina e cooperação: a chave para sobreviver

Gerenciar horários, refeições e responsabilidades para uma família desse tamanho exige disciplina. O café da manhã é preparado em etapas, já que a casa tem apenas uma cozinha e o espaço não comporta todos ao mesmo tempo. Primeiro comem os mais novos, depois os mais velhos.

A decisão de abrir o lar para tantas crianças partiu de Oxana. Professora por formação, ela sempre teve forte ligação com o cuidado infantil e o desejo de oferecer amor, segurança e estabilidade. Com o crescimento da família, Alexander deixou seu emprego como engenheiro para se dedicar integralmente aos filhos.

O casal recebe apoio do governo para custear alimentação e roupas, mas a maior parte do trabalho diário depende da cooperação entre todos.

Fonte: Kiun B

Ir à escola a −48 °C não é exceção

Mesmo no frio extremo, a vida educacional não para. Crianças e jovens seguem para escolas, universidades e atividades diárias. Em Yakutia, vestir-se adequadamente não é uma opção — é uma questão de sobrevivência. Calças térmicas, jaquetas especiais e botas projetadas para temperaturas extremas fazem parte do uniforme diário.

A família Pavlov escolheu morar a poucos minutos a pé da escola e da creche, reduzindo o tempo de exposição ao frio. Os irmãos mais velhos sempre acompanham os mais novos, garantindo que ninguém fique tempo demais do lado de fora.

Para os universitários, o transporte é feito por ônibus pintados de vermelho — não por estética, mas por segurança. A cor é mais visível em meio ao nevoeiro denso e à paisagem branca, facilitando a localização mesmo à distância.

Brincar, se exercitar e manter o corpo ativo

Quando não estão na escola, as crianças brincam ao ar livre sempre que possível: escorregadores de neve, patinação no gelo e esqui fazem parte da infância local. Quando o frio se torna insuportável, as atividades migram para dentro de casa.

Alexander leva a saúde física a sério. Ele construiu uma academia coberta onde os filhos praticam esportes e exercícios regularmente. Alguns dos mais velhos participam de competições esportivas, como atletismo e boxe.

Fonte: Kiun B

Alimentação adaptada ao frio extremo

Cozinhar ao ar livre em temperaturas negativas faz parte da rotina. Alexander prepara churrascos em um fogão especial, mesmo quando o termômetro marca abaixo de −40 °C. Segundo ele, a carne adquire um sabor único quando assada no ar gelado.

Dentro de casa, Oxana e as filhas mais velhas preparam refeições quentes e nutritivas. Peixes, tortas fritas, carnes e arroz dominam o cardápio. Vegetais e frutas frescas são raros e caros na região, devido às condições severas de cultivo. Por isso, frutas congeladas são amplamente consumidas e armazenadas por longos períodos.

A sopa diária é tradição local — não apenas para alimentar, mas para aquecer o corpo e a alma durante os invernos rigorosos.

Calor humano no lugar mais frio da Terra

Quando a noite cai e as temperaturas despencam ainda mais, a família Pavlov se reúne dentro de casa. Protegidos do frio extremo, encontram no convívio diário aquilo que Yakutia não oferece: calor.

No coração da cidade mais fria do planeta, essa família prova que, mesmo onde o inverno pode matar em minutos, resiliência, organização e afeto são capazes de sustentar a vida.

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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