Projeto pioneiro em São Roque reaproveita cédulas descartadas para equipar uma escola pública voltada à tecnologia, educação ambiental e inovação
Uma escola pública localizada no distrito de Maylasky, em São Roque (SP), está chamando atenção por unir inovação tecnológica, sustentabilidade e educação em um único projeto. Inaugurada em 2025, a primeira Escola do Futuro do Estado de São Paulo recebeu investimento de R$ 18 milhões e foi desenvolvida para oferecer uma experiência de ensino diferente dos modelos convencionais.
Capaz de atender mais de 900 estudantes, a unidade ocupa aproximadamente 8 mil metros quadrados. Laboratórios de robótica, ambientes makers, ensino bilíngue e atividades voltadas à emergência climática fazem parte da proposta pedagógica implementada pela administração municipal.
O elemento mais curioso do projeto, entretanto, está presente em praticamente todos os ambientes da escola. Grande parte do mobiliário utilizado foi produzida a partir da reciclagem de papel-moeda descartado pela Casa da Moeda do Brasil, transformando resíduos industriais em recursos educacionais permanentes.
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Cédulas rejeitadas pela Casa da Moeda ganham uma nova função
Falhas de impressão, problemas de corte e defeitos de coloração impedem que determinadas cédulas entrem em circulação. Durante décadas, esse material representou um passivo industrial. Atualmente, uma parceria entre o Instituto Tran$forma e a Casa da Moeda do Brasil criou uma alternativa sustentável para esse descarte.
Dados divulgados ao portal Um Só Planeta apontam que aproximadamente 200 toneladas de resíduos de papel-moeda são geradas anualmente. Somente em 2025, cerca de 50 toneladas estão sendo destinadas ao setor educacional por meio de uma operação que também envolve a Genchi e a Equipa Group.
Carteiras escolares, armários, mesas de leitura, assentos do auditório, objetos decorativos e até uma mesa de pingue-pongue nasceram desse mesmo processo de reaproveitamento industrial.
Patricio Malvezzi, CEO do Instituto Tran$forma, destacou ao Um Só Planeta que a iniciativa demonstra como inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na construção de soluções voltadas ao futuro da educação pública.

Engenharia transforma papel-moeda em material de alta resistência
O dinheiro brasileiro é produzido com uma composição diferente dos papéis convencionais. Fibras de algodão, tintas especiais e elementos de segurança tornam o material mais resistente e também mais complexo para reciclagem.
Processos industriais específicos permitem que o material seja reaproveitado. Fragmentos triturados passam por novas etapas de moagem para adequação de densidade e espessura.
Misturas com colas especiais e resinas sintéticas, como poliéster, acrílico, polipropileno e epóxi, criam uma nova matéria-prima. Moldagem sob pressão e altas temperaturas dá origem aos produtos finais.
Painéis maciços, componentes moldados e filamentos para impressoras 3D podem ser produzidos a partir desse composto. Fibras presentes no papel-moeda funcionam como reforço estrutural interno, aumentando a resistência das peças ao impacto e ao uso contínuo.
Educação ambiental deixa de ser teoria e passa a fazer parte da rotina
Sustentabilidade não aparece apenas nos móveis. A proposta pedagógica foi construída para aproximar os estudantes dos conceitos de preservação ambiental e economia circular.
Conteúdos relacionados à emergência climática foram incorporados à grade curricular. Hortas escolares e sistemas de compostagem também integram o planejamento da unidade.
Guto Issa, prefeito de São Roque, informou que equipes das áreas de Educação e Meio Ambiente trabalham na elaboração de atividades permanentes voltadas à conscientização ambiental.
Experiências práticas permitirão que os alunos acompanhem o cultivo de alimentos e o reaproveitamento de resíduos orgânicos produzidos pela própria escola. Conceitos de química e biologia passam a ser observados diretamente no cotidiano dos estudantes.

Modelo poderá servir de referência para outras cidades paulistas
Plantio de mudas nativas e parcerias voltadas à proteção da fauna regional também fazem parte das atividades previstas para os próximos anos.
Avaliações sobre a durabilidade dos materiais reciclados e sobre a adaptação dos alunos ao novo modelo educacional serão realizadas ao longo do projeto.
Resultados obtidos em São Roque poderão orientar futuras iniciativas semelhantes em outras cidades do Estado de São Paulo.
Tecnologia, reciclagem industrial e educação pública aparecem reunidas em um mesmo ambiente. O projeto mostra que resíduos que jamais chegaram às mãos da população podem ganhar uma segunda vida e contribuir diretamente para a formação das próximas gerações.
Afinal, quantos outros materiais descartados atualmente poderiam ser transformados em soluções capazes de mudar o futuro das escolas brasileiras?

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