De império bilionário ao colapso financeiro: a queda da fortuna de Nelson Tanure envolve Light, Prio e uma engrenagem bancária que parou de funcionar.
A fortuna bilionária do baiano Nelson Tanure, construída com alavancagem agressiva e grandes apostas em empresas como Light e Prio, entrou em colapso após a crise do Banco Master. Entenda como o império desmoronou e o que ainda pode acontecer.
O império, o luxo, fortuna e a queda inesperada
Durante décadas, a fortuna de Nelson Tanure foi sinônimo de ousadia. O investidor baiano, conhecido por entrar onde ninguém queria ficar, construiu um império bilionário apostando em empresas quebradas, ativos desprezados e dívidas consideradas impagáveis. O método era simples na teoria e brutal na prática: comprar barato, renegociar pesado e vender caro.
Foi assim que ele virou referência em turnaround no Brasil.
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Mas o mesmo modelo que sustentou o crescimento também acelerou a queda. E o que parecia um império inabalável, avaliado em cerca de R$ 15 bilhões, começou a ruir quase de um dia para o outro.
A derrocada envolveu bancos, execução de garantias, alavancagem cruzada e empresas estratégicas como Light e Prio. No centro do furacão, uma engrenagem financeira que parou de girar quando o Banco Master entrou em liquidação.
Nelson Tanure: o baiano que transformava crise em fortuna
Nascido em 1951, filho de pai espanhol e mãe brasileira, Nelson Tanure começou sua trajetória no setor de construção. Trabalhou na Sinasa, ligada ao empresário Piki, empresa que quebrou em meio a escândalos de hipotecas duplicadas e acusações de estelionato.
O ambiente ficou tão pesado que ele passou um período na França. Mas foi no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1970, que encontrou sua verdadeira vocação: comprar o que ninguém queria.
A estratégia se repetiu ao longo dos anos:
- Identificar empresas com bons ativos físicos
- Entrar quando estavam afundadas em dívidas
- Assumir controle
- Renegociar débitos com descontos agressivos, muitas vezes na Justiça
- Revender no momento certo
Esse modelo foi aplicado na indústria (SEIP e SAD), no setor portuário (DOCAS), na construção naval (Verol) e nos estaleiros — onde chegou a controlar cerca de 80% da capacidade nacional.
Mas foi em telecom e petróleo que ele consolidou a fama.
O case que virou lenda: da massa falida à joia chamada Prio
Em 2008, Tanure comprou a Intelig por R$ 10 milhões e assumiu aproximadamente R$ 130 milhões em dívidas. Quinze meses depois, a empresa foi vendida para a TIM por cerca de R$ 650 milhões em ações.
Houve disputa judicial. A TIM tentou bloquear sua posição alegando passivos antigos. A resposta veio na forma de novos processos. No fim, Tanure saiu com ações e ainda ficou com o prédio da empresa em Botafogo.
Mas nada superou o que viria depois.
A antiga HRT, que havia levantado R$ 2,6 bilhões no IPO de 2010 em plena euforia do pré-sal, viu suas ações despencarem 97% após fracassos exploratórios na Amazônia e Namíbia. Em 2013, com valor de mercado inferior ao próprio caixa, Tanure começou a comprar participação.
Ele chegou a 20%, enfrentou fundos estrangeiros como Discover e assumiu o controle.
A empresa deixou de buscar petróleo em aventuras bilionárias e passou a comprar campos maduros descartados por gigantes como a Petrobras. A eficiência operacional virou prioridade.
O resultado impressionou o mercado:
- Produção saltou de 5 mil para 90 mil barris por dia
- A ação saiu de centavos para acima de R$ 50
- Valorização superior a 3.000%
- Lucro líquido superior a R$ 5 bilhões em um único ano
- Margem EBITDA acima de 70%
- Eficiência operacional de 98%
A empresa passou a se chamar Prio e virou referência no setor, como apontado em análises da própria companhia disponíveis em seu site oficial.
Foi essa performance que abriu portas nos bancos. A reputação estava consolidada. O caixa era forte. A fortuna crescia.
O império se expande: Light, saúde, varejo e alavancagem cruzada
Com a Prio gerando caixa e credibilidade, Tanure decidiu ampliar o império.
A partir de 2018, iniciou uma sequência agressiva de aquisições:
- Saúde (Aliança)
- Varejo (Supermercados Dia)
- Energia (Light)
- Telecom (Copel Telecom, depois Liga Telecom)
- Imobiliário (Gafisa)
A diferença é que, dessa vez, o crescimento não era sustentado apenas pela operação. A engrenagem envolvia dívida pesada e garantias cruzadas.
Segundo investigações divulgadas pela Polícia Federal e reportagens de veículos como o Metrópoles, havia uma relação financeira intensa entre o grupo Tanure e o Banco Master.
O modelo funcionava assim:
- O Banco Master financiava aquisições ou concedia garantias.
- As empresas adquiridas aplicavam recursos em CDBs do próprio banco.
- O dinheiro saía como empréstimo e voltava como investimento.
- O balanço do banco crescia.
- Novos empréstimos eram concedidos.
Enquanto o ciclo girava, todos ganhavam.
O problema é que o dinheiro ficava concentrado no mesmo sistema.
O dia em que a música parou
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
De acordo com comunicados oficiais do próprio Banco Central, quando uma instituição entra em liquidação, os ativos ficam congelados para apuração.
Foi aí que a engrenagem travou.
O caixa das empresas ligadas a Tanure ficou preso no banco. Recursos que deveriam pagar fornecedores, funcionários e juros simplesmente não estavam disponíveis.
O efeito dominó começou.
A execução das garantias: Light, Aliança e o colapso
A compra da antiga Copel Telecom havia sido financiada com emissão de cerca de R$ 1,5 bilhão em dívida.
Apesar de pagamentos de principal, os juros acumulados não foram quitados integralmente. O saldo girava em torno de R$ 1,3 bilhão.
Credores liderados por BTG Pactual e Santander executaram garantias.
Consequências:
- Aliança Saúde: Tanure caiu de 67% para menos de 7% de participação. Credores passaram a controlar quase 60%.
- Light: aproximadamente 10% das ações foram executadas.
- Fundo WNT foi desfeito.
- BTG passou a deter cerca de 15% e influenciar decisões na recuperação judicial.
A percepção de mercado mudou rapidamente. De investidor arrojado, Tanure passou a ser visto como risco extremo.
A perda simbólica: Prio deixa de ser do pai
Parte da participação de Tanure na Prio havia sido dada como garantia a um banco suíço.
Com mudanças societárias e liquidações, cerca de 17% da empresa foram vendidos para reduzir exposição ao risco.
A Prio segue sob comando do filho, Nelson Queiroz Tanure, mas já desvinculada dos negócios do pai.
A joia da coroa já não fazia parte do império original.
Luxo, fortuna no exterior e investigação
Enquanto ativos eram executados no Brasil, investigações apontaram que parte da fortuna estaria estruturada fora do país.
Apurações da Polícia Federal, dentro da operação conhecida como “Compliance Zero”, investigam possível uso de estrutura chamada Trust Holding.
As autoridades apuram se houve participação indireta no Banco Master.
Caso irregularidades sejam comprovadas, o episódio pode entrar para a história como uma das maiores engenharias financeiras já vistas no país.
O que sobra do império?
A Liga Telecom ainda está em negociação para venda à Brasil Tech.
Credores evitam interferência para que a transação gere caixa e reduza perdas.
Mas o modelo baseado em alavancagem agressiva mostrou seu limite.
Como dizem especialistas do mercado financeiro frequentemente citados em relatórios da XP e BTG, “alavancagem amplia ganhos, mas também acelera perdas”.
A fortuna que simbolizava luxo, ousadia e domínio estratégico ficou vulnerável quando o crédito secou.
A lição por trás da queda
Nelson Tanure construiu um império apostando onde ninguém queria apostar.
Multiplicou empresas falidas.
Criou valor.
Enfrentou gigantes.
Acumulou bilhões.
Mas também operou no limite.
Quando a liquidez desapareceu, o castelo financeiro perdeu sustentação.
Hoje, o nome segue forte, mas o cenário é outro.
O mercado observa.
Os credores controlam.
E a história ainda está sendo escrita.
E você? Acredita que Nelson Tanure pode reconstruir seu império ou essa foi a queda definitiva? Deixe seu comentário e compartilhe este conteúdo com quem acompanha o mercado financeiro brasileiro.

Esse cidadão acabou com a Gafisa e os acionistas minoritários ficaram no beco da amargura.
Com a experiência que ele tem , vai
voltar mais **** e vai se levantar.
Sou adepto da estratégia de Tanure, com CERTEZA ele ainda tem um CORINGA nas mãos e irá usá-lo para se REERGUER!