Peças de sucata, ferramentas simples e experiência em oficina deram origem a um minicarro artesanal criado para transportar crianças, compras e cargas por ruas e estradas difíceis de uma região do Iraque.
Quando precisava buscar produtos para a casa, transportar cargas ou levar as crianças para passear, Abdullah Mohammed não dispunha do veículo que considerava adequado para essas tarefas.
Morador da região de Nimrud, na província de Nínive, no Iraque, o jovem decidiu não procurar um automóvel pronto.
Em vez disso, começou a visitar depósitos de sucata, separar componentes abandonados e imaginar como peças produzidas para veículos diferentes poderiam formar um minicarro funcional.
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Mecânico encontrou inspiração em projetos do YouTube
Abdullah trabalha como mecânico de motocicletas e concluiu o sexto ano do ensino primário.
A ideia surgiu depois que ele assistiu no YouTube a vídeos de pessoas construindo pequenos veículos artesanais.
Sem uma fábrica, projeto industrial ou ferramentas sofisticadas, ele iniciou o trabalho com equipamentos que já conhecia da rotina de oficina, como máquina de solda e esmerilhadeira.
Um primo participou da montagem e ajudou a transformar tubos, chapas e peças usadas em uma estrutura capaz de circular.
Minicarro foi criado para atender a família
O veículo recebeu o nome de “Baggi Al-Salamiyah”, referência à região onde Abdullah vive.
O objetivo declarado não era participar de exposições ou desenvolver um protótipo comercial, mas resolver necessidades práticas da família.
“Eu o construí para transporte, para comprar as necessidades da casa e para levar as crianças para passear”, explicou à 964media.
Construção levou 45 dias de trabalho
A construção levou 45 dias.
Abdullah afirmou que dedicava aproximadamente quatro horas diárias ao projeto, conciliando a montagem com suas demais atividades.
O primeiro passo foi reunir componentes que ainda poderiam voltar a funcionar.
Ele comprou um quadriciclo quebrado e aproveitou peças como o motor e os pneus, segundo a reportagem.
Em outro trecho do relato, Abdullah explicou que restaurou um motor de fabricação malaia que estava sem funcionar.
A publicação não esclarece se esse componente pertencia ao mesmo quadriciclo ou se foi obtido separadamente.
Sucata formou o chassi do veículo
Grande parte da estrutura veio de ferro e metal recolhidos em depósitos de sucata.
Os materiais foram cortados, dobrados e soldados até formar o chassi do pequeno veículo.
“Eu remodelei e reutilizei as peças”, afirmou.
Tubos comuns foram empregados na construção da base.
O volante veio de um carro convencional, mas precisou ser cortado e modificado para caber no conjunto menor criado pelo mecânico.

Pneus, faróis e motor foram reaproveitados
Os pneus foram retirados de quadriciclos, escolha compatível com o objetivo de circular por terrenos irregulares.
A reportagem, porém, não informa as medidas, a capacidade de carga ou as especificações técnicas desses componentes.
Os faróis também não foram comprados novos.
Abdullah reaproveitou sistemas de iluminação retirados de motocicletas iranianas e os instalou na parte dianteira do minicarro.
Para permitir que o veículo se movimentasse em marcha à ré, ele acrescentou componentes retirados de um sistema de motor iraniano.
A fonte descreve essas peças como um conjunto responsável pela reversão, mas não apresenta detalhes suficientes para determinar exatamente como a transmissão foi montada.
Peças de veículos diferentes precisaram funcionar juntas
A adaptação exigiu que peças de origens e tamanhos diferentes passassem a funcionar em conjunto.
Motor, direção, pneus, chassi e iluminação haviam sido desenvolvidos originalmente para outras máquinas, o que obrigou Abdullah a modificar suportes, encaixes e pontos de fixação.
Os bancos também foram produzidos por ele.
Madeira formou a base, enquanto espuma e couro foram usados no revestimento e no acabamento.
O mecânico afirmou que confeccionou e estofou os assentos com as próprias mãos.
O resultado foi uma cabine aberta, de dimensões reduzidas, capaz de acomodar Abdullah, crianças e objetos transportados durante os deslocamentos.
Minicarro custou até 700 mil dinares
O custo total ficou entre 600 mil e 700 mil dinares iraquianos.
Na conversão apresentada pela reportagem em julho de 2025, o valor correspondia a aproximadamente US$ 428 a US$ 500.
A quantia incluía peças compradas e materiais recuperados, mas a publicação não detalha quanto foi gasto em cada componente.
Também não calcula o valor das horas de trabalho do próprio Abdullah e do primo que o ajudou.
Veículo passou a transportar compras e crianças
Depois de concluído, o minicarro começou a ser usado em tarefas que haviam motivado sua construção.
Abdullah passou a dirigir até pontos de comércio, transportar compras domésticas e levar crianças para passeios.
O veículo também foi utilizado em visitas às margens de rios e em trajetos sobre estradas irregulares.
Segundo o mecânico, a estrutura conseguia transportar cargas consideradas pesadas por ele, embora o peso máximo suportado não tenha sido divulgado.
“Este carro me ajudou muito. Faço compras com ele, levo as crianças para passear e até dirijo em estradas ruins enquanto transporto cargas pesadas”, relatou.
Segurança e licenciamento não foram informados
As imagens publicadas pela 964media mostram Abdullah conduzindo o veículo por ruas da região, com crianças acomodadas na estrutura artesanal.
A reportagem não informa, entretanto, se o minicarro foi registrado, licenciado ou submetido a alguma inspeção oficial de segurança.
Também não foram divulgados dados sobre velocidade máxima, sistema de frenagem, suspensão, iluminação traseira, cintos de segurança ou resistência do chassi.
Por isso, o uso registrado não deve ser interpretado como confirmação de que o veículo atende às normas aplicáveis a automóveis produzidos industrialmente.
Moradores fizeram propostas pelo minicarro
A aparência incomum despertou a atenção dos moradores.
Em vez de enxergarem apenas um conjunto de peças antigas, pessoas da comunidade passaram a perguntar se Abdullah estaria disposto a vender sua criação.
As propostas superaram o custo informado da montagem.
Algumas pessoas ofereceram 800 mil dinares, enquanto outras elevaram o valor para 900 mil.
A maior oferta chegou a 1 milhão de dinares iraquianos.
Pelos valores aproximados apresentados na publicação original, as propostas correspondiam a cerca de US$ 571, US$ 643 e US$ 714.
Abdullah decidiu permanecer com o veículo
Mesmo com a possibilidade de receber mais do que havia gasto nas peças, Abdullah decidiu permanecer com o minicarro.
O veículo continuava servindo à família e representava, segundo ele, o resultado de um trabalho em que praticamente todos os elementos foram construídos, recuperados ou alterados manualmente.
“Cada parte, desde o sistema de direção até o suporte do motor, foi construída ou modificada pelas minhas próprias mãos”, afirmou.

Experiência como mecânico foi decisiva
O valor atribuído ao projeto não estava apenas na soma dos componentes.
Uma peça sem funcionamento, um volante retirado de outro carro e pedaços de metal descartados passaram a cumprir funções novas depois de cortes, soldas, reparos e ajustes.
A experiência profissional de Abdullah com motocicletas foi decisiva para a montagem.
Mesmo sem formação em Engenharia Automotiva, ele já possuía conhecimentos práticos sobre motores, transmissão, ferramentas, soldagem e recuperação de componentes.
Isso não transforma o veículo em um automóvel certificado nem permite comparar seu desempenho ao de modelos industriais.
O caso documenta uma solução artesanal criada para uso local a partir dos recursos disponíveis e das habilidades acumuladas pelo mecânico.
Vídeos ajudaram a transformar ideia em projeto
A inspiração encontrada no YouTube também mostra como vídeos de fabricação e reparo podem circular para além do entretenimento.
Abdullah observou projetos feitos por outras pessoas, adaptou as ideias à realidade de sua oficina e construiu uma versão própria, em vez de reproduzir integralmente um modelo pronto.
Não foi localizada uma planta técnica pública do “Baggi Al-Salamiyah”.
As dimensões do veículo, a cilindrada do motor, o consumo de combustível e a distribuição do peso permanecem desconhecidos.
Também não há confirmação de que Abdullah pretenda construir uma segunda unidade, transformar a atividade em negócio ou desenvolver veículos para outros moradores.
