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Com 36 milhões de árvores, torres de monitoramento e meta bilionária de reflorestamento, um país marcado pela desertificação aposta na reconstrução de florestas degradadas para tentar mudar seu futuro ambiental

Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/03/2026 às 13:19
Cazaquistão vai plantar 36 milhões de mudas no leste do país e ampliar o monitoramento florestal para recuperar áreas degradadas. (Imagem: Ilustrativa)
Cazaquistão vai plantar 36 milhões de mudas no leste do país e ampliar o monitoramento florestal para recuperar áreas degradadas. (Imagem: Ilustrativa)
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Um plano ambiental de grande escala no leste do Cazaquistão recoloca o reflorestamento no centro da agenda pública e amplia a atenção sobre como o país tenta recuperar áreas degradadas e reforçar o monitoramento de suas florestas.

O Cazaquistão pretende plantar 36 milhões de mudas de espécies florestais na região do Cazaquistão Oriental, em uma nova etapa de recuperação de áreas degradadas e de reforço da proteção ambiental no leste do país.

A meta foi anunciada por Daniyar Kanatbaev, chefe do Departamento Florestal da Direção de Recursos Naturais e Regulação do Uso da Natureza da região, segundo informações divulgadas pela agência Kazinform e reproduzidas pela TV BRICS.

Em declaração reproduzida pela imprensa, Kanatbaev afirmou que a medida deve ampliar a cobertura florestal do território e elevar a resiliência dos ecossistemas naturais.

O plantio integra um conjunto de ações voltadas à recomposição de áreas atingidas por incêndios, desmatamento e pelo envelhecimento natural das árvores, de acordo com as autoridades regionais.

A iniciativa também prevê o fortalecimento da estrutura de monitoramento das florestas.

Para isso, o governo regional informou que pretende instalar 90 torres de comunicação com antenas em áreas extensas e de difícil acesso.

Segundo a administração local, a rede deve facilitar a troca de informações entre equipes de proteção florestal, serviços de monitoramento e grupos de resgate.

Reflorestamento no Cazaquistão Oriental concentra ações ambientais

No Cazaquistão Oriental, o programa reúne medidas de recomposição vegetal e de ampliação da capacidade operacional dos órgãos públicos responsáveis pela gestão ambiental.

A proposta, segundo o governo regional, é recuperar áreas degradadas e melhorar a resposta a ocorrências em zonas remotas.

Com a instalação das torres, a expectativa oficial é ampliar a conectividade em trechos florestais onde a comunicação entre equipes costuma ser limitada.

Em regiões de grande extensão territorial, esse tipo de estrutura pode apoiar o monitoramento e a circulação de informações sobre focos de incêndio e outras ocorrências registradas em campo.

Até o momento, porém, o material divulgado pelas autoridades não detalha o cronograma completo da instalação nem informa como os equipamentos serão distribuídos ao longo do território.

Ainda assim, o anúncio indica que o plano regional não se restringe ao plantio de mudas e inclui medidas voltadas à gestão e à proteção das áreas florestais.

Imagem: Reprodução/Ilustrativa)
Imagem: Reprodução/Ilustrativa)

Meta de 2 bilhões de árvores amplia política ambiental do país

A ação anunciada no leste do país se insere em uma estratégia mais ampla de reflorestamento adotada pelo Cazaquistão nos últimos anos.

Em 2021, o presidente Kassym-Jomart Tokayev estabeleceu a meta de plantar 2 bilhões de árvores, segundo a agência estatal Qazinform.

Mais recentemente, de acordo com informações publicadas com base em dados do Ministério da Ecologia e dos Recursos Naturais, o prazo dessa meta foi estendido até o fim de 2027.

O mesmo balanço informa que o país plantou 1,15 bilhão de mudas entre 2021 e 2024 e mantém 251 viveiros florestais, responsáveis pela produção de mais de 280 milhões de mudas.

Esses números ajudam a situar o alcance do novo plano para o Cazaquistão Oriental dentro da política ambiental nacional.

Ao prever 36 milhões de mudas em uma única região, a iniciativa local passa a integrar um esforço maior de ampliação da cobertura vegetal e de recuperação de áreas degradadas.

Baixa cobertura florestal explica prioridade do reflorestamento

O reflorestamento ganhou espaço na agenda pública cazaque também por causa das características do território.

Em 2021, Tokayev afirmou que a área do fundo florestal representava cerca de 11% do território nacional, ao defender a expansão do plantio em escala nacional.

Esse dado ajuda a explicar por que programas de recuperação florestal vêm sendo tratados como prioridade pelo governo.

(Imagem: Reprodução/Ilustrativa)
(Imagem: Reprodução/Ilustrativa)

Em um país com baixa cobertura vegetal em parte do território, medidas de recomposição tendem a ser apresentadas pelas autoridades como instrumento de preservação ambiental e de recuperação de áreas vulneráveis.

Além da meta numérica de plantio, o tema aparece associado a desafios mais amplos ligados ao uso da terra e à degradação ambiental.

Relatórios e iniciativas de organismos internacionais sobre a Ásia Central, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, apontam que desertificação, degradação de terras e pressão sobre recursos naturais figuram entre os principais problemas ambientais enfrentados pelo Cazaquistão.

Monitoramento florestal e manutenção entram na estratégia

No caso do Cazaquistão Oriental, o reforço da infraestrutura de comunicação foi apresentado como parte complementar do programa de restauração.

A avaliação das autoridades é que o monitoramento contínuo e a coordenação entre equipes têm papel relevante na proteção das florestas, sobretudo em áreas remotas.

Especialistas e organismos internacionais costumam apontar que programas de reflorestamento dependem não apenas do volume de mudas plantadas, mas também de fatores como manutenção, adaptação das espécies ao ambiente, prevenção de incêndios e acompanhamento técnico ao longo do tempo.

Por isso, a efetividade de iniciativas desse tipo costuma ser medida também pela sobrevivência das mudas e pela recuperação real da cobertura vegetal.

No material divulgado até aqui, as autoridades regionais não informaram quais espécies serão priorizadas em cada área nem apresentaram metas públicas de sobrevivência das mudas após o plantio.

Também não há, até o momento, detalhamento público sobre o orçamento da operação regional.

Ainda assim, o anúncio sinaliza a intenção de combinar duas frentes da política florestal: a recomposição da vegetação e o aprimoramento da estrutura de vigilância e resposta.

A região do Cazaquistão Oriental passa, assim, a ocupar lugar de destaque dentro do esforço nacional de reflorestamento em curso no país.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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