1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Com 18 toneladas, seis rodas, casco em V e capacidade anfíbia, o blindado Guarani atravessa água, transporta 11 militares, encara terrenos extremos e vira a fortaleza móvel do Exército Brasileiro contra ameaças no campo de batalha
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Com 18 toneladas, seis rodas, casco em V e capacidade anfíbia, o blindado Guarani atravessa água, transporta 11 militares, encara terrenos extremos e vira a fortaleza móvel do Exército Brasileiro contra ameaças no campo de batalha

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/05/2026 às 11:35
Atualizado em 17/05/2026 às 11:38
Assista o vídeoBlindado Guarani reúne tração 6x6, capacidade anfíbia, casco em V, armas remotas e proteção antiminas no Exército Brasileiro. (Imagem: Ilustrativa)
Blindado Guarani reúne tração 6×6, capacidade anfíbia, casco em V, armas remotas e proteção antiminas no Exército Brasileiro. (Imagem: Ilustrativa)
  • Reação
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Blindado Guarani combina engenharia militar, mobilidade anfíbia e proteção antiminas em uma plataforma usada pelo Exército Brasileiro para transportar tropas, operar em terrenos difíceis e integrar sistemas remotos de armas.

O blindado Guarani foi desenvolvido para transportar tropas com proteção, mobilidade em terrenos variados e capacidade anfíbia.

A viatura, conhecida pela sigla VBTP-MR 6×6, pesa cerca de 18 toneladas, leva até 11 ocupantes, tem tração nas seis rodas e pode chegar a 110 km/h em estrada, segundo o Ministério da Defesa.

O Exército informou que mais de 700 unidades do modelo estão em operação em brigadas de Infantaria e Cavalaria.

Projetado em parceria com a Iveco Defence Vehicles, o Guarani integra o programa de modernização da frota blindada do Exército Brasileiro.

A proposta é substituir gradualmente veículos de gerações anteriores e ampliar a capacidade de deslocamento de tropas mecanizadas em diferentes ambientes operacionais.

Em vez de funcionar apenas como transporte, a viatura combina proteção balística, recursos antiminas, sistemas eletrônicos e possibilidade de emprego de armas controladas remotamente.

A configuração sobre rodas diferencia o Guarani de veículos sobre lagartas, comuns em blindados mais pesados.

Com seis rodas motrizes, o modelo foi concebido para se deslocar em rodovias, estradas de terra e áreas com menor infraestrutura.

Essa característica permite uso em patrulhamento de fronteira, exercícios militares, operações de segurança e ações de apoio à população, conforme aplicações descritas pelo Exército em comunicados institucionais.

Como o blindado Guarani atravessa água

A capacidade anfíbia é um dos recursos técnicos do Guarani.

O Ministério da Defesa informa que a viatura tem função anfíbia, além de tração 6×6, capacidade para 11 pessoas e peso aproximado de 18 toneladas.

Na prática, o projeto prevê estrutura vedada e propulsão própria para deslocamento em ambiente aquático controlado.

Esse recurso permite que a tropa atravesse cursos d’água em determinadas condições operacionais, sem depender imediatamente de pontes, balsas ou outros meios de travessia.

O desempenho na água costuma ser informado em materiais técnicos e reportagens especializadas como próximo de 10 km/h, embora a confirmação oficial aberta localizada não traga todos esses dados reunidos em uma única ficha pública.

Imagem: Reprodução/Exercito Brasileiro
Imagem: Reprodução/Exercito Brasileiro

No Brasil, a característica tem relação direta com a geografia.

Áreas de fronteira, regiões ribeirinhas, zonas alagadas e locais atingidos por enchentes podem exigir deslocamento militar por terrenos instáveis.

O Exército registrou o uso do Guarani em ações de apoio à população na Operação Taquari II, no Rio Grande do Sul, em 2024, dentro do contexto de emprego de meios militares em situações de emergência.

Casco em V e proteção antiminas

A proteção contra explosões sob o veículo é associada ao desenho do casco em V.

Esse formato busca redirecionar parte da energia gerada por minas ou artefatos explosivos, afastando a onda de choque da área central do piso.

O princípio é usado em diferentes blindados modernos destinados ao transporte de tropas.

No Guarani, a proteção não depende apenas da geometria externa.

A cabine elevada, os assentos suspensos e os materiais internos de contenção ajudam a reduzir a transferência direta de impacto aos ocupantes.

Em vez de prender os bancos diretamente ao assoalho, o projeto usa assentos fixados na estrutura superior, solução adotada para diminuir o efeito vertical de uma explosão sobre pernas e coluna dos militares.

Reportagens técnicas sobre o veículo, feitas com base em informações de engenheiros ligados ao projeto, apontam resistência a explosivos sob o blindado.

Como não foi localizada uma ficha oficial pública, atual e consolidada do Exército com todos os parâmetros de proteção antiminas, a informação sobre o limite exato de explosivo foi mantida na nota final como dado sem confirmação segura em fonte aberta oficial.

A proteção balística também envolve blindagem modular.

Esse tipo de solução permite adaptar o nível de proteção de acordo com a missão e com o grau de ameaça previsto.

Em veículos militares, a modularidade ajuda a equilibrar peso, mobilidade e segurança, já que blindagens adicionais podem aumentar a massa total e alterar o desempenho da viatura.

Motor de 383 cavalos e tração 6×6

O conjunto mecânico do Guarani foi dimensionado para mover uma viatura blindada de 18 toneladas com tripulação, armamento e equipamentos.

O motor associado ao modelo é o FPT Cursor 9, com 383 cv, conforme publicações técnicas e reportagens especializadas sobre a viatura.

A confirmação oficial aberta localizada pelo Ministério da Defesa informa o peso, a tração, a capacidade anfíbia, a lotação e a velocidade máxima, mas não detalha o motor na mesma página.

A potência serve para manter deslocamento em situações nas quais o peso do veículo influencia aceleração, retomada e transposição de obstáculos.

Em terrenos como lama, areia e terra batida, a tração 6×6 contribui para distribuir a força entre os eixos e reduzir a perda de aderência.

A velocidade máxima de até 110 km/h em estrada, informada pelo Ministério da Defesa, não significa que a viatura seja usada sempre nesse limite.

Em operações reais, a velocidade depende de terreno, segurança da tropa, presença de obstáculos, peso transportado e condições da missão.

O dado, porém, ajuda a situar o Guarani entre os blindados de transporte sobre rodas com capacidade de acompanhar deslocamentos mecanizados.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Armas remotas no VBTP-MR Guarani

O Guarani pode receber sistemas de armas operados de dentro da viatura.

Um dos equipamentos associados ao modelo é o REMAX, estação remotamente controlada desenvolvida a partir de requisitos do Exército Brasileiro, com participação da ARES e do Centro Tecnológico do Exército, segundo a ABIMDE.

A estação é giroestabilizada e pode usar metralhadoras .50 e 7,62 mm.

A ARES informa que seus sistemas de armas contam com estabilização em dois eixos, operação protegida no interior da viatura, câmera diurna, câmera termal, telêmetro laser e monitor sensível ao toque, entre outros recursos.

Esses componentes permitem observação e pontaria sem que o operador precise ficar exposto fora do blindado.

Com a operação remota, o atirador acompanha o ambiente por telas e sensores.

A solução permite apoiar o desembarque da tropa e manter capacidade de reação com o militar protegido pela blindagem.

Em condições de baixa luminosidade, a câmera termal amplia a observação, sempre dentro dos limites técnicos do sistema e das condições do terreno.

Modernização da frota blindada do Exército

O Ministério da Defesa afirma que o Guarani é resultado da modernização da frota do Exército Brasileiro, que mantém a propriedade intelectual do blindado.

A viatura foi criada para substituir gradualmente modelos anteriores de transporte de tropa e servir como base para uma família de blindados médios sobre rodas.

O projeto não envolve apenas a entrega de veículos.

Também inclui capacitação de militares, manutenção, adaptação logística, sistemas de comando e controle e desenvolvimento de versões especializadas.

O Governo de Minas informou, ainda em 2011, que o VBTP Guarani poderia originar diferentes configurações, como posto de comando, comunicações, morteiro, socorro, oficina e ambulância.

Essa padronização facilita o uso de uma mesma plataforma em funções distintas.

Para uma força mecanizada, o emprego de veículos com base comum pode simplificar treinamento, peças de reposição e manutenção.

O Exército também informou que o Projeto Guarani completou 20 anos em 2025 e continua associado ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Produção no Brasil e cadeia industrial de defesa

A produção do Guarani está ligada à instalação da Iveco Defence Vehicles em Sete Lagoas, Minas Gerais.

O Governo de Minas registrou que o projeto envolvia fornecedores nacionais e a criação de uma unidade voltada a veículos blindados.

O Exército afirma que a iniciativa contribuiu para pesquisa, desenvolvimento e inovação em produtos de defesa no país.

Na área militar, fabricar e manter equipamentos no país pode reduzir dependências externas em parte da cadeia logística.

Essa avaliação aparece de forma recorrente em documentos e comunicados sobre a Base Industrial de Defesa, sempre relacionada à capacidade de produção, manutenção e evolução de sistemas usados pelas Forças Armadas.

O programa também tem continuidade nas entregas recentes.

Documento de monitoramento do Ministério da Defesa informa que, em 2024, foram entregues 60 viaturas Guarani 6×6, além de sistemas REMAX e sistemas de comando e controle.

O mesmo relatório aponta novas entregas em 2025 no âmbito dos programas acompanhados pela pasta.

Fortaleza móvel sobre rodas

A expressão “fortaleza móvel”, presente no título, descreve a combinação de recursos de proteção, transporte e mobilidade do Guarani.

O veículo reúne casco blindado, tração 6×6, função anfíbia, capacidade para uma fração de tropa, sistemas eletrônicos e opção de armamento remoto.

Do ponto de vista técnico, a viatura concentra soluções de engenharia mecânica, eletrônica, balística e ciência dos materiais.

O casco em V atua na dispersão de energia de explosões inferiores.

A tração nas seis rodas favorece o deslocamento em terrenos irregulares.

A função anfíbia permite travessias em ambiente aquático controlado.

Já os sistemas remotos de armas reduzem a exposição direta do operador.

A soma desses elementos explica por que o Guarani ocupa papel central na infantaria mecanizada brasileira.

A plataforma não substitui todos os tipos de blindados, nem tem a função de um carro de combate pesado, mas atende a uma necessidade específica: transportar militares com proteção, mobilidade e capacidade de apoio em diferentes cenários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x