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Com 12,5 metros de comprimento, peso estimado em 8,4 toneladas e mordida calculada em 69 mil N, o Purussaurus brasiliensis entrou para a história como o “superjacaré” que dominou a Amazônia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/12/2025 às 16:28
Atualizado em 20/12/2025 às 16:50
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
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Predador colossal do Mioceno, Purussaurus virou símbolo da proto-Amazônia e tem estimativas surpreendentes de tamanho e mordida baseadas em fósseis do Acre e em modelos científicos amplamente citados, que ajudam a entender seu lugar na megafauna sul-americana.

Estimativas de tamanho, peso e mordida do Purussaurus brasiliensis

Um estudo científico publicado na PLOS ONE estimou que um adulto de Purussaurus brasiliensis poderia atingir cerca de 12,5 metros de comprimento e aproximadamente 8,4 toneladas, além de gerar uma força de mordida sustentada calculada em 69 mil newtons.

Na mesma análise, os autores descrevem o animal como um predador de topo no ecossistema em que vivia, no final do Mioceno, em ambientes associados à proto-Amazônia.

O Purussaurus brasiliensis é um crocodiliano extinto do grupo dos jacarés, conhecido por fósseis encontrados na região amazônica e, em especial, por materiais atribuídos à Formação Solimões, no estado do Acre.

A combinação de crânios muito grandes, mandíbulas robustas e dentes adaptados para capturar e esmagar presas fez com que o animal se tornasse um dos símbolos da megafauna de répteis do Mioceno sul-americano, frequentemente apresentado ao público com apelidos que destacam o gigantismo.

Como os números foram estimados a partir dos fósseis

Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.

As estimativas que embasam os números do estudo de 2015 partem de medidas de fósseis, especialmente de crânios, e do uso de equações de regressão calibradas com crocodilianos atuais.

Em vez de “adivinhar” o tamanho total a partir de um único osso, os pesquisadores aplicaram relações conhecidas entre dimensões do crânio e comprimento corporal observadas em espécies vivas, e então extrapolaram o resultado para o Purussaurus com base nas proporções usadas no trabalho.

É por isso que o próprio artigo trata os valores como estimativas obtidas por método comparativo, e não como medidas diretas de um corpo completo preservado.

Fósseis no Acre e a Formação Solimões

No campo, o Acre aparece com frequência nas discussões sobre o Purussaurus por reunir achados expressivos.

Em 2019, por exemplo, a Universidade Federal do Acre informou o resgate de fragmentos de mandíbula atribuídos ao animal às margens do rio Acre, no município de Brasiléia, e registrou que o réptil viveu no estado há mais de 8 milhões de anos.

O comunicado destaca o trabalho de coleta e transporte do material para o campus, como parte de esforços locais de preservação e pesquisa paleontológica.

Além de resgates pontuais, há também descrições técnicas apresentadas em eventos científicos.

Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.

Um trabalho divulgado nos anais do Congresso Brasileiro de Paleontologia relata um sítio da Formação Solimões em Brasiléia, no Acre, com achado associado de crânio e mandíbula de Purussaurus brasiliensis preservados in situ, e registra peças com cerca de 1,4 metro de comprimento.

Essa dimensão do crânio ajuda a explicar por que o gênero se tornou referência quando o assunto é crocodiliano gigante: um crânio nessa escala, por si só, já impõe uma comparação fora do padrão para répteis atuais.

Força de mordida e desempenho biomecânico

A força de mordida calculada no estudo da PLOS ONE é um dos dados que mais chamam atenção porque traduz o gigantismo em desempenho funcional.

Na prática, os autores estimaram o potencial de mordida a partir de relações entre tamanho corporal, musculatura e parâmetros biomecânicos usados para crocodilianos modernos, chegando ao valor de 69 mil N como força sustentada.

No artigo, o dado é apresentado como parte de um conjunto de evidências que, somadas ao porte estimado, sustentam a ideia de um predador capaz de explorar uma faixa ampla de presas no ambiente aquático e em suas margens.

Predador de topo na proto-Amazônia do Mioceno

Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.

Esse cenário de “domínio” na Amazônia não significa a existência de um único animal isolado, mas a presença, no topo da cadeia alimentar daquele ecossistema, de um crocodiliano gigante em uma paisagem de rios, lagos e áreas alagadas no Mioceno.

Ao tratar o Purussaurus como predador de topo, o estudo enfatiza que tamanho e força ampliariam as possibilidades de dieta e competição, em um contexto de fauna diversa associada a zonas úmidas.

O termo “proto-Amazônia” aparece com frequência na literatura para se referir a esses sistemas antigos de áreas alagadas e drenagens que antecedem a configuração atual da bacia.

Marcas de dentes e evidências de interação predador-presa

Outras pesquisas ajudam a visualizar como esse tipo de predador poderia interagir com animais terrestres próximos da água.

Um artigo publicado em Biology Letters descreveu marcas de dentes em ossos de preguiça-gigante (um milodontídeo) encontradas na Amazônia peruana e interpretou o padrão como evidência de ataque compatível com um Purussaurus jovem, oferecendo um registro incomum de interação predador-presa em áreas úmidas da proto-Amazônia.

O próprio resumo do estudo ressalta o caráter “instantâneo” desse tipo de evidência fossilizada para inferir hábitos alimentares e comportamento, com base em marcas preservadas.

Cautela na reconstrução do tamanho de crocodilianos gigantes

Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.
Purussaurus brasiliensis teve até 12,5 metros, 8,4 toneladas e mordida estimada em 69 mil N, dominando rios da proto-Amazônia no Mioceno.

Mesmo com números impressionantes, a reconstrução do tamanho do Purussaurus brasiliensis exige cautela na leitura.

A mesma literatura que divulga as estimativas também reconhece que fósseis de crocodilianos gigantes costumam ser fragmentários e que diferentes premissas de comparação podem produzir valores distintos para comprimento e massa.

Por isso, quando se fala em 12,5 metros e 8,4 toneladas, o dado mais fiel ao que está publicado é: trata-se da estimativa apresentada no estudo específico, derivada do método e das medidas escolhidas pelos autores naquele trabalho.

O interesse do público por “superpredadores” pré-históricos costuma ser alimentado por comparações com animais vivos, mas o registro fóssil também permite um tipo de comparação mais objetiva: a escala do próprio osso.

Um crânio na faixa de 1,4 metro, descrito em material associado à Formação Solimões, é um elemento visual forte por não depender de ilustração para sugerir grandeza.

Quando esse tipo de evidência é conectado a análises quantitativas, como o cálculo de mordida e de massa corporal, a história ganha um componente mensurável que ajuda a explicar por que o Purussaurus continua sendo citado entre os maiores crocodilianos conhecidos.

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Magnotron
Magnotron
28/12/2025 08:15

Ainda tem esse bicho lá no Acre… São chamados de lagartixas.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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