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CMA CGM aumenta frete em US$ 1.000 por contêiner da Ásia para a América do Sul e reajuste já vale para cargas destinadas ao Brasil

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Escrito por Ana Alice Publicado em 16/10/2026 às 20:06 Atualizado em 16/10/2026 às 20:34
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Navio porta-contêineres da CMA CGM durante operação portuária; armadora passou a aplicar reajuste de US$ 1.000 por contêiner em cargas da Ásia para a Costa Leste da América do Sul. Créditos: Wolfgang Fricke/Wikimedia Commons
Navio porta-contêineres da CMA CGM durante operação portuária; armadora passou a aplicar reajuste de US$ 1.000 por contêiner em cargas da Ásia para a Costa Leste da América do Sul. Créditos: Wolfgang Fricke/Wikimedia Commons
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Reajuste entrou em vigor em 15 de outubro para cargas com origem na Ásia e destino à Costa Leste da América do Sul, incluindo portos brasileiros, e alcança diferentes tipos de contêineres.

A CMA CGM passou a aplicar nesta quinta-feira (15) um reajuste de US$ 1.000 por contêiner em embarques originados na Ásia com destino à Costa Leste da América do Sul, rota que inclui portos brasileiros.

A medida alcança cargas secas, refrigeradas e fora das dimensões convencionais e foi anunciada oficialmente pela companhia em 24 de setembro de 2026.

O aumento é classificado pela armadora como General Rate Increase (GRI), mecanismo utilizado para revisar tarifas cobradas no transporte marítimo. O comunicado brasileiro estabelece o mesmo valor de US$ 1.000 por contêiner, independentemente de destacar uma tarifa final específica para cada origem e destino.

O escopo começa em todos os portos asiáticos atendidos pela medida. A companhia cita expressamente Japão, Sudeste Asiático e Bangladesh, além das demais origens da região. No destino, o aviso brasileiro menciona toda a Costa Leste da América do Sul.

A versão global do anúncio amplia a descrição do reajuste para diferentes áreas da América Latina e estabelece 15 de outubro como data de carregamento a partir da qual o novo valor passa a valer. Além da Costa Leste sul-americana, aparecem no comunicado global a Costa Oeste da América do Sul, América Central, Caribe e México.

Reajuste de US$ 1.000 não representa o preço total do transporte

O valor anunciado pela CMA CGM deve ser entendido como um acréscimo de US$ 1.000 por contêiner, e não como o preço integral para transportar uma unidade entre a Ásia e o Brasil.

A própria companhia informa que o frete básico pode ser acompanhado de outras cobranças. Entre elas estão sobretaxas relacionadas a combustível, movimentação nos terminais de origem e destino, segurança, contingências e despesas locais, dependendo das condições de cada embarque.

Essa distinção é importante porque o custo final varia conforme porto de saída, destino, tipo de equipamento, contrato comercial e outras condições aplicáveis à carga.

Portanto, o anúncio não significa que todo contêiner transportado da Ásia para o Brasil passe a custar uma tarifa única acrescida sobre um mesmo preço-base.

Segundo informações divulgadas pela Transporte Moderno, os US$ 1.000 representam o aumento pretendido pelos armadores, enquanto a aplicação comercial pode depender das condições de mercado e das negociações mantidas com os clientes.

Cargas secas, refrigeradas e fora do padrão entram na medida

No comunicado direcionado ao mercado brasileiro, a CMA CGM informa que o GRI abrange três grupos de cargas: Dry, Reefer e Out of Gauge (OOG).

Os contêineres Dry correspondem aos equipamentos convencionais utilizados para mercadorias que não exigem refrigeração. Já os Reefers são empregados para produtos que precisam de controle de temperatura durante o transporte.

A classificação OOG engloba cargas cujas dimensões excedem os limites de equipamentos convencionais. Esse tipo de operação aparece, por exemplo, no transporte de determinados componentes industriais, máquinas e estruturas de grandes dimensões, embora as características de cada embarque precisem ser analisadas individualmente.

Na comunicação global, a CMA CGM inclui ainda contêineres vazios sujeitos ao pagamento de frete no conjunto abrangido pelo reajuste. O comunicado brasileiro, por sua vez, destaca especificamente as categorias Dry, Reefer e OOG.

Outra armadora anunciou aumento semelhante para a mesma data

O movimento não ficou restrito à CMA CGM. A alemã Hapag-Lloyd também anunciou um General Rate Increase para embarques do Extremo Oriente destinados, entre outras regiões, à Costa Leste da América do Sul, com vigência a partir de 15 de outubro de 2026.

Na rota para a costa leste sul-americana, a Hapag-Lloyd informou aumento de US$ 1.000 por contêiner.

Em sua tabela, a tarifa indicada para um contêiner Dry de 20 pés passa de US$ 5.500 para US$ 6.500, enquanto a de um Dry de 40 pés passa de US$ 5.700 para US$ 6.700. O equipamento NOR de 40 pés também sobe em US$ 1.000, de US$ 4.400 para US$ 5.400.

As tarifas da Hapag-Lloyd não devem ser usadas como referência direta para calcular quanto um cliente da CMA CGM pagará, já que cada armadora possui sua própria estrutura comercial.

Os dados servem, porém, para mostrar que mais de uma companhia anunciou reajuste de US$ 1.000 para o corredor Ásia-América Latina no mesmo período.

Importações brasileiras em contêineres cresceram em 2026

O reajuste ocorre em um ano de aumento do fluxo conteinerizado de importação para o Brasil.

Dados do DataLiner, da Datamar, citados pela Transporte Moderno, apontam que as importações brasileiras em contêineres cresceram 9,2% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

O avanço foi ainda maior nas cargas provenientes da China. No mesmo período, o volume importado pelo Brasil com origem no país asiático cresceu 21,6%, segundo os dados reproduzidos pelo veículo especializado.

Somente em julho, as importações conteinerizadas brasileiras registraram alta de 13,3% na comparação anual.

Os números ajudam a dimensionar a importância da ligação entre a Ásia e os portos brasileiros, embora não permitam atribuir o reajuste anunciado pelas armadoras exclusivamente ao aumento da demanda do Brasil.

A CMA CGM justificou oficialmente o GRI pela necessidade de garantir a sustentabilidade do serviço e manter sua qualidade, sem apresentar no comunicado brasileiro uma decomposição dos fatores que levaram ao valor de US$ 1.000.

CMA CGM mantém 11 portos de escala no Brasil

A companhia possui operação estruturada no mercado brasileiro. Em sua página institucional, a CMA CGM informa contar com 12 representações comerciais ou escritórios, dez serviços de linha e 11 portos de escala no país, com aproximadamente 38 escalas mensais.

A empresa afirma que seus navios escalam portos brasileiros desde a década de 1980 e que sua agência marítima própria no país foi criada em 2003.

A estrutura conecta o mercado brasileiro às redes internacionais do grupo e coloca o país entre os destinos alcançados pelas alterações tarifárias direcionadas à Costa Leste da América do Sul.

Desde 15 de outubro de 2026, o GRI anunciado em setembro já está dentro de seu período de vigência para os embarques cobertos pelo comunicado.

Para saber o valor final de uma operação específica entre a Ásia e um porto brasileiro, clientes precisam considerar a tarifa contratada, o tipo de contêiner e as demais cobranças eventualmente aplicáveis ao transporte.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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