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Aventureiros descem ao fundo do Mar Mediterrâneo e encontram 1.400 círculos gigantes desenhados milimetricamente na areia a 120 metros — e a ciência ainda não tem resposta definitiva

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 06/05/2026 às 15:00
Atualizado em 06/05/2026 às 15:02
Mais de 1.400 círculos geométricos desenhados milimetricamente na areia do fundo do Mar Mediterrâneo a 120 metros de profundidade
Os círculos Mediterrâneo a 120m de profundidade: 1.400 formações geométricas cobrindo 250 mil m² — Laurent Ballesta/National Geographic, 2026
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A 120 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo, perto da ilha da Córsega, uma equipe liderada pelo explorador Laurent Ballesta mapeou mais de 1.400 círculos gigantes desenhados na areia com precisão geométrica surpreendente — e a ciência ainda não tem uma explicação definitiva para eles.

Segundo a Exame e a Revista Oeste, os círculos Mediterrâneo foram revelados ao público em maio de 2026.

Laurent Ballesta, fotógrafo e explorador da National Geographic, liderou as expedições. Ele documentou as formações com sonar de alta resolução e mergulhos técnicos a 120 metros de profundidade.

Portanto, a descoberta chegou com dois mistérios ao mesmo tempo. O primeiro: de onde vieram esses padrões tão regulares em um ambiente naturalmente irregular.

O segundo: por que datação por carbono indica que as formações têm 21 mil anos de idade — época em que o Mediterrâneo era muito diferente do que é hoje.

Os círculos Mediterrâneo em números: o que Laurent Ballesta encontrou

Círculos Mediterrâneo no fundo do mar perto da Córsega a 120 metros de profundidade com precisão geométrica
Mais de 1.400 círculos geométricos na areia do Mediterrâneo a 120m de profundidade — Laurent Ballesta/National Geographic, 2026

As dimensões são difíceis de ignorar.

Cada círculo tem dezenas de metros de diâmetro, e o conjunto ocupa uma área de 250 mil metros quadrados — equivalente a cerca de 25 campos de futebol cobertos por padrões geométricos repetidos.

Além disso, a precisão é o que mais desconcerta os cientistas.

Conforme a Oficina da Net, os anéis apresentam bordas bem definidas e espaçamento consistente — algo “raramente visto na exploração oceânica” em ambiente natural de leito arenoso.

Da mesma forma, a quantidade impressiona. São mais de 1.400 formações — não uma ou duas estruturas isoladas, mas um padrão que cobre uma vasta área do fundo marinho.

Assim, a hipótese de evento aleatório fica difícil de sustentar.

  • 1.400+ círculos documentados perto da Córsega, Mediterrâneo
  • 120 metros de profundidade — fora do alcance de mergulhadores convencionais
  • 250 mil m² de área total — equivalente a 25 campos de futebol
  • 21 mil anos de idade estimada por datação de carbono
  • Dezenas de metros de diâmetro em cada anel individual

A precisão que deixou os pesquisadores sem resposta imediata

Mergulhador a grande profundidade explorando formações circulares no fundo do Mediterrâneo
Laurent Ballesta utilizou submersíveis e sonar de alta resolução para documentar os círculos a 120m — National Geographic, 2026

O que mais intriga os pesquisadores não é apenas o tamanho dos círculos Mediterrâneo, mas a regularidade deles. Em um ambiente marinho a 120 metros, as correntes e os organismos normalmente criam padrões caóticos.

Nesse sentido, o jornal francês Le Parisien descreveu: “Nem todo fenômeno submarino encontra explicação imediata. A escala e precisão dos círculos os colocam em uma categoria raramente vista na exploração oceânica.”

Portanto, os cientistas têm trabalhado com duas hipóteses principais para explicar a origem das formações. Ambas têm evidências a favor — e nenhuma está confirmada definitivamente.

A profundidade de 120 metros foi, por muito tempo, uma barreira natural para expedições científicas convencionais.

Mergulhadores recreativos chegam a no máximo 40 metros com segurança. Portanto, a documentação de Ballesta exigiu equipamentos técnicos especializados e preparação de meses.

Além disso, o sonar de alta resolução foi fundamental. Sem esse recurso, as formações apareciam apenas como “discos claros” nos dados brutos — e foram ignoradas por expedições anteriores.

Consequentemente, a descoberta serve também como lembrete de que tecnologia e curiosidade às vezes chegam juntas ao mesmo lugar, no momento certo.

As duas hipóteses científicas para os círculos

A primeira hipótese aponta para correntes e redemoinhos consistentes ao longo de décadas. Segundo pesquisadores de geomorfologia marinha, vórtices repetitivos no fundo podem esculpir anéis na areia com precisão crescente ao longo de milênios.

Contudo, a segunda hipótese envolve organismos marinhos. Conforme a Exame, pesquisadores avaliam que estruturas “resultantes de organismos que interagem com o fundo arenoso de forma recorrente” poderiam gerar padrões tão regulares.

Em outras palavras, a vida no fundo do mar pode ser a artista.

Da mesma forma, essas formações evocam comparações com outros mistérios naturais.

Os anéis de fada (fairy circles) do deserto da Namíbia, atribuídos a interações ecológicas entre plantas e insetos, seguem lógica similar — mas em terra, não no fundo do mar.

21 mil anos atrás: quando o Mediterrâneo era outro mundo

Mapa do Mediterrâneo mostrando a localização dos círculos perto da ilha da Córsega na França
Os círculos foram formados há 21 mil anos — quando o Mediterrâneo estava no período glacial e o nível do mar era muito mais baixo — NOAA/National Geographic

A datação por carbono revelou que os círculos começaram a se formar há cerca de 21 mil anos — no final do último período glacial. Consequentemente, esse contexto histórico muda tudo.

Há 21 mil anos, o nível do mar era dezenas de metros mais baixo do que hoje.

O trecho do Mediterrâneo onde as formações ficam agora a 120 metros era uma área de aguas mais rasas — ou até costeira.

Assim, o processo que criou os círculos aconteceu num ambiente completamente diferente do atual.

Além disso, as condições de temperatura e salinidade eram distintas. Portanto, a explicação correta precisa dar conta não apenas do que vemos hoje, mas do que havia naquele fundo oceânico há mais de dois séculos.

Por que os círculos Mediterrâneo importam para a ciência oceânica

Investigações como a de Ballesta abrem portas para entender padrões que podem existir em outros fundos marinhos ainda não mapeados.

Segundo a Exame, cientistas de biologia marinha, geologia e dinâmica de correntes oceânicas estão estudando se formações similares existem em outras regiões do Mediterrâneo.

Em comparação, o fundo do mar guarda registros que a terra não preserva. Como mostrou o naufrágio mais profundo do mundo a 6.800 metros no Pacífico, o oceano preserva estruturas por séculos.

Como mostrou a descoberta do naufrágio mais profundo do mundo a 6.800 metros no Pacífico, o oceano esconde estruturas há séculos — ou, neste caso, milênios.

Por outro lado, o acesso a 120 metros exige equipamentos e técnicas que poucos possuem. Da mesma forma, a maioria do fundo oceânico do planeta nunca foi mapeada em alta resolução.

Portanto, quantos campos de círculos semelhantes podem existir — e nunca foram vistos? Da mesma forma que fósseis na China revelaram vida complexa muito antes do esperado, o Mediterrâneo pode guardar mais surpresas.

Da mesma forma que um conjunto de fósseis na China revelou vida complexa muito antes do esperado, o fundo do Mediterrâneo pode guardar mais surpresas.

Ainda assim, a versão mais provável é natural. A datação indica processo geológico ou biológico antigo.

Porém, até que um artigo peer-reviewed confirme a hipótese vencedora, o Mediterrâneo guarda um dos mistérios mais visuais da ciência oceânica de 2026.

Nota: os dados sobre as formações são baseados em reportagens de maio de 2026 da Exame, Revista Oeste e Oficina da Net.

Estudos científicos formais sobre a origem dos círculos estão em andamento e ainda não foram publicados em periódicos revisados por pares.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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