As embarcações naufragadas registradas por cientistas no entorno do porto de Santos já somam 12 casos na Baixada Santista, e sete delas foram descobertas e estudadas com mais profundidade, incluindo o Casador, o Questrel e o Professor Besnard.
As embarcações naufragadas espalhadas pelo fundo do mar e pela faixa costeira da região mostram que o porto de Santos guarda muito mais do que navios em operação. Sob a superfície, há destroços, memória histórica e vestígios que ajudam pesquisadores a reconstruir episódios importantes da navegação e da ciência no litoral paulista.
Hoje, os registros conhecidos apontam para 12 embarcações naufragadas na área da Baixada Santista, sendo que sete já foram localizadas e analisadas por estudiosos. O cenário inclui desde navios de carga do século 19 até uma embarcação científica que marcou a oceanografia brasileira e recentemente tombou após uma forte chuva.
Fundo do mar guarda um acervo que pouca gente imagina
Quem observa o movimento diário no porto de Santos nem sempre percebe que, abaixo da superfície, existe um outro mapa da navegação. As embarcações naufragadas da região funcionam como verdadeiros marcos submersos, preservando episódios que atravessam séculos e despertam o interesse de arqueólogos, pesquisadores e moradores.
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Segundo os relatos apresentados no vídeo, hoje há registro de 12 embarcações naufragadas na área da Baixada Santista. Dessas, sete já foram descobertas e estudadas.
Para os pesquisadores, os destroços encontrados no canal do porto e em áreas próximas são quase tesouros históricos, porque ajudam a contar como essas estruturas chegaram até ali e o que ainda podem revelar.
Casador, de 1828, está entre os destaques mais valiosos

Um dos casos mais emblemáticos entre as embarcações naufragadas é o do Casador, navio argentino que afundou em 1828. A embarcação era um veleiro de carga e fazia o transporte entre Argentina e Brasil, até sofrer o acidente que terminou no naufrágio.
De acordo com o relato, não houve mortes no episódio, e hoje o Casador se encontra em um local preservado, em profundidade baixa, o que facilita os trabalhos de pesquisa.
Isso faz dele um dos exemplos mais importantes da região, tanto pela antiguidade quanto pelas condições que ainda permitem estudo detalhado.
Estrutura antiga em São Vicente também chama atenção
Outra descoberta citada pelos arqueólogos fica na região do Porto das Naus, em São Vicente, cidade vizinha a Santos e uma das mais antigas do país. O material encontrado ali inclui canhões e elementos que remetem a um período muito antigo.
A presença desses vestígios reforça o valor histórico das embarcações naufragadas no litoral paulista, porque aponta para conexões com tempos remotos da ocupação costeira e da circulação marítima no Brasil. Mesmo sem todos os detalhes fechados, o conjunto encontrado já impressiona pelo potencial histórico.
Questrel reaparece na maré baixa e virou parte da paisagem local
Entre as embarcações naufragadas mais conhecidas pelos moradores de Santos, o Questrel ocupa um lugar especial. O cargueiro inglês, construído em 1895, acabou encalhando na praia do Boqueirão durante uma noite de tempestade.
Na maré baixa, o navio aparece na areia e se transforma em uma cena familiar para moradores e turistas. É um daqueles casos em que o naufrágio deixou de ser apenas um acidente do passado e virou uma imagem viva da relação da cidade com o mar. Essa aparição periódica ajuda a manter a história do Questrel presente no cotidiano da orla.
Professor Besnard une memória científica e comoção recente

Se o Questrel chama atenção pela presença na praia, o Professor Besnard comove por sua importância para a ciência brasileira. A embarcação nasceu de um projeto ligado a um professor de oceanografia da USP, que deu nome ao navio, e foi construída em 1967, na Noruega.
Depois, veio para Santos para atuar em pesquisas em alto-mar. Durante 50 anos, o Professor Besnard navegou pela costa brasileira e se tornou, segundo o vídeo, o único navio não militar de pesquisa oceanográfica na costa do país. Depois de um incêndio em 2016, deixou de navegar e acabou sendo doado para a prefeitura de Ilhabela.
A embarcação tinha destino importante. Em 2019, houve a doação para que o navio fosse transformado em museu. Mas, no mês passado, durante uma forte chuva, o Professor Besnard encheu de água e tombou, interrompendo de forma dramática o projeto que buscava preservar sua trajetória.
Navio tombado entristece quem viveu sua história
O impacto do tombamento do Professor Besnard vai além da imagem da embarcação inclinada na água. O vídeo mostra o peso emocional desse momento para quem acompanhou a trajetória do navio de perto, seja na tentativa de recuperação, seja nas missões científicas realizadas a bordo.
Uma das pessoas ouvidas relembra a expedição à Antártica em 1987 e mostra o diário de bordo como uma relíquia. Ver o Professor Besnard tombado é, ao mesmo tempo, uma perda simbólica para a memória da ciência brasileira e um retrato duro do risco de desaparecer um patrimônio histórico e científico.
Ainda assim, há uma perspectiva de reação. O navio deve passar por processo de recuperação emergencial para voltar a flutuar e, depois, ser rebocado a um estaleiro, onde a expectativa é de restauração.
Pesquisa ajuda a transformar destroços em patrimônio
O caso das embarcações naufragadas no entorno do porto de Santos mostra como o fundo do mar também pode funcionar como arquivo.
Cada estrutura localizada ajuda a montar uma parte da história marítima da região, seja pelo valor arqueológico, seja pela ligação com a memória urbana e científica.
Mais do que simples restos de navios, esses destroços revelam rotas, acidentes, mudanças no litoral e capítulos inteiros que continuam preservados sob a água.
Por isso, o trabalho dos cientistas e arqueólogos ganha peso, especialmente em uma área tão simbólica para a navegação brasileira quanto a Baixada Santista.
Porto de Santos revela histórias que continuam submersas
Os registros atuais indicam que ainda há muito a ser compreendido sobre as embarcações naufragadas da região. Sete já foram estudadas, mas o total conhecido chega a 12, o que mostra que o litoral em torno do porto de Santos segue guardando histórias que ainda podem surpreender pesquisadores e a população.
Do Casador, de 1828, ao Questrel, que ressurge na maré baixa, passando pelo Professor Besnard, que tombou recentemente após uma forte chuva, o conjunto dessas embarcações ajuda a mostrar que o mar da Baixada não guarda apenas rotas comerciais. Ele preserva lembranças, cicatrizes e capítulos importantes da história marítima e científica do Brasil.
E para você, qual dessas embarcações naufragadas mais impressiona: a antiguidade do Casador, a imagem do Questrel na areia ou a história científica do Professor Besnard?


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