Uma equipe internacional a bordo do navio Chikyu perfurou quase 8.000 metros no fundo do oceano na Fossa do Japão e descobriu que o tsunami de 2011 foi amplificado por uma camada de argila de 130 milhões de anos extremamente escorregadia que fez o fundo do oceano subir entre 50 e 70 metros em segundos, transformando o terremoto em uma parede de água maior do que qualquer previsão indicava
Cientistas perfuraram quase 8.000 metros no fundo do oceano, acima da falha que causou o terremoto e o tsunami de 2011 no Japão.
O objetivo era responder a uma pergunta que intrigava geólogos há mais de uma década: por que aquela onda cresceu tanto e avançou tanto para o interior, mesmo que o terremoto já tivesse sido bem estudado?
As amostras coletadas do fundo do oceano revelaram que a ruptura ocorreu ao longo de uma camada de argila de 130 milhões de anos, extremamente fina e escorregadia, que fez o fundo do oceano subir entre 50 e 70 metros em segundos e transformou o terremoto em um tsunami muito pior do que qualquer modelo previa.
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O estudo, publicado na revista Science, foi liderado pelo geólogo JD Kirkpatrick e realizado a bordo do navio de perfuração Chikyu, operado pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre.
A perfuração no fundo do oceano na Fossa do Japão estabeleceu um recorde mundial do Guinness para perfuração oceânica científica, com mais de 7.900 metros de tubos descendo por quase sete quilômetros de água até alcançar o limite entre as placas tectônicas.
O que encontraram ali embaixo explica por que o tsunami de 2011 matou dezenas de milhares de pessoas e transbordou diques que deveriam ter protegido as cidades costeiras.
O que os cientistas encontraram a quase 8.000 metros no fundo do oceano

Na Fossa do Japão, a placa tectônica do Pacífico desliza sob o Japão em um processo chamado subducção.
Uma placa enorme da Terra mergulha lentamente sob outra, e as duas superfícies podem ficar presas por séculos até que a tensão acumulada as separe em um solavanco repentino.
Os cientistas esperavam encontrar uma ampla zona de rocha fragmentada na falha. Não foi o que aconteceu.
As amostras retiradas do fundo do oceano mostraram que a ruptura de 2011 se concentrou em uma camada rica em argila com apenas alguns metros de espessura.
Essa argila é composta por partículas microscópicas de lama que se depositaram na placa do Pacífico ao longo de cerca de 130 milhões de anos antes de serem arrastadas para a fossa, formando uma linha de ruptura natural dentro da falha.
O professor Ron Hackney, da Universidade Nacional da Austrália, descreveu essa faixa frágil como o local onde o movimento provavelmente começou.
Como a argila de 130 milhões de anos fez o fundo do oceano subir 70 metros em segundos
Quando o terremoto de magnitude 9,1 rompeu a falha em março de 2011, a ruptura foi canalizada para a camada de argila extremamente macia e escorregadia.
Como a argila oferecia resistência mínima ao movimento, partes da fronteira da placa perto da fossa deslizaram entre 50 e 70 metros, empurrando o fundo do oceano para cima em vários metros em apenas alguns segundos.
Esse salto do fundo do oceano foi o que transformou o terremoto em uma parede de água que avançou em direção à costa japonesa.
A analogia usada pelos cientistas é a de uma gaveta de cozinha emperrada: ela resiste quando você puxa, mas quando finalmente solta, desliza violentamente até o fim do trilho.
A camada de argila de 130 milhões de anos funcionou como essa gaveta: armazenou séculos de tensão enquanto a placa do Pacífico se movia para oeste alguns centímetros por ano, até que a pressão sobrecarregou o material e a falha deslizou quase livremente.
O resultado foi um tsunami maior e mais concentrado do que qualquer previsão havia sugerido, o que corresponde ao que as comunidades costeiras de fato presenciaram.
Por que nenhum modelo previu que o tsunami seria tão destrutivo
Antes dessa perfuração no fundo do oceano, os modelos de previsão de tsunamis se baseavam principalmente na magnitude do terremoto para estimar o tamanho da onda.
O problema é que a magnitude sozinha não captura o que acontece na falha. Dois terremotos de mesma magnitude podem produzir tsunamis completamente diferentes dependendo do material que existe no ponto de ruptura.
No caso de 2011, a presença da camada de argila escorregadia permitiu que o fundo do oceano se deslocasse muito mais do que os modelos previam para aquela magnitude.
A água transbordou diques e invadiu bairros muito além da linha da costa, atingiu a usina nuclear de Fukushima Daiichi e causou uma das maiores catástrofes do século XXI.
Os cientistas agora entendem que o fator decisivo não foi apenas a força do terremoto, mas o tipo de material no fundo do oceano onde a falha se rompeu, e isso muda a forma como avaliamos o risco de tsunamis no mundo inteiro.
O que a descoberta no fundo do oceano do Japão significa para o risco futuro de tsunamis
Os resultados oferecem um novo modelo para identificar outros locais no mundo onde o risco de tsunami pode ser excepcionalmente alto.
Hackney observa que há indícios de sedimentos igualmente moles sendo arrastados para zonas de subducção em regiões como Sumatra, embora apenas perfurações futuras no fundo do oceano possam confirmar se essas falhas escondem o mesmo tipo de camada de argila frágil.
Na prática, isso significa que os mapas de risco de tsunamis podem ir além de regras simples que relacionam apenas o tamanho da onda à magnitude do terremoto.
Os planejadores podem começar a investigar se determinados trechos de costa estão situados em frente a falhas geológicas com camadas escorregadias que poderiam lançar o fundo do oceano para cima em movimento violento.
Esse conhecimento alimenta diretamente os códigos de construção, as rotas de evacuação e os sistemas de alerta precoce que avisam populações costeiras quando devem abandonar suas casas e correr para terrenos mais altos.
A perfuração no fundo do oceano do Japão não salva quem morreu em 2011. Mas pode salvar quem vive em regiões semelhantes e não sabe que uma camada de argila de milhões de anos pode transformar o próximo terremoto em algo muito pior do que os modelos preveem.
8.000 metros no fundo do oceano e a resposta que levou 13 anos para chegar
Cientistas perfuraram quase 8.000 metros no fundo do oceano na Fossa do Japão e encontraram a resposta para por que o tsunami de 2011 foi tão devastador.
Uma camada de argila de 130 milhões de anos, extremamente fina e escorregadia, fez o fundo do oceano subir entre 50 e 70 metros em segundos, transformando o terremoto em uma onda que nenhum modelo conseguiu prever e que matou dezenas de milhares de pessoas.
A descoberta muda a forma como avaliamos tsunamis e mostra que, às vezes, a diferença entre uma onda grande e uma catástrofe está escondida milhares de metros abaixo do fundo do oceano, em uma camada de lama mais antiga que a maioria dos dinossauros.
Você sabia que o fundo do oceano subiu 70 metros em segundos durante o terremoto de 2011? Imaginava que uma camada de argila de 130 milhões de anos pudesse causar um tsunami tão devastador? Acha que essa descoberta vai mudar a prevenção de desastres? Deixe nos comentários e compartilhe com quem se interessa por ciência e geologia.

Eu acho que está por vim outro twusiname e a segurança da cidade tem que ficar de olho, e protege a população em geral!!!!
Não imaginava, o mesmo homem que trabalha pra descobrir como se defender dos desastres naturais ao mesmo tempo que promove guerras e destroem tudo por força da involução do humanismo, da degradação das humanidades.