A Academia Chinesa de Ciências criou um ímã supercondutor de 35,6 tesla, mais de 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra na superfície, capaz de operar por mais de 200 horas gastando pouca energia, e o sistema está instalado em Pequim como ferramenta compartilhada para pesquisa em materiais quânticos, supercondutores, biomoléculas e fusão nuclear
A China acaba de ativar um ímã que é 700 mil vezes mais potente que o campo magnético da Terra.
O sistema, criado pela Academia Chinesa de Ciências, atinge 35,6 tesla e é o ímã totalmente supercondutor mais potente já construído.
Para comparação, o campo magnético da Terra na superfície é de apenas algumas dezenas de microteslas, e uma ressonância magnética de hospital opera entre 1,5 e 3 tesla. O novo ímã chinês opera com um campo magnético aproximadamente dez vezes maior que o de uma ressonância.
-
Peixes somem e microrganismos tomam conta: a 301 metros no fundo do mar, o Buraco do Dragão revela um mundo sem oxigênio no Mar do Sul da China
-
Mais de 3.200 nanossatélites já foram lançados ao espaço, quase 3.000 são CubeSats, e a nova corrida espacial ficou menor, mais barata e muito mais lotada ao redor da Terra
-
Agro 5.0 invade o interior de SP com robôs movidos a sol, aplicativo que vigia 11 mil cabeças de gado e uma promessa curiosa de cortar desperdícios em até 90%
-
Motor a hidrogênio 100% puro entra na rede elétrica da Espanha pela primeira vez no mundo e mostra como o excesso de energia solar e eólica pode virar eletricidade limpa em momentos de alta demanda
Mas o que torna esse ímã diferente não é apenas a potência.
Ao contrário de muitos ímãs de alta potência que só funcionam por curtos períodos, este foi projetado para manter seu campo máximo por mais de 200 horas seguidas, gastando pouca energia, porque é feito de materiais supercondutores que conduzem eletricidade com resistência zero.
A combinação de um campo magnético 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra, estabilidade por dias e baixo consumo é o que torna essa máquina uma ferramenta prática, não apenas um recorde.
O que significa um ímã 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra

A intensidade de um campo magnético é medida em tesla.
O campo magnético da Terra na superfície é de algumas dezenas de microteslas, uma fração minúscula de um tesla. O novo ímã chinês atinge 35,6 tesla, o que o coloca em uma categoria completamente diferente de qualquer coisa que existe na natureza terrestre.
Uma ressonância magnética de hospital, que já exige bobinas enormes e blindagem cuidadosa, opera com 1,5 a 3 tesla. O ímã chinês opera com dez vezes mais que isso.
O equipamento possui uma abertura de 35 milímetros de diâmetro, suficiente para acomodar cristais, pequenos dispositivos ou amostras biológicas no centro da região de maior intensidade.
Esse detalhe torna o sistema prático para pesquisa real: os cientistas podem posicionar amostras diretamente no centro de um campo magnético 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra e obter medições precisas e limpas.
Não é apenas potência bruta. É potência que pode ser usada.
Por que o ímã funciona 200 horas gastando pouca energia enquanto outros consomem megawatts
O ímã é descrito como totalmente supercondutor, o que significa que todas as bobinas são feitas de materiais que conduzem eletricidade com resistência zero quando resfriados a temperaturas muito baixas.
Na prática, um ímã convencional de alta potência consome megawatts de energia continuamente, como um aquecedor ligado na potência máxima o dia inteiro. O ímã supercondutor da China funciona mais como um equipamento eficiente que quase não pesa na conta de luz.
Dentro do sistema, um ímã interno supercondutor de alta temperatura é combinado com um ímã externo de temperatura mais baixa.
Essa configuração permite aumentar a intensidade do campo magnético sem que as bobinas se rompam ou percam o estado supercondutor.
A equipe elevou o campo magnético de um resultado anterior de 30 tesla para 35,6 tesla mantendo a mesma abertura de 35 milímetros, e o sistema opera continuamente por mais de 200 horas sem problemas em temperaturas ultrabaixas e altas pressões.
Essa estabilidade por mais de oito dias consecutivos permite que cientistas realizem experimentos complexos de vários dias, algo impossível com ímãs que funcionam por minutos ou horas.
O que os cientistas pretendem fazer com um campo magnético 700 mil vezes mais forte que o da Terra
O ímã está instalado na Instalação de Condições Extremas Sinergéticas, nos arredores de Pequim.
Essa instalação combina temperaturas próximas do zero absoluto, pressões extremas, campos magnéticos intensos e lasers ultrarrápidos em um único complexo, funcionando como um laboratório aberto onde equipes da China e do exterior podem solicitar tempo de uso.
Um cientista pode resfriar um material quase ao zero absoluto, comprimi-lo com pressão gigantesca, incidir sobre ele luz ultrarrápida e expô-lo a um campo magnético de 35,6 tesla, tudo no mesmo local.
Campos magnéticos dessa intensidade permitem rastrear mudanças minúsculas na movimentação de elétrons dentro de sólidos, o que é essencial para estudar materiais quânticos e supercondutores.
Biofísicos também planejam usar o campo magnético estável para investigar a estrutura de biomoléculas complexas, proteínas e componentes celulares, abrindo possibilidades para futuras aplicações médicas.
Embora o ímã não vá parar em um hospital agora, a tecnologia pode influenciar sistemas futuros de imagem médica que funcionem mais rápido ou consumam menos energia.
A meta de 40 tesla e o que vem depois para o campo magnético mais potente do mundo
Os engenheiros da Academia Chinesa de Ciências já trabalham em melhorias.
O objetivo é expandir o campo magnético para além de 40 tesla, alargar o diâmetro interno para acomodar mais tipos de experimentos e reforçar o sistema de refrigeração para reduzir custos a longo prazo.
O pesquisador Luo Jianlin destacou que o ímã pode manter o campo magnético máximo por mais de 200 horas sem problemas, o que atende amplamente às necessidades da comunidade científica.
Essa confiabilidade significa que equipes internacionais têm maior probabilidade de reservar tempo em Pequim e desenvolver experimentos complexos em torno dessa máquina.
O verdadeiro teste da tecnologia não é o recorde de 35,6 tesla, mas as descobertas que surgirão dos experimentos nos próximos anos, e é por isso que o mundo quer saber o que a China pretende fazer com um campo magnético 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra.
O estudo que descreve o ímã foi publicado na revista Superconductivity.
700 mil vezes o campo magnético da Terra, 200 horas e um futuro que ninguém consegue prever
A China ativou um ímã supercondutor de 35,6 tesla, 700 mil vezes mais potente que o campo magnético da Terra, que funciona por mais de 200 horas gastando pouca energia.
O sistema está em Pequim, aberto para cientistas do mundo inteiro, e será usado para pesquisa em materiais quânticos, supercondutores, biomoléculas e fusão nuclear, com planos de expandir para mais de 40 tesla nos próximos anos.
Quando um país cria um campo magnético 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra e o mantém estável por dias, as possibilidades vão muito além do que qualquer previsão consegue antecipar. O recorde já foi batido. Agora começa a parte que importa: o que fazer com ele.
Você sabia que um ímã pode ser 700 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra? Acha que essa tecnologia vai mudar a medicina ou a energia? O que mais te impressionou: a potência ou as 200 horas de funcionamento? Deixe nos comentários e compartilhe com quem ama ciência.

-
-
-
-
-
27 pessoas reagiram a isso.