A estrela-do-mar girassol está sendo reproduzida em aquários e laboratórios para conter ouriços-do-mar roxos que devastaram algas na Califórnia após a mortandade de 2013. Com US$ 18 milhões da NOAA e apoio de parceiros, o programa combina criação, genética, criopreservação, busca por sobreviventes e reintrodução planejada no litoral.
A estrela-do-mar girassol virou a principal aposta científica para reverter o colapso das florestas de algas marinhas da Califórnia, depois que a queda abrupta dessa predadora abriu caminho para uma explosão de ouriços-do-mar roxos e para a destruição acelerada de grandes áreas de algas.
Ao recriar juvenis em laboratório, pesquisadores tentam devolver ao oceano costeiro um predador capaz de devorar dezenas de ouriços por dia, restaurar o equilíbrio ecológico e recuperar um ecossistema que já sustentou uma pesca ligada às algas e que sofreu perdas econômicas de centenas de milhões de dólares.
A predadora que come sem parar e por que isso importa

A estrela-do-mar girassol não é um símbolo abstrato de conservação. Ela é uma máquina biológica de controle populacional. Em um teste de alimentação, um juvenil com tamanho aproximado de um pão de hambúrguer consumiu 44 ouriços-do-mar roxos pequenos, do tamanho de uma ervilha, no intervalo de um dia e ainda parecia continuar com fome.
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O método de alimentação é rápido e eficiente. A estrela-do-mar girassol suga os ouriços, faz o corpo deles inchar e, cerca de três horas depois, expele esqueletos perfeitamente limpos. Essa sequência repetida mostra por que a espécie tem potencial para reduzir grandes densidades de ouriços em pouco tempo, especialmente em áreas onde os ouriços se multiplicaram sem freio.
O que derrubou as florestas de algas da Califórnia

O colapso começou quando uma doença debilitante atingiu a estrela-do-mar girassol em 2013 e dizimou quase toda a população da Califórnia. Sem esse predador, os ouriços-do-mar roxos, que já eram nativos, cresceram em número de forma explosiva.
Com a população de ouriços fora de controle, as algas passaram a ser consumidas em escala.
Florestas subaquáticas que eram consideradas entre os ecossistemas mais produtivos e biodiversos do planeta praticamente desapareceram de grande parte do litoral californiano ao longo da década seguinte, alterando a estrutura do fundo do mar, reduzindo habitat e derrubando a produtividade do sistema.
A crise ecológica atingiu também a economia costeira. A pesca ligada às algas entrou em colapso e acumulou perdas econômicas de centenas de milhões de dólares, transformando o desaparecimento das algas em um problema ambiental e produtivo ao mesmo tempo.
O investimento de US$ 18 milhões e a força tarefa da recuperação

A recuperação ganhou escala com um investimento de US$ 18 milhões do Escritório de Conservação de Habitat da NOAA Fisheries.
A estratégia reúne instituições para acelerar pesquisa e produção de juvenis, com objetivo de restaurar as florestas de algas e reequilibrar o ecossistema marinho costeiro.
A articulação inclui a The Nature Conservancy e uma rede de parceiros que atua na recuperação da estrela-do-mar girassol em sua área histórica, da Califórnia ao Alasca.
A iniciativa prioriza espécies-chave e coloca a estrela como peça central por ser um dos principais predadores do ecossistema.
Com o financiamento, aquários ampliaram espaço de laboratório, compraram equipamentos e contrataram mais funcionários, aumentando a capacidade de criação e pesquisa, com foco em reprodução, alimentação, comportamento, genética e estratégias de reintrodução.
Quem está criando a estrela-do-mar girassol e o que cada grupo faz

O esforço reúne o Sunflower Star Laboratory, o Aquarium of the Pacific e a Academia de Ciências da Califórnia, entre outros parceiros.
A atuação envolve criar estrelas juvenis em cativeiro e conduzir pesquisas sobre comportamento e genética, com o objetivo final de restabelecer populações selvagens.
A lógica é produzir indivíduos suficientes, com diversidade genética e com protocolos sanitários sólidos, para que a reintrodução seja viável e para que a espécie recupere sua função ecológica. Ao mesmo tempo, o trabalho cria uma base de conhecimento sobre o ciclo de vida, incluindo crescimento, alimentação, reprodução e resposta ao estresse.
O caminho aberto por Washington e a prova de que o ciclo completo é possível
Populações remanescentes de estrelas selvagens persistem de Washington até o Alasca, e isso ajudou a reconstruir a espécie em laboratório.
Em 2019, o Laboratório Seastar, nos Laboratórios Friday Harbor, em Washington, reproduziu adultos capturados na natureza e criou com sucesso seus descendentes.
Esse avanço foi decisivo porque permitiu desenvolver métodos para criar a estrela-do-mar girassol ao longo de todo o ciclo de vida. Esse conhecimento abriu caminho para que outros laboratórios passassem a cultivar suas próprias estrelas, adaptando técnicas e escalando produção.
O marco da Califórnia no Dia dos Namorados de 2024
Na Califórnia, um marco ocorreu no Dia dos Namorados de 2024. O Aquário Birch, em San Diego, obteve o primeiro nascimento bem-sucedido de larvas da estrela-do-mar girassol a partir de adultos de sua própria coleção, o primeiro sucesso desse tipo no estado.
Essas larvas foram encaminhadas aos parceiros para criação em diferentes instalações, ampliando a chance de sobrevivência e acelerando o aprendizado coletivo. O financiamento ligado à iniciativa começou em outubro de 2024, criando um impulso recente para expansão de estrutura e equipe.
O problema das larvas canibais e a solução com agitação controlada
A criação enfrentou um obstáculo crítico logo no início: as larvas tendem a se devorar. Evitar que elas se matem foi o primeiro grande desafio operacional na Califórnia.
A solução mais eficiente foi simples e prática. Biólogos do Aquário Steinhart descobriram que manter as larvas em movimento constante, agitadas em um recipiente com um agitador elétrico barato, aumentava a sobrevivência.
Centenas de larvas em flutuação livre conseguiram sobreviver e se fixar, passando para a próxima fase. Depois, os indivíduos foram isolados para reduzir contato e risco de canibalismo.
O período mais mortal do crescimento e as dietas para manter juvenis vivos
Depois de se fixarem, as estrelas entram em um estágio crítico conhecido como “o desafio”, quando muitos juvenis morrem durante o crescimento. Superar essa etapa é decisivo para chegar a um número de indivíduos suficiente para qualquer plano futuro de reintrodução.
Para melhorar a sobrevivência, os biólogos testaram dietas com filhotes de dólar-da-areia, ouriços-do-mar vermelhos e roxos juvenis, mexilhões triturados e outras espécies.
A meta era encontrar combinações alimentares que mantivessem os juvenis satisfeitos e menos propensos a atacar vizinhos, reduzindo agressividade e perdas. Centenas de estrelas sobreviveram nos três laboratórios envolvidos.
Genética, banco de dados e a busca por diversidade para resistir ao futuro
A recuperação não depende apenas de quantidade, mas de diversidade genética. Cientistas estão mapeando o DNA de cada estrela-do-mar girassol sob cuidados humanos e de um grupo selecionado de estrelas selvagens.
O objetivo é construir um grupo geneticamente diverso, capaz de enfrentar ameaças como doenças e aquecimento oceânico. Para isso, está sendo criado um banco de dados com todos os exemplares sequenciados.
Esse banco vai funcionar como ferramenta de seleção para emparelhar parceiros reprodutivos de forma estratégica, planejando cruzamentos que reforcem diversidade.
Se surgirem lacunas genéticas importantes, a estratégia pode incluir a incorporação de mais estrelas selvagens ao programa, ampliando linhagens e evitando um gargalo genético em cativeiro.
Criopreservação: larvas e espermatozoides guardados para o futuro
A criopreservação abriu uma frente inédita para o programa. Pesquisadores aprenderam a congelar espermatozoides e larvas da estrela-do-mar girassol e descongelá-los sem causar danos.
Com isso, centenas de milhares de larvas e milhões de espermatozoides passaram a ser armazenados em ambiente refrigerado, preservando linhagens genéticas para a aquicultura futura e para uma eventual reintrodução.
Essa técnica permite usar esperma de vários machos com uma mesma fêmea reprodutora, criando múltiplos cruzamentos e aumentando a diversidade genética dentro do programa.
A causa da doença e o teste que mudou as transferências entre instalações
A recuperação ganhou fôlego com a identificação da bactéria Vibrio pectenicida como causa da doença debilitante que matou milhões de estrelas-do-mar.
A criação de um teste para detectar indivíduos infectados mudou a logística do programa.
Agora é possível transferir estrelas entre instalações com mais segurança, reduzindo o risco de disseminar doença em cativeiro e permitindo ampliar intercâmbio de indivíduos e linhagens.
O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia utiliza o teste para verificar se estrelas vindas de outros estados podem ser importadas com segurança.
Licença do Alasca e isolamento preventivo de adultos e larvas
Uma licença permitiu trazer cinco adultos e cerca de 100.000 larvas do Alaska Sea Life Center.
Esses indivíduos estão sendo mantidos isolados das estrelas da Califórnia enquanto passam por avaliação, para verificar se são bons candidatos para futuras desovas.
Esse protocolo de isolamento combina precaução sanitária e estratégia genética. Ele evita contaminação, permite observar condições de saúde e, ao mesmo tempo, preserva a possibilidade de adicionar novas linhagens genéticas ao programa.
O retorno de estrelas selvagens na Califórnia e a nova esperança
A busca em campo também trouxe sinais de sobrevivência. Em 2024, um mergulhador comercial que trabalhava em restauração de algas marinhas financiada pela NOAA no Santuário Marinho Nacional de Greater Farallones encontrou uma estrela-do-mar girassol solitária.
Depois, mergulhadores científicos da Universidade Estadual de Sonoma encontraram uma pequena população no mesmo local.
Isso elevou a esperança de recuperação natural e criou a chance de adicionar novas linhagens genéticas aos programas de aquicultura.
A Associação Greater Farallones planeja lançar uma busca mais ampla por estrelas selvagens em 2026.
Paralelamente, existe um alerta direto para mergulhadores curiosos: não tocar nas estrelas, apenas registrar localizações no iNaturalist, criando uma base de dados de observações sem interferência física.
DNA ambiental no mar e o experimento com 12 estrelas em gaiolas

Para encontrar mais indivíduos sem depender apenas de buscas subaquáticas, o programa está testando DNA ambiental, o eDNA.
A ideia é simples: organismos deixam vestígios de DNA na água, então detectar DNA pode indicar presença por perto.
Em um experimento pioneiro para um invertebrado marinho desse tipo, 12 estrelas-do-mar bebês foram colocadas em gaiolas no oceano.
Mergulhadores livres operaram de forma coordenada em horários específicos para coletar amostras de água e analisar limites de detecção.
Se a técnica for validada, ela pode permitir que pesquisadores e mergulhadores locais encontrem estrelas com mais eficiência, reduzindo custos e ampliando cobertura.
Reintrodução: seleção de locais, resistência e um prazo de cinco anos ou mais
Apesar da aceleração das descobertas, a soltura de juvenis criados em laboratório ainda exige testes e planejamento.
Estão previstos experimentos para determinar se existem linhagens resistentes a doenças e para aumentar a capacidade de sobrevivência.
Também existe uma linha de inspiração em pesquisas de recifes de coral, em que corais podem ficar mais resistentes a aquecimento e doenças quando combinados com bactérias e algas benéficas, algo que pode ser explorado para a estrela-do-mar girassol.
O próximo desafio é escolher os melhores locais ao longo da costa da Califórnia para reintrodução. A expectativa é que possa levar cinco anos ou mais até que o transplante comece.
Enquanto isso, novas informações seguem surgindo mês a mês, com a rede de parceiros reunindo ferramentas, recursos e conhecimento para atacar as principais barreiras.
O que está em jogo: algas, biodiversidade e economia costeira
Recuperar a estrela-do-mar girassol significa restaurar uma peça-chave de um sistema em cascata. Predador controlando ouriço abre espaço para algas voltarem.
Algas voltando significa habitat para várias espécies, produtividade, equilíbrio e potencial recuperação econômica.
O programa combina laboratório e oceano real. Envolve reprodução, manejo de canibalismo, dietas específicas, genética, criopreservação, diagnóstico de doença, importação controlada, buscas de campo, monitoramento comunitário eDNA e planejamento de reintrodução em longo prazo.
Cada etapa empurra a ideia central: recolocar a estrela-do-mar girassol onde ela sempre foi decisiva, no papel de guardiã das florestas subaquáticas.
Você acha que a volta da estrela-do-mar girassol pode realmente derrubar a invasão de ouriços e fazer as florestas de algas retornarem em grande parte da Califórnia?

Por que tem esses **** que vem sempre dar risada desse tipo de noticias?
Na minha opnião eu não gostei eu sei q minha opnião não vale de nada mais fazer oq né
Meu paraná meu tricolo!