Equipe de pesquisadores chineses e norte-americanos identifica monazita em nanoescala nos tecidos de uma samambaia, comprovando que plantas podem formar minerais de alto valor tecnológico em condições naturais.
Uma equipe de cientistas liderada pela China fez uma descoberta inédita no mundo ao identificar um mineral formado naturalmente que contém elementos de terras raras (ETR) dentro de uma planta viva.
Os pesquisadores encontraram monazita em nanoescala, um mineral valioso, cristalizada nos tecidos de uma samambaia perene chamada Blechnum orientale.
Segundo comunicado do Instituto de Geoquímica de Guangzhou, essa descoberta “abre novas possibilidades para a recuperação direta de materiais funcionais de elementos de terras raras”.
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Os cientistas afirmaram que a descoberta esclarece o enriquecimento e o sequestro de ETR durante o intemperismo químico e biológico, além de criar caminhos inéditos para a recuperação direta desses materiais de alto valor tecnológico.
Formação em condições ambientais
A monazita é um mineral fosfatado rico em elementos como cério, lantânio e neodímio, todos essenciais para a tecnologia moderna.
O mineral é valorizado por suas propriedades mecânicas, físicas e térmicas, possuindo alto ponto de fusão e resistência à corrosão e à radiação.
Por isso, é amplamente utilizado em revestimentos, lasers, emissores de luz, condutores iônicos e no gerenciamento de resíduos radioativos.
O que torna a descoberta singular é o modo de formação do mineral. Normalmente, a monazita se forma geologicamente sob alta pressão e temperaturas de centenas de graus Fahrenheit.
No entanto, os cientistas observaram que as plantas podem facilitar sua mineralização em condições ambientais da superfície terrestre.
Esse processo biológico comprova a viabilidade da fitomineria, conforme publicado na revista Environmental Science & Technology.
Fitomineria e sustentabilidade
A fitomineria é uma estratégia ecológica que utiliza plantas “hiperacumuladoras” para extrair metais do solo. Essas plantas concentram metais pesados em seus tecidos em níveis centenas a milhares de vezes superiores aos do solo circundante.
A técnica consiste em cultivar essas plantas em solos ricos em metais e, depois, recuperar os elementos desejados a partir da biomassa colhida.
Os pesquisadores destacaram que essa abordagem reduz a dependência da mineração convencional, mitigando riscos ambientais e geopolíticos.
Mecanismo da formação mineral
O estudo, desenvolvido em colaboração entre o Instituto de Geoquímica de Guangzhou e a Virginia Tech, detalhou o mecanismo por trás da formação da monazita.
A equipe coletou amostras de plantas e solo de depósitos de terras raras em Guangzhou e constatou que os elementos estavam mais concentrados nas pinas da samambaia.
Os minerais cristalizam nos tecidos extracelulares da planta, fora das células, como forma de impedir a entrada de elementos não nutritivos e servir de método de desintoxicação.
Os pesquisadores descreveram o processo como um “sistema de não equilíbrio auto-organizado”, comparável a um “jardim químico”.
De acordo com o artigo, este é o primeiro registro de elementos de terras raras cristalizando em fase mineral dentro de um hiperacumulador.
O Instituto de Geoquímica de Guangzhou afirmou que o estudo abre um novo caminho para o uso sustentável desses recursos, podendo resultar em um modelo circular verde de remediação e reciclagem simultâneas.
