Inspirado na miosina, robô ultrafino desenvolvido na Coreia do Sul alia força e flexibilidade para tarefas cirúrgicas e industriais em espaços reduzidos
Cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang, na Coreia do Sul, desenvolveram um robô tão fino quanto um papel, mas capaz de gerar grande força.
O estudo, publicado em julho no periódico Nature Communications, aponta que a tecnologia pode ter aplicações médicas e industriais.
Inspiração na biologia humana
O mais importante é que o projeto se inspira na proteína miosina, responsável por grande parte dos movimentos no corpo humano, como o transporte de organelas e a contração muscular.
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A partir dessa referência, os pesquisadores criaram um robô com saliências na superfície, que permitem fixação em diferentes materiais e movimentos em múltiplas direções.
Apesar da espessura mínima, o equipamento possui força suficiente para executar tarefas complexas. Em formato de lâmina, ele contém dezenas de pequenas câmaras de ar sobrepostas tridimensionalmente e uma rede de circuitos pneumáticos.
Essa estrutura possibilita deslocamento mesmo quando dobrado, movendo-se “como uma lagarta” apenas com o auxílio das saliências.
Movimentos precisos e versatilidade do robô
Segundo o estudo, o robô pode se mover em seis direções diferentes, variando velocidade e distância conforme a sequência de pressão aplicada. Isso possibilita manobras em espaços apertados e o manuseio de objetos com precisão.
Aparelhos robóticos tradicionais, feitos de componentes metálicos e rígidos, oferecem resistência, mas têm limitações para executar movimentos delicados ou operar em áreas estreitas.
O novo modelo une resistência e flexibilidade, ampliando o potencial de uso.
Possibilidades na medicina e na indústria
Além disso, o robô pode remover obstáculos em tubulações estreitas, manipular objetos manualmente ou transportar itens subaquáticos.
Na medicina, a demanda por equipamentos capazes de realizar intervenções delicadas é crescente. O robô sul-coreano, com precisão semelhante à dos dedos humanos, pode ser inserido no corpo por pequenas aberturas, tornando-se uma ferramenta valiosa em cirurgias minimamente invasivas.
Os pesquisadores destacam que essa tecnologia permite manipulação segura em regiões sensíveis, sem comprometer estruturas próximas.
Essa característica pode ser decisiva em procedimentos complexos, nos quais milímetros fazem diferença.
Robô superfino: base para novas aplicações
Para ampliar as possibilidades de uso, os cientistas também desenvolveram um modelo matemático que prevê os movimentos do robô.
Essa previsão fornece parâmetros para futuras adaptações, permitindo a criação de versões específicas para diferentes setores.
“Esperamos que esta tecnologia seja aplicada em vários campos, incluindo robôs cirúrgicos, robôs colaborativos em ambientes industriais e ambientes de exploração”, afirmou Keehoon Kim, um dos autores do estudo, ao portal da universidade.
Com isso, o robô fino como papel se apresenta como um avanço promissor, unindo ciência, engenharia e inspiração biológica para enfrentar desafios em áreas críticas.
Com informações de Tilt.uol.
