Pesquisadores cobriram parte da geleira Tsanfleuron com mantas de lã para comparar seu desempenho ao plástico e buscar alternativa menos poluente para proteger o gelo durante os meses mais quentes dos Alpes suíços neste verão.
Uma ação que pode ser de grande importância para conter a perda de gelo nos Alpes está em andamento. Pesquisadores na Suíça estão testando grandes mantas de lã de ovelha sobre uma geleira nos Alpes para verificar se o material consegue conter a perda de gelo com desempenho semelhante ao das lonas plásticas. O experimento também busca dar novo destino a uma matéria-prima que é amplamente descartada no país.

Em junho, uma equipe liderada pela Summit Foundation e pela Universidade de Lausanne instalou dois protótipos em um trecho de aproximadamente 200 metros da geleira Tsanfleuron, que se estende por cerca de incríveis 3,5 quilômetros.
Durante os meses mais quentes, os pesquisadores fizeram medições a cada duas semanas para comparar o comportamento da lã com o das coberturas de plástico utilizadas no mesmo local.
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Os primeiros resultados indicaram que as mantas de lã conseguiram conter o derretimento em nível semelhante ao material plástico.
À Reuters, o gerente do projeto, Timothee Steiner, afirmou que a experiência tinha dois objetivos: testar a proteção do gelo e encontrar uma nova utilização para a lã produzida na Suíça.

Entre 40% e 70% da lã produzida no país acaba descartada
O aproveitamento da matéria-prima é uma das principais questões abordadas pelo projeto. Segundo Steiner, entre 40% e 70% da lã produzida anualmente na Suíça é descartada.
No experimento realizado na geleira Tsanfleuron, o material passa a desempenhar uma função diferente: formar uma cobertura sobre o gelo durante o período de temperaturas mais elevadas.
A alternativa também busca reduzir a dependência das lonas de plástico. Durante o verão, essas coberturas podem liberar microfibras no ambiente.
A lã, portanto, está sendo avaliada como uma forma de proteger pequenas áreas de gelo sem recorrer ao mesmo tipo de material.
O projeto reúne, assim, dois problemas em uma única experiência: o descarte de uma parcela significativa da lã suíça e a procura por uma alternativa às coberturas plásticas usadas sobre as geleiras.
Coberturas atingem apenas 0,02% das geleiras suíças
Apesar do desempenho registrado no teste, os próprios pesquisadores deixam claro que a instalação de mantas não representa uma solução para a perda de gelo em escala nacional.
As áreas protegidas por coberturas equivalem a aproximadamente 0,02% da superfície das geleiras da Suíça. A dimensão limitada da técnica impede que ela seja tratada como resposta ao recuo das massas de gelo.
Segundo os cientistas mencionados no material, a redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis continua sendo a solução indicada para conter a perda de gelo.
O aumento das temperaturas antecipa o derretimento da neve e está associado ao recuo das geleiras suíças. Entre os riscos citados estão deslizamentos de rochas e o transbordamento de lagos formados em regiões montanhosas.
O material lembra o episódio registrado na vila de Blatten, em 2025, como exemplo dos riscos relacionados aos deslizamentos.
Também cita o Himalaia, onde o rompimento de uma barreira de gelo provocou inundações no Nepal após o acúmulo de água em um vale.
Na geleira Tsanfleuron, porém, o foco do experimento permanece restrito: comparar lã e plástico na proteção de uma pequena superfície de gelo e avaliar se uma matéria-prima hoje descartada em grande quantidade pode receber uma nova utilização.
Por que é importante conter a perda de gelo?
Segundo informações do GLAMOS, a Suíça perdeu 3% do volume restante de suas geleiras em 2025, equivalente a cerca de 1,4 km³ de gelo, e hoje mantém aproximadamente 45,1 km³, 30 km³ a menos que em 2000.
Conter esse recuo é importante também para os recursos hídricos. Segundo o NCCS, as geleiras armazenam água por longos períodos e sustentam rios alpinos durante verões quentes e secos; seu desaparecimento também aumenta riscos de erosão, deslizamentos e quedas de rochas.
Esta reportagem utiliza informações divulgadas pela Summit Foundation, pela Universidade de Lausanne e declarações concedidas por Timothee Steiner à Reuters.

