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Cidade fantasma de 4 mil moradores, abandonada após o colapso de uma mina de ferro, agora vira campo de treinamento com drones para polícia, resgate e equipes de emergência

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/06/2026 às 14:12
Atualizado em 19/06/2026 às 14:14
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Eagle Mountain já foi uma cidade movimentada, com casas, escolas, comércio e milhares de moradores. Décadas depois do abandono, o local voltou a chamar atenção ao virar ambiente realista para treinamento de drones usados em emergências.

Uma cidade inteira que já teve escola, igreja, casas, comércio e milhares de moradores agora virou cenário de algo que parece saído de um filme de ação. No deserto da Califórnia, a antiga Eagle Mountain deixou de ser apenas uma cidade fantasma marcada pelo fim de uma mina de ferro para se transformar em um campo de treinamento com drones, usado em simulações de polícia, resgate e emergência.

A cidade fantasma que nasceu de uma mina de ferro

Vista aérea de Eagle Mountain, antiga cidade mineradora no deserto da Califórnia que chegou a abrigar milhares de moradores e hoje tem suas ruas vazias reaproveitadas em treinamentos com drones para operações de segurança pública e emergência.
Vista aérea de Eagle Mountain, antiga cidade mineradora no deserto da Califórnia que chegou a abrigar milhares de moradores e hoje tem suas ruas vazias reaproveitadas em treinamentos com drones para operações de segurança pública e emergência.

Antes do abandono, Eagle Mountain não era um amontoado de ruínas no meio do nada. A cidade foi fundada em 1948 e cresceu ao redor de uma operação ligada à Kaiser Steel, que explorava minério de ferro na região.

No auge, o local chegou a reunir mais de 4 mil moradores e cerca de 400 casas, além de escolas, igrejas, comércio, piscina comunitária e espaços de convivência. Era uma cidade empresarial completa, feita para abrigar trabalhadores e suas famílias no meio do deserto.

O cenário mudou quando a atividade mineradora perdeu força. Com o encerramento das operações no início dos anos 1980, a população deixou a área, as ruas ficaram vazias e os prédios passaram a carregar aquele aspecto de lugar congelado no tempo.

Ruas vazias agora simulam emergências reais

Décadas depois, o mesmo isolamento que ajudou a transformar Eagle Mountain em um lugar abandonado virou vantagem. A empresa Flying Lion anunciou, em março de 2025, o lançamento do FLI Town, apresentado como um centro de treinamento dedicado a drones usados como resposta inicial em ocorrências de segurança pública.

A ideia chama atenção porque não se trata de treinar em um galpão, em uma pista simples ou em um campo aberto. O treinamento acontece em uma cidade real, com ruas, casas, estruturas antigas e pontos urbanos capazes de simular situações próximas das que podem ocorrer em bairros habitados.

Os drones podem ser usados em exercícios para localizar uma pessoa ferida, identificar uma ameaça em um telhado, encontrar alguém perdido em área remota ou reconhecer placas de veículos. Tudo isso sem expor moradores, pedestres ou equipes em treinamento a riscos desnecessários.

Alvo usado em treinamento real de DFR, drones como primeiros respondedores, instalado em uma estrutura de Eagle Mountain para simular cenários de polícia e emergência em uma cidade fantasma reaproveitada como centro de operações com drones.
Alvo usado em treinamento real de DFR, drones como primeiros respondedores, instalado em uma estrutura de Eagle Mountain para simular cenários de polícia e emergência em uma cidade fantasma reaproveitada como centro de operações com drones.

Drones podem ser operados de longe

Outro detalhe impressionante é que o treinamento não depende apenas de pilotos fisicamente presentes no local. O centro recebeu autorização federal para voos BVLOS, modalidade em que o operador não precisa manter o drone dentro do campo visual direto.

A permissão citada para o projeto permite voos de até 400 pés de altura, sem observador visual humano, e com operação remota 24 horas por dia e 7 dias por semana, desde que exista conexão com a internet.

Na prática, isso permite que operadores treinem de outras cidades, usando Eagle Mountain como um laboratório urbano remoto. Para forças de segurança, essa possibilidade muda a lógica do treinamento, já que uma ocorrência pode ser simulada em ambiente realista sem precisar sobrevoar uma cidade habitada.

O preço milionário que reacendeu o mistério

A cidade fantasma voltou ao noticiário antes mesmo do centro de drones ganhar destaque. Em abril de 2023, documentos da SEC registraram a venda de propriedades e direitos minerários ligados a Eagle Mountain por aproximadamente US$ 22,58 milhões.

O comprador foi uma empresa privada sobre a qual havia poucas informações públicas disponíveis no momento da compra. Esse detalhe alimentou ainda mais a curiosidade em torno da cidade abandonada, já conhecida por atrair exploradores urbanos, curiosos e fãs de histórias de lugares esquecidos.

A compra milionária não deve ser tratada como prova de que o local foi adquirido exclusivamente para virar centro de drones. Ainda assim, o valor ajuda a explicar por que Eagle Mountain voltou a despertar atenção: poucas cidades fantasmas carregam uma combinação tão forte de abandono, minério, mistério, tecnologia e novos usos.

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De cidade operária a laboratório de segurança

A trajetória de Eagle Mountain é rara porque reúne várias camadas em um só lugar. Primeiro, foi cidade industrial. Depois, perdeu moradores com o colapso da mineração. Mais tarde, parte de suas estruturas chegou a ser reaproveitada para uma prisão de baixa segurança. Agora, entra em uma nova fase como ambiente de treinamento tecnológico.

Em vez de apenas ruínas no deserto, Eagle Mountain virou uma espécie de laboratório urbano, onde drones aprendem a responder a cenários que podem envolver acidentes, buscas, riscos à segurança e operações de emergência.

Por que isso importa agora

O uso de drones por equipes de emergência cresce rapidamente, principalmente porque essas aeronaves conseguem chegar antes de viaturas, enxergar áreas perigosas do alto e enviar imagens em tempo real para centros de decisão.

Nesse contexto, Eagle Mountain surge como um símbolo poderoso: uma cidade que nasceu da mineração, foi esvaziada pelo fim da atividade industrial e agora entra na era dos drones.

O que parecia apenas um retrato do passado virou uma peça do futuro da segurança pública. Entre casas vazias, ruas silenciosas e o calor extremo do deserto, a antiga cidade de 4 mil moradores agora treina máquinas para agir nos momentos em que cada segundo pode fazer diferença.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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