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China ergueu as torres da maior ponte suspensa de dois andares do mundo — são 16 faixas entre Guangzhou e Dongguan, e a obra já bateu 5 recordes mundiais

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 28/04/2026 às 18:15
Atualizado em 28/04/2026 às 19:35
Ponte suspensa de dois andares com 16 faixas sobre o oceano na China
A Lion Ocean Link terá 16 faixas em dois andares — maior ponte suspensa double-deck do mundo, com 5 recordes mundiais
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Na província de Guangdong, no sul da China, engenheiros estão construindo algo que desafia a imaginação: a Lion Ocean Link, uma ponte suspensa de dois andares com 16 faixas de trânsito cruzando o estuário do Rio das Pérolas entre as cidades de Guangzhou e Dongguan.

Segundo reportagem da CGTN, as torres principais da ponte foram concluídas em março de 2026 — um marco que confirmou a estrutura como a maior ponte suspensa de dois andares do mundo.

Contudo, o mais impressionante não é o tamanho em si — é a quantidade de recordes que a obra já bateu antes mesmo de ser inaugurada.

Dessa forma, a Lion Ocean Link não é apenas mais uma ponte chinesa: é uma demonstração de engenharia que empurra os limites do que se considerava possível construir sobre a água.

Além disso, a ponte faz parte do corredor econômico da Greater Bay Area — uma região que inclui Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou e que concentra um PIB combinado superior ao da maioria dos países.

Torre de ponte suspensa em construção com guindastes na China
Representação artística — as torres principais da Lion Ocean Link foram concluídas em março de 2026

Os 5 recordes mundiais que a ponte já bateu — e ela nem foi inaugurada ainda

De acordo com a documentação técnica do projeto, a Lion Ocean Link estabeleceu cinco recordes mundiais durante a construção.

Consequentemente, a ponte se tornou referência global em engenharia de pontes suspensas, superando marcos que pareciam inalcançáveis há poucos anos.

Entre os recordes estão o maior vão para ponte suspensa de dois andares e as torres de suspensão mais altas já construídas para esse tipo de estrutura.

Além disso, a capacidade de carga da ponte é sem precedentes: com 16 faixas distribuídas em dois níveis, ela foi projetada para suportar o tráfego combinado de duas autoestradas completas.

Igualmente, o sistema de cabos de suspensão da Lion Ocean Link utiliza uma quantidade de aço que, se esticada em linha reta, daria para circundar a Terra mais de uma vez.

Nesse sentido, a ponte representa o estado da arte em engenharia civil — e demonstra por que a China domina a construção de megaestruturas no século XXI.

A ponte conecta duas cidades com um PIB combinado maior que o de muitos países — e faz parte de um plano de US$ 100 bilhões

Guangzhou e Dongguan são duas das cidades mais ricas e industrializadas da China — e do mundo.

Por outro lado, o estuário do Rio das Pérolas que as separa sempre foi um obstáculo logístico, obrigando caminhões e veículos a percorrer rotas longas e congestionadas para cruzar de uma cidade a outra.

Portanto, a Lion Ocean Link vai reduzir drasticamente o tempo de travessia entre as duas metrópoles, transformando o que antes levava horas em uma viagem de minutos.

Da mesma forma, a ponte é uma peça central do plano de integração da Greater Bay Area (GBA) — o megaprojeto chinês que visa transformar a região em um polo econômico capaz de rivalizar com a Baía de San Francisco e Tóquio.

A GBA reúne 11 cidades com um PIB combinado de mais de US$ 1,7 trilhão — superior ao de países como a Coreia do Sul ou a Austrália.

Consequentemente, cada melhoria de infraestrutura que reduz o tempo de deslocamento dentro da GBA tem um impacto econômico bilionário.

Vista aérea da ponte conectando Guangzhou a Dongguan na China
Representação artística — a ponte conecta duas das cidades mais importantes da Greater Bay Area

Como funciona uma ponte de dois andares: o desafio de empilhar duas autoestradas sobre a água

Construir uma ponte suspensa convencional já é um feito de engenharia. Construir uma com dois andares independentes multiplica a complexidade exponencialmente.

De fato, o tabuleiro inferior precisa suportar não apenas o peso dos veículos que trafegam nele, mas também todo o peso do andar superior — incluindo asfalto, barreiras, iluminação e tráfego.

Além disso, as forças de vento sobre uma estrutura com dois andares são drasticamente diferentes das que atuam sobre uma ponte convencional — exigindo simulações aerodinâmicas em túnel de vento que levaram anos para serem concluídas.

Apesar disso, os engenheiros chineses desenvolveram um sistema de tabuleiro em caixa de aço que distribui as cargas de forma uniforme entre os dois níveis — uma inovação que pode ser replicada em futuras pontes ao redor do mundo.

Como resultado, a Lion Ocean Link funciona como se fossem duas autoestradas completas empilhadas no ar, suspensas por cabos de aço ancorados em torres que superam a altura de edifícios de 60 andares.

Sobretudo, a separação em dois andares permite que cada nível seja dedicado a um sentido de tráfego, eliminando o cruzamento de fluxos e aumentando significativamente a segurança e a velocidade de travessia.

Por que a China domina a construção de pontes: das 100 mais altas do mundo, 85 estão no país

A Lion Ocean Link é mais um exemplo da supremacia chinesa em engenharia de pontes.

Conforme dados compilados por organizações internacionais de engenharia civil, das 100 pontes mais altas do mundo, 85 estão na China.

Além disso, das 10 pontes com maior vão livre do mundo, a maioria também é chinesa — incluindo a Ponte Huajiang, que a 625 metros de altura é a ponte mais alta do planeta. Enquanto isso, a Finlândia inaugurou uma ponte exclusiva para pedestres — mostrando que cada país resolve infraestrutura à sua maneira.

No entanto, essa dominância não é acidental: a China investiu mais em infraestrutura de transporte nas últimas duas décadas do que todos os outros países combinados.

Igualmente, o país desenvolveu tecnologias proprietárias de construção que permitem erguer pontes em velocidades que pareceriam impossíveis em outros lugares — com máquinas montadoras de 580 toneladas, conforme documentou a BlackRidge Research que posicionam segmentos inteiros de tabuleiro em questão de horas.

Ainda assim, cada nova ponte chinesa levanta questões sobre sustentabilidade financeira: serão todas necessárias, ou parte do boom de infraestrutura é excesso de investimento que gerará subutilização?

Ponte iluminada à noite com luzes refletindo no oceano
Representação artística — a ponte faz parte do corredor econômico da Greater Bay Area chinesa

O que a Lion Ocean Link significa para o futuro das megapontes

A conclusão da Lion Ocean Link abre um precedente tecnológico importante: pontes de dois andares com mais de 10 faixas por nível são viáveis e podem ser a solução para regiões com tráfego extremo que não comportam duas pontes separadas.

Portanto, cidades como Istambul, Mumbai e Lagos — que enfrentam congestionamentos épicos em travessias aquáticas — podem estar olhando para a Lion Ocean Link como modelo.

Por consequência, a engenharia chinesa de pontes pode se tornar uma das maiores exportações tecnológicas do país, ao lado de ferrovias de alta velocidade e energia solar.

Uma ponte com 16 faixas em dois andares, 5 recordes mundiais e torres mais altas que prédios de 60 andares — tudo isso construído sobre o oceano, na mesma região que há 40 anos era formada por vilarejos de pescadores.

A Lion Ocean Link é a prova viva de que, quando um país trata infraestrutura como prioridade de Estado, os resultados desafiam até a imaginação dos engenheiros mais otimistas.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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