Navio chinês “Su Hai No 1” terá capacidade para criar 8.000 toneladas de salmão por ano e promete reduzir importações e custos logísticos.
A China está prestes a dar um salto na produção de salmão com o lançamento do “Su Hai No 1”. Trata-se do primeiro navio do mundo dedicado exclusivamente à criação de salmão em alto-mar.
A embarcação foi projetada para reduzir a dependência chinesa do peixe importado e ampliar a segurança alimentar do país.
O “Su Hai No 1” é uma aposta ambiciosa do governo chinês para desenvolver a aquicultura offshore em larga escala. Com uma estrutura de 250 metros de comprimento, o navio foi construído no Estaleiro Huangpu Wenchong, em Guangzhou. O investimento chegou a 600 milhões de yuans, o equivalente a 83,6 milhões de dólares.
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Produção de salmão em alto-mar
O navio foi projetado para produzir até 8.000 toneladas de salmão por ano. A entrega está prevista para junho, após a realização de uma viagem de teste bem-sucedida no final de abril. Ajustes finais estão sendo realizados antes da operação oficial.
Segundo o South China Morning Post (SCMP), o “Su Hai No 1” poderá navegar para diferentes regiões, o que oferece uma vantagem sobre os métodos fixos. Isso permite evitar riscos ambientais como tufões ou algas nocivas. A embarcação também contará com um sistema interno de processamento, garantindo que o peixe seja entregue fresco aos mercados domésticos em apenas 24 horas.
As operações devem começar no outono, no Mar Amarelo, próximo à província de Jiangsu. O navio utilizará redemoinhos de água fria da região para criar condições ideais para o cultivo. A primeira colheita de salmão está prevista para o próximo ano.
Alternativa à importação
Atualmente, mais de 80% do salmão consumido na China é importado. Os principais fornecedores são a Noruega e o Chile. Em 2023, o país importou mais de 100.000 toneladas do peixe. A expectativa é que esse número dobre até 2030, ultrapassando 200.000 toneladas por ano.
A criação local é vista como uma alternativa para enfrentar os altos custos logísticos e a pegada de carbono associada ao transporte de salmão do exterior. O navio chinês representa uma resposta direta a esse desafio e ao aumento da demanda no mercado interno.
O “Su Hai No 1” possui uma capacidade de cultivo de 8,3 milhões de metros cúbicos de água do mar. Isso representa um passo significativo rumo à autonomia na produção de peixes de alto valor nutricional, como o salmão.
Estratégia para segurança alimentar
O projeto faz parte de uma estratégia maior da China para expandir sua economia oceânica. O governo considera essa expansão essencial para garantir a segurança alimentar diante de um cenário global instável.
O SCMP afirma que a China está lidando com mudanças climáticas, tensões comerciais e desafios geopolíticos. Esses fatores tornaram urgente o fortalecimento das cadeias internas de produção de alimentos.
No ano passado, o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China, junto ao Ministério dos Recursos Naturais, publicou diretrizes para incentivar a criação marinha sustentável. O objetivo é equilibrar o aumento da produção com a proteção do meio ambiente oceânico.
Truta como alternativa ao salmão
Apesar dos avanços, criar salmão do Atlântico na China tem sido um desafio técnico. Como solução temporária, o país adotou a truta arco-íris como substituto.
Desde 2018, a truta pode ser rotulada como “salmão” nos mercados chineses. A decisão do governo foi baseada na semelhança entre os dois peixes. Ambos têm aparência parecida, carne firme, oleosa e de cor rosa-alaranjada. Também oferecem valores nutricionais semelhantes.
Essa alternativa tem ajudado a suprir a crescente demanda da população chinesa, enquanto projetos como o “Su Hai No 1” avançam para consolidar a produção interna de salmão em grande escala.
