A China construiu em Chongqing um arranha-céu horizontal de 300 metros de comprimento que conecta quatro torres de 250 metros de altura no 42º andar do complexo Raffles City. Segundo o NSC, a estrutura, chamada The Crystal, pesa 12 mil toneladas de aço, o equivalente à Torre Eiffel, e foi parcialmente montada no solo antes de ser elevada com sistemas hidráulicos de precisão até a posição definitiva entre as torres.
O projeto foi concebido pelo escritório Safdie Architects, o mesmo que desenhou o icônico Marina Bay Sands em Cingapura, e desenvolvido pela CapitaLand, empresa imobiliária asiática, com orçamento de 1,1 bilhão de dólares. O complexo fica na confluência dos rios Yangtzé e Jialing, uma das áreas com maior densidade populacional de Chongqing, cidade que ultrapassa 30 milhões de habitantes.
O arranha-céu horizontal tem 32,5 metros de largura, foi revestido com 3 mil painéis de vidro e quase 5 mil peças de alumínio, e sua principal atração é o Exploration Deck, um mirante com piso de vidro de 1.500 metros quadrados onde os visitantes caminham sobre o vazio a 250 metros do chão. O resultado é uma estrutura que desafia a ideia convencional de que arranha-céus precisam ser verticais e que coloca a China novamente no centro do debate sobre os limites da engenharia contemporânea.
300 metros de comprimento no 42º andar

O The Crystal não é uma simples passarela entre prédios. Com 300 metros de comprimento e 32,5 metros de largura, a estrutura horizontal é um edifício completo suspenso no ar, posicionado no 42º andar do complexo e apoiado sobre quatro das oito torres que compõem o Raffles City. As dimensões o colocam entre as maiores estruturas horizontais elevadas do mundo, comparável em comprimento a três campos de futebol enfileirados.
-
387 toneladas de pedra de um casarão deslizaram intactas por uma rodovia estadual fechada e por cima de um canal, em menos de quatro horas
-
Prédios antigos sem sacada agora podem ganhar uma varanda construída de fora para dentro numa técnica de retrofit que valoriza o imóvel mas ainda esbarra no alto custo e na aprovação dos condôminos
-
A China iniciou a construção daquela que deve se tornar a maior eclusa fluvial do mundo no rio Yangtzé, um megaprojeto de 77,2 bilhões de yuans que pretende mais que dobrar a capacidade de transporte de carga na barragem das Três Gargantas
-
Bangladesh testou uma casa que parece ter boias escondidas, fica firme no chão em dias secos e flutua durante enchentes sem virar uma casa barco

A altura em que o arranha-céu horizontal se encontra amplifica a percepção de escala. A 250 metros do solo, o The Crystal está acima da maioria dos edifícios comerciais de qualquer cidade do mundo. Para os engenheiros que projetaram a estrutura, o desafio não foi apenas suportar o peso do aço e do vidro, mas também resistir às forças laterais do vento que atingem uma estrutura exposta a essa altitude, especialmente numa região onde tempestades não são incomuns.
12 mil toneladas de aço: o peso da Torre Eiffel no ar

A estrutura de aço que sustenta o arranha-céu horizontal da China pesa 12 mil toneladas, volume comparável ao peso da Torre Eiffel em Paris. A diferença é que a Torre Eiffel distribui seu peso no solo, enquanto o The Crystal transfere suas 12 mil toneladas para as quatro torres que o sustentam a 250 metros de altura. Cada torre precisa suportar não apenas o próprio peso, mas também a carga adicional transmitida pela estrutura horizontal, o que exigiu fundações e pilares dimensionados para cargas muito superiores às de um edifício convencional.
Parte da estrutura de aço foi montada no solo antes de ser elevada com sistemas hidráulicos de precisão até a posição definitiva entre as torres. Essa técnica, conhecida como lift-up, reduz o risco de trabalho em altura e permite que seções inteiras da estrutura sejam soldadas e inspecionadas em condições controladas antes de serem içadas. O processo exigiu coordenação milimétrica entre as equipes de guindastes e hidráulica para garantir que cada seção se encaixasse perfeitamente nas conexões preparadas no topo das torres.

Vidro, alumínio e um mirante sobre o vazio
O revestimento externo do The Crystal combina 3 mil painéis de vidro com quase 5 mil peças de alumínio, criando uma fachada translúcida que reflete a luz durante o dia e brilha iluminada à noite. O contraste visual entre a transparência do arranha-céu horizontal e a solidez das torres de concreto e aço que o sustentam é parte deliberada do projeto do Safdie Architects, que buscou criar uma estrutura que parecesse leve apesar de suas 12 mil toneladas.
A principal atração do edifício é o Exploration Deck, um mirante com piso de vidro de 1.500 metros quadrados que permite aos visitantes caminhar sobre o vazio a 250 metros do chão. Olhar para baixo através do vidro transparente e ver as ruas de Chongqing dezenas de andares abaixo é uma experiência que atrai turistas de toda a China e do mundo. O piso de vidro é projetado para suportar cargas muito superiores ao peso dos visitantes, mas a sensação de caminhar sobre o nada gera vertigem mesmo em quem sabe racionalmente que a estrutura é segura.
Mais de um milhão de metros quadrados de cidade vertical
O Raffles City não é apenas o arranha-céu horizontal. O complexo inteiro soma mais de um milhão de metros quadrados de área construída distribuídos em oito torres interligadas, com residências, escritórios, hotel e áreas comerciais. É uma cidade vertical completa onde moradores podem viver, trabalhar, fazer compras e se hospedar sem precisar sair do complexo. As quatro torres principais, que sustentam o The Crystal, têm 250 metros cada, enquanto duas torres laterais ultrapassam 350 metros.
A localização na confluência dos rios Yangtzé e Jialing posiciona o Raffles City num ponto estratégico de Chongqing, oferecendo vistas panorâmicas dos dois rios e da paisagem montanhosa que cerca a cidade. Para a CapitaLand, que investiu 1,1 bilhão de dólares no projeto, a escala do complexo justifica o investimento pela combinação de receitas residenciais, comerciais e turísticas que um milhão de metros quadrados pode gerar numa das cidades mais populosas da China.
A engenharia por trás do impossível
Construir um edifício de 300 metros no alto de quatro torres de 250 metros exigiu soluções de engenharia que poucos projetos no mundo demandaram. Os sistemas hidráulicos de precisão utilizados para elevar seções da estrutura de aço do solo até o topo das torres representam uma das técnicas mais avançadas da construção civil contemporânea. Cada seção içada pesava centenas de toneladas e precisava ser posicionada com tolerância de milímetros para que as conexões estruturais funcionassem corretamente.
O projeto do Safdie Architects também precisou resolver o problema da dilatação térmica. Uma estrutura de aço de 300 metros exposta ao sol tropical de Chongqing se expande e contrai ao longo do dia, e essas variações precisam ser absorvidas pelas juntas de conexão entre o arranha-céu horizontal e as torres, sem comprometer a estabilidade ou gerar trincas na fachada de vidro. A engenharia de juntas flexíveis que acomodam movimentos térmicos em estruturas dessa escala é um campo especializado que poucos escritórios de arquitetura e engenharia dominam.
Um arranha-céu que não aponta para o céu
A China construiu em Chongqing um arranha-céu que não sobe, mas se estende horizontalmente por 300 metros entre quatro torres a 250 metros de altura. O The Crystal pesa 12 mil toneladas de aço, foi parcialmente montado no solo e elevado com hidráulica, e abriga um mirante com piso de vidro de 1.500 metros quadrados onde visitantes caminham sobre o vazio. O complexo Raffles City custou 1,1 bilhão de dólares, tem mais de um milhão de metros quadrados e redefine o que é possível fazer quando engenharia e ambição não conhecem limites convencionais.
Você caminharia sobre o piso de vidro a 250 metros de altura? Conte nos comentários o que achou do arranha-céu horizontal da China, se a engenharia de montar a estrutura no solo e elevá-la com hidráulica impressiona e se o Brasil deveria tentar projetos dessa escala. Queremos ouvir a sua opinião.

Incrível será que aguenta um terremoto ou um tsunami nossa mataria muita gente de uma única vez. Uau
Kkkkkk o brasil pra fazer um de 10 andar leva 2 anos kkkkk e fodahh
Que leitura maçante. O autor resistiu a mesma informação tantas vezes, que tornou uma matéria interessante em algo enfadonho.
…repetiu…